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Q3258450 Medicina
        Paciente do sexo feminino, de 55 anos de idade, assintomática, com histórico de tabagismo, hipertensão arterial e dislipidemia, será submetida a ultrassonografia de carótidas e vertebrais para avaliação de risco cardiovascular. 

Em referência ao caso clínico precedente e a aspectos relativos às doenças das artérias carótidas e vertebrais, julgue o item que se segue.  


Na paciente desse caso clínico, a avaliação da espessura mediointimal é o principal método para estratificação de risco cardiovascular na ultrassonografia de carótidas, com poder preditivo superior à avaliação da presença de placa carotídea.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Uso da ultrassonografia de carótidas para estratificação de risco cardiovascular em assintomáticos, comparando espessura médio-intimal (IMT) versus presença de placa carotídea.

Gabarito: E (errado)

Por quê? A afirmação diz que a IMT é o principal método e que tem poder preditivo superior ao da presença de placa. Isso está em desacordo com as evidências e diretrizes atuais. A presença de placa carotídea (focal, ≥1,5 mm ou aumento ≥50% em relação ao segmento adjacente – Consenso de Mannheim) tem maior associação com eventos cardiovasculares do que a IMT difusa. A IMT sofre influência de idade e hipertensão, apresenta variabilidade e não é recomendada para uso rotineiro na estratificação individual de risco.

Evidências e diretrizes:

  • ESC 2021 e ACC/AHA 2019: não recomendam a IMT carotídea para estratificação de risco em rotina; a detecção de placa pode servir como “risk-enhancer”.
  • SBC (Prevenção): favorece marcadores de aterosclerose subclínica como placa carotídea e particularmente escore de cálcio coronário; IMT não é método principal.
  • UpToDate/Harrison’s: placa e carga de placa (área/volume) superam IMT na predição de eventos.

Raciocínio clínico aplicado: Mulher de 55 anos, tabagista, hipertensa e dislipidêmica. Se o objetivo é estratificar risco, o achado mais relevante no US de carótidas é presença de placa ou estenose significativa, não a IMT. Para reclassificação robusta, o escore de cálcio coronário é superior.

Análise das alternativas:

  • C (certo) — Incorreta: supervaloriza a IMT e contraria diretrizes. A IMT tem associação modesta e não reclassifica bem risco; não é o “principal método”.
  • E (errado) — Correta: a sentença é falsa porque a placa carotídea possui maior poder preditivo que a IMT e é o alvo mais útil no US quando se pensa em risco.

Dicas de prova:

  • Desconfie de termos absolutos como “principal” e “superior” aplicados à IMT.
  • Lembre: Placa > IMT para previsão de eventos; para reclassificação global, calcio coronário costuma ser a melhor ferramenta.

Conceito-chave: Aterosclerose é focal. Placa representa doença aterosclerótica verdadeira; IMT reflete também remodelamento por idade/pressão. Por isso, a placa prediz melhor eventos do que a IMT.

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