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Q2368861 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
O reconhecimento ao indivíduo por seu estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser reivindicado sem qualquer restrição, observado o segredo de Justiça, contra os pais ou:
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Análise do Tema:

O tema central aborda o direito fundamental de reconhecimento da filiação, tratado como um direito personalíssimo, indisponível e imprescritível. Ou seja, todo indivíduo tem o direito de buscar a declaração judicial de sua filiação a qualquer tempo, independentemente de ter atingido a maioridade, ou do falecimento eventual do genitor. O segredo de Justiça visa proteger a intimidade e o interesse do menor.

Fundamentação Legal:

Este direito está previsto no Código Civil, Art. 1.596: "Os filhos havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação."

Além disso, jurisprudência do STJ (REsp 1.348.536/SP) confirma: a ação de investigação de paternidade pode ser movida inclusive contra herdeiros do suposto pai falecido, demonstrando ser imprescritível o direito à busca do vínculo parental.

Exemplo Prático:

João descobre na fase adulta indícios de que seu pai biológico faleceu, mas quer reconhecimento legal do vínculo. Ele pode ajuizar ação de investigação de paternidade direcionada aos herdeiros do falecido, garantindo o direito à sua verdadeira filiação, inclusive para efeitos sucessórios.

Justificativa da Alternativa Correta (D – Seus herdeiros):

O gabarito é a letra D porque, em caso de falecimento dos pais, a ação de reconhecimento de filiação pode ser direcionada aos herdeiros do investigado, que passam a ocupar o polo passivo da demanda, conforme previsão jurisprudencial e doutrinária (Maria Berenice Dias, Manual de Direito das Famílias).

Análise das Alternativas Incorretas:

A) Seus ascendentes: Imprópria, pois "ascendentes" são gerações anteriores (pais, avós), mas a lei exige que a ação recaia sobre herdeiros, não outros ascendentes do suposto pai/mãe.

B) Seus avós: Avós são ascendentes, mas não estão obrigatoriamente no polo passivo caso o genitor falecido tenha outros herdeiros mais diretos.

C) Seus antecessores: Termo genérico e inadequado; o correto é "herdeiros".

E) Seus colaterais: Colaterais (irmãos, tios) só poderiam ser chamados se também fossem herdeiros; a legislação não prioriza diretamente a linha colateral.

Pegadinha: A banca pode trocar "herdeiros" por outros termos de parentesco, buscando confundir. Foque no que diz a lei e a jurisprudência.

Conclusão: A alternativa D está correta porque está de acordo com o que prevê a legislação e o entendimento jurisprudencial vigente.

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Gabarito: D

ECA. Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de Justiça.

O Artigo 27 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que o reconhecimento do estado de filiação é um direito personalíssimo, indisponível e imprescritível. Vamos explicar o significado desses termos de acordo com o contexto do artigo:

1. **Direito personalíssimo:** O direito personalíssimo se refere a direitos que são inerentes à pessoa, ligados à sua personalidade e dignidade. Neste caso, o direito ao reconhecimento do estado de filiação está intimamente ligado à identidade e à história da pessoa, sendo fundamental para a formação de sua identidade e autoestima.

2. **Indisponível:** O reconhecimento do estado de filiação não pode ser renunciado ou negociado. Isso significa que nem os pais, nem os filhos, nem qualquer outra pessoa têm o poder de abrir mão desse direito, pois ele é essencial e inalienável para a pessoa.

3. **Imprescritível:** Significa que o direito ao reconhecimento do estado de filiação não está sujeito a prazo ou limite temporal para ser exercido. Mesmo que tenha passado muito tempo desde o nascimento da criança, o direito de buscar o reconhecimento de sua filiação não se extingue pelo tempo decorrido.

A parte final do artigo menciona que esse direito pode ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de Justiça. Isso significa que a criança ou o adolescente que busca o reconhecimento da filiação pode acionar judicialmente os pais ou seus herdeiros para obter o reconhecimento legal da relação de parentesco. Além disso, o segredo de Justiça implica que o processo deve ser tratado com sigilo e confidencialidade para proteger a intimidade das partes envolvidas.

Em resumo, o artigo 27 do ECA reforça a importância do reconhecimento do estado de filiação como um direito fundamental e inalienável das crianças e adolescentes, garantindo que esse direito seja protegido e assegurado, independentemente do tempo decorrido e sem restrições.

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