É inteiramente adequada a articulação entre os tempos e os m...
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós
Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligéncia artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem quea IA reflete, como o de Narciso em seu lago.
Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.
Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.
Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", pregaa autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"
(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)
Gabarito comentado
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Tema central: A questão explora correlação entre tempos e modos verbais em períodos compostos por subordinação, exigido pela norma-padrão da Língua Portuguesa (ver Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo). Essa relação é essencial para garantir coerência e clareza na comunicação de hipóteses, condições e consequências.
Comentário da alternativa correta – C:
"Caso não aprofundemos a vigilância sobre os efeitos nefastos da IA, estaremos submetidos às deformações que provierem de seu uso indiscriminado."
A frase apresenta correlação adequada:
- “Caso não aprofundemos” (presente do subjuntivo) – expressa condição futura e incerta;
- “estaremos submetidos” (futuro do presente do indicativo) – consequência futura;
- “que provierem” (futuro do subjuntivo) – ação futura relacionada.
Análise das alternativas incorretas:
A) O início no presente do indicativo ("são de tal monta") contrasta com "poderia ter sido", que está no futuro do pretérito composto (hipótese passada), quebrando a coerência.
B) Condição com "estivéssemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo, ação hipotética passada) não se alinha logicamente com "nos empenharemos" (futuro do presente do indicativo, certeza futura). Há desalinhamento temporal.
D) A subordinada "se não aprofundarmos" requer futuro nas duas orações; "estaríamos" (futuro do pretérito) indica hipótese passada, destoando da ideia de futuro.
E) "Mesmo que quiséssemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) e "haverão de decorrer" (futuro) não combinam com "já fora" (pretérito mais-que-perfeito), que indica passado distante demais, incoerente na linha dos acontecimentos.
Dica de prova: Atente à correspondência de tempos e modos verbais quando houver condições, hipóteses ou consequências futuras. Valores de certeza (indicativo) não podem ser mesclados desconexo com incerteza/dúvida (subjuntivo) ou hipóteses passadas imprecisas.
Resumo: Para garantir coesão, sempre observe a relação de causa e consequência temporal dentro do período composto. A alternativa C é o padrão exigido em redações formais e provas.
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Comentários
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Como não há comentários, recorri a IA.
A)
- Problema: Há incoerência temporal. O verbo "trouxerem" (futuro do subjuntivo) exige uma consequência também no futuro ou no presente, mas “poderia ter sido” está no pretérito perfeito composto do condicional, o que quebra a coesão temporal.
B)
- Problema: “Estivéssemos” (pretérito imperfeito do subjuntivo) indica uma hipótese passada, mas “nos empenharemos” (futuro do presente) projeta uma ação futura real, criando um choque entre tempos verbais.
C)
- Correta: Uso do futuro do subjuntivo (“aprofundemos”, “provierem”) com o futuro do presente (“estaremos”). A construção é coerente e mantém a concordância temporal.
D)
- Problema: A oração condicional está no futuro do subjuntivo (“aprofundarmos”), mas a principal está no condicional do pretérito (“estaríamos”), e o uso de “houvessem ocorrido” (pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo) reforça o desalinhamento dos tempos.
E)
- Problema: "Quiséssemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) + "haverão de decorrer" (futuro do presente) + "fora" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo) formam um conjunto confuso de tempos verbais misturados, com falta de paralelismo e clareza temporal.
- "Caso não aprofundemos"
- → Verbo no presente do subjuntivo: expressa hipótese futura.
- "estaremos submetidos"
- → Verbo no futuro do presente do indicativo: consequência futura.
- "que provierem"
- → Verbo no futuro do subjuntivo: consequência também futura, subordinada.
✅ A concordância entre os tempos e modos verbais está coerente e gramaticalmente correta.
o comentário do colega está equivocado aprofundemos é presente do subjuntivo, futuro do subjuntivo é aprofundarmos
Procurei a correção pelo Chat
A)
"Os prejuízos morais que trouxerem os recursos da IA são de tal monta que poderia ter sido tarde demais para as providências corretivas."
- Problema: "trouxerem" (futuro do subjuntivo) indica ação futura em relação a "são", mas o trecho "poderia ter sido" está no condicional composto (passado hipotético). Isso cria quebra de relação temporal.
- Inadequada.
B)
"Uma vez que estivéssemos convencidos das possíveis deformações da IA, nos empenharemos em fazer dela um engenho que nos é útil."
- Problema: "estivéssemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) indica uma condição passada/hipotética, mas "nos empenharemos" está no futuro do presente. A concordância lógica seria "nos empenharíamos" ou "estejamos convencidos".
- Inadequada.
C)
"Caso não aprofundemos a vigilância sobre os efeitos nefastos da IA, estaremos submetidos às deformações que provierem de seu uso indiscriminado."
- Análise: "aprofundemos" (presente do subjuntivo) + "estaremos submetidos" (futuro do presente) é uma construção adequada para hipótese futura. "provierem" (futuro do subjuntivo) mantém a coerência.
- Adequada ✅.
D)
"Se não aprofundarmos a vigilância sobre os abusos da IA, estaríamos nos submetendo aos danos que houvessem ocorrido com seu uso cego."
- Problema: "aprofundarmos" (futuro do subjuntivo) indica hipótese futura, mas "estaríamos" (condicional) sugere uma situação passada ou hipotética já definida. Mistura indevida de tempos.
- Inadequada.
E)
"Mesmo que quiséssemos reparar os prejuízos que haverão de decorrer do uso cego da IA, possivelmente já fora tarde demais."
- Problema: "quiséssemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) indica hipótese passada, mas "haverão de decorrer" (futuro do presente) projeta ação futura. Incoerência temporal.
- Inadequada.
✅ Resposta correta: C
#REVISAR
Nem As explicações do chat gpt, nem dos professores do q concurso me ajudam a entender essas questões de correlacionar tempos e modos verbais! Pra mim não faz sentido.
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