Mulher, 74 anos, fibrilação atrial, em uso regular de apixab...

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Q3834088 Medicina
Mulher, 74 anos, fibrilação atrial, em uso regular de apixabana 5 mg 12/12h, última dose há 6 horas. Chega com déficit motor à esquerda iniciado há 1h30. TC sem sangramento.

Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em AVC isquêmico agudo com uso recente de apixabana, a trombólise intravenosa só pode ser considerada se houver teste apropriado de atividade anti-fator Xa normal/baixo, pois o INR não exclui efeito anticoagulante da apixabana; como a paciente tomou a última dose há 6 horas, a alternativa correta é a C.

Tema central: Trombólise em uso de apixabana
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque INR < 1,7 é critério usado para antagonista da vitamina K, não para apixabana. O INR não exclui efeito anticoagulante da apixabana e não libera trombólise nesse contexto.
B
Errada
Está errada porque transforma em absoluta uma contraindicação que é condicionada. O uso recente de DOAC impede trombólise de rotina, mas essa restrição pode ser afastada se houver teste apropriado de atividade anti-Xa normal/baixo, ou se já tiverem se passado mais de 48 horas com função renal normal.
C
Certa
A apixabana é um inibidor direto do fator Xa, e a última dose há 6 horas sugere efeito anticoagulante ainda presente. Nessa situação, a trombólise intravenosa pode ser considerada apenas se um ensaio apropriado e calibrado de atividade anti-fator Xa demonstrar ausência de atividade anticoagulante clinicamente relevante, conforme o ponto de corte adotado. Portanto, a alternativa C reproduz o critério médico correto.
D
Errada
Está errada porque substitui indevidamente a avaliação de reperfusão por antiagregação. A paciente está dentro da janela terapêutica e com TC sem sangramento; antes de iniciar AAS e apenas aguardar, deve-se definir elegibilidade para trombólise e/ou trombectomia.
E
Errada
Está errada porque o uso de apixabana não contraindica trombectomia mecânica. A indicação depende de oclusão de grande vaso e critérios clínico-radiológicos, não do uso isolado de DOAC.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões clássicas: usar INR como se servisse para qualquer anticoagulante oral e tratar a presença de DOAC como contraindicação absoluta à trombólise, ignorando o papel do ensaio apropriado de atividade anti-Xa.
Dica para questões semelhantes
  • Se o anticoagulante for apixabana, rivaroxabana ou outro anti-Xa, não use INR para liberar trombólise; o teste pertinente é atividade anti-fator Xa apropriada.
  • Em AVC isquêmico agudo com uso recente de DOAC, diferencie contraindicação à trombólise intravenosa de contraindicação à trombectomia: não são a mesma coisa.
  • Dentro da janela de reperfusão, AAS não entra como substituto automático antes de excluir trombólise e trombectomia.
  • Valorize o tempo da última dose do DOAC: exposição nas últimas 48 horas mantém a necessidade de teste específico ou outro critério diretriz para afastar efeito anticoagulante relevante.

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