Homem, 68 anos, DAC conhecida, angioplastia há 3 anos, assin...

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Q3834079 Medicina
Homem, 68 anos, DAC conhecida, angioplastia há 3 anos, assintomático, em uso regular de estatina e betabloqueador. Será submetido à colectomia eletiva por neoplasia. Consegue subir dois lances de escada lentamente, mas para por cansaço. ECG sem alterações novas.

Qual a melhor conduta pré-operatória? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Em cirurgia não cardíaca eletiva, paciente com DAC estável, sem sintomas, sem alterações novas no ECG e com capacidade funcional aceitável não tem indicação de exame cardíaco adicional de rotina, porque a investigação só se justifica se puder mudar a conduta perioperatória.

Tema central: Estratificação cardíaca perioperatória
Análise das alternativas
A
Errada
Teste ergométrico não é indicado rotineiramente em coronariopata estável e assintomático no pré-operatório quando não há suspeita de isquemia ativa e o resultado dificilmente mudará a conduta. O erro é tratar DAC prévia como indicação automática de prova funcional.
B
Errada
Cintilografia miocárdica de estresse é exame de estratificação quando existe dúvida clínica relevante com potencial de mudança de manejo. Aqui faltam os elementos que justificariam isso: não há sintomas de isquemia, não há alteração nova no ECG e o enunciado não mostra incapacidade funcional importante. Portanto, pedir cintilografia seria investigação de rotina sem critério clínico suficiente.
C
Errada
Coronariografia invasiva não deve ser usada apenas para 'liberação' pré-operatória de paciente estável. Ela só se justificaria por indicações cardiológicas próprias, como angina, síndrome coronariana aguda, insuficiência cardíaca descompensada ou evidência de isquemia de alto risco, nenhuma das quais aparece no caso. Além disso, é uma conduta potencialmente inadequada por expor a risco sem benefício demonstrado nesse cenário.
D
Errada
Ecocardiograma transtorácico de rotina está errado porque esse exame não é triagem universal no pré-operatório do coronariopata. Sua utilidade depende de suspeita de disfunção ventricular, valvopatia relevante ou mudança clínica recente. O enunciado não traz dispneia de origem cardíaca, sinais de insuficiência cardíaca, sopro ou deterioração clínica que sustentem essa solicitação.
E
Certa
A alternativa E está correta porque a avaliação pré-operatória não serve para rastrear DAC de rotina, e sim para detectar instabilidade clínica ou definir situações em que um teste realmente alteraria o manejo perioperatório. O enunciado descreve DAC estável, ausência de angina ou equivalentes isquêmicos, ECG sem novidades e capacidade funcional ao menos moderada/aceitável. Nesse contexto, exames não invasivos ou invasivos de rotina não acrescentam benefício decisivo e podem apenas atrasar a cirurgia sem mudar a conduta.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre DAC conhecida e necessidade automática de investigação complementar. O detalhe de 'parar por cansaço' tenta induzir leitura de baixa capacidade funcional grave ou equivalente isquêmico, mas o conjunto do caso aponta estabilidade clínica e capacidade funcional aceitável.
Dica para questões semelhantes
  • Na avaliação pré-operatória, primeiro procure doença cardíaca ativa; se ela não estiver presente, nem todo coronariopata precisa de exame adicional.
  • Use a capacidade funcional relatada nas atividades do dia a dia como filtro prático: subir lances de escada sugere capacidade ao menos moderada e reduz a utilidade de teste provocativo em paciente estável.
  • Só peça exame cardíaco pré-operatório se o resultado tiver chance real de mudar a conduta perioperatória.
  • Angioplastia prévia distante, sem sintomas atuais e sem mudanças no ECG, não justifica coronariografia ou teste de isquemia de rotina.

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