O efeito principal da repetição dos versos "tinha uma pedra...

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No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.



Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
O efeito principal da repetição dos versos "tinha uma pedra” e “no meio do caminho" 
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Comentário – Interpretação de Texto e Figuras de Linguagem

Tema central: Esta questão aborda principalmente a interpretação de texto e o reconhecimento do efeito estilístico da repetição (anáfora) e da metáfora em um poema. São pontos essenciais para concursos que cobram atenção tanto à compreensão literal como à simbólica presente em textos literários.

Justificativa da alternativa correta – A: A repetição sistemática dos versos “tinha uma pedra” e “no meio do caminho” constitui uma anáfora, figura de linguagem detalhada por autores como Evanildo Bechara. Esse recurso não tem o objetivo de gerar monotonia, mas sim enfatizar a importância do evento para o eu lírico. Segundo a norma-padrão e manuais como o da Presidência da República, repetições só são usadas em contexto literário quando visam reforçar um ponto marcante. Se atentarmos ao verso “Nunca me esquecerei desse acontecimento”, percebe-se que a experiência foi tão significativa que permanece na memória do poeta. Assim, a pedra adquire caráter simbólico: representa obstáculos ou desafios inesquecíveis da vida, tornando-se um verdadeiro marco existencial.

Análise das alternativas incorretas:

B – Interpretação literal. A questão pede compreensão simbólica: a pedra não é um bloqueio físico, mas um obstáculo figurado, o que descaracteriza a alternativa.

C – Reprodução não intencional do efeito. Apesar de repetição poder sugerir monotonia em outros contextos, aqui o recurso serve para memorializar e potencializar o evento.

D – Falsa ideia de contemplação estética. Não há, no texto, indícios de que a pedra seja admirada pelo eu lírico.

E – Sugestão de confusão proposital no leitor. A repetição não confunde; pelo contrário, reforça a localização e o significado da pedra para o eu lírico.

Dica para concursos: Leitura atenta dos recursos expressivos é fundamental para diferenciar intenções estilísticas (como ênfase ou contraste) de meros efeitos gramaticais. Atente-se sempre ao traço simbólico e à mensagem central!

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Comentários

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a

A alternativa correta é a A.

O poema "No meio do caminho", de Carlos Drummond de Andrade, é um dos marcos do Modernismo brasileiro. A repetição obsessiva de versos não é um mero recurso sonoro, mas possui um peso semântico fundamental:

  • A pedra como símbolo: A "pedra" representa o obstáculo, a interrupção, o problema ou o trauma. Ao repetir esses versos exaustivamente, Drummond mimetiza o processo mental da memória.
  • Fixação na memória: O eu lírico afirma explicitamente: "Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas". A repetição textual serve para materializar essa incapacidade de esquecer. O obstáculo torna-se o centro da existência daquele momento, um marco incontornável que se sobrepõe a qualquer outra experiência.
  • Análise da alternativa A: Ela identifica corretamente que o efeito da repetição é destacar a importância (ainda que seja uma importância pelo incômodo ou pela insistência do pensamento) desse evento para o eu lírico, fixando-o como um marco memorial.
  • B (Obstáculo físico): No contexto drummondiano e modernista, a interpretação literal (uma pedra de fato no asfalto) é insuficiente. A pedra é uma metáfora para os entraves da vida e da própria linguagem.
  • C (Monotonia e tédio): Embora o poema seja repetitivo, o foco não é o tédio do cotidiano, mas a obsessão por um evento específico que não sai da mente.
  • D (Admiração estética): A pedra causa "fadiga" às retinas; ela é um problema, um choque, e não um objeto de beleza contemplativa.
  • E (Confusão no leitor): A repetição, ao contrário de confundir, reforça a localização de forma tão clara que se torna hipnótica.

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