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não lhes sobra tempo para examinar o passado. Em relação à ...

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Q4231729 Português
Atenção: Considere o texto do filósofo latino Sêneca para responder à questão. 


    A vida divide-se em três períodos: o que se foi, o que está sendo e o que há de vir. Desses, o que estamos atravessando é breve, o que havemos de atravessar é duvidoso, o que já atravessamos é certo. É este último de fato aquele sobre o qual a fortuna perdeu seu direito, o qual não pode ser reconduzido ao arbítrio de ninguém. Esse período os ocupados o perdem, pois não lhes sobra tempo para examinar o passado, e, se lhes sobrasse, seria desagradável a recordação de algo que lhes causaria arrependimento. Ninguém voltará de bom grado seu olhar ao passado, exceto quem submete todos os seus atos à própria censura, que nunca se deixa enganar. Quem avidamente muito cobiçou, desprezou com soberba, venceu com insolência, enganou com insídias, roubou por cupidez, prodigamente dissipou, é forçoso que tema a própria memória. Ora, essa é a parte sagrada e intocável de nosso tempo, posta acima de todos os reveses humanos, subtraída ao reino da Fortuna, e que nem a penúria, nem o medo, nem o ataque de doenças podem atingir. Ela não pode ser conturbada nem tirada: a posse dela é perpétua e sem receios. Somente um a um os dias se mostram presentes para nós, e ainda fracionados em momentos. Porém, todos os dias do passado, tão logo ordenares, estarão diante de ti, a teu arbítrio irão deixar-se examinar detidamente; isso os ocupados não têm tempo de fazer. É próprio de uma mente segura e tranquila percorrer todos os períodos de sua vida; as almas dos ocupados, como se estivessem atadas sob o jugo, não podem virar-se e olhar para trás. Portanto, a vida deles desaparece num abismo e, tal como de nada adianta verter líquido até a borda de um recipiente, se embaixo não há fundo que o receba e conserve, assim também não importa quanto tempo nos é concedido, se não há lugar onde ele possa depositar-se, se ele vaza por trincas e perfurações de nossas almas.


(Adaptado de: Sêneca. Sobre a brevidade da vida. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p.21-22)
não lhes sobra tempo para examinar o passado.

Em relação à oração que a antecede, a oração sublinhada expressa ideia de
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: No trecho "não lhes sobra tempo para examinar o passado", o elemento determinante é a construção "para + infinitivo" ligada ao sentido de destinação do tempo; por isso, a oração sublinhada vale por finalidade e conduz ao gabarito E.

Tema central: oração reduzida final
Análise das alternativas
A
Errada
Não há concessão. A oração sublinhada não introduz ideia do tipo "embora", "ainda que" ou "mesmo que", nem estabelece quebra de expectativa em relação à anterior. O valor presente no trecho é final, marcado por "para + infinitivo".
B
Errada
Não há causa. A oração sublinhada não explica por que "não lhes sobra tempo". O trecho não significa que não lhes sobra tempo porque examinam o passado; ao contrário, indica a ação para a qual o tempo serviria. A pergunta adequada é "para quê?", não "por quê?".
C
Errada
Não há consequência. "Examinar o passado" não é efeito do fato de não lhes sobrar tempo. A consequência seria um resultado produzido pela oração anterior, mas aqui o segmento sublinhado indica finalidade, isto é, a destinação do tempo mencionado.
D
Errada
Não há oposição. As duas orações não se contrapõem nem trazem sentido adversativo. A oração sublinhada apenas completa a anterior ao indicar a finalidade ligada ao substantivo "tempo".
E
Certa
A alternativa E está correta porque a oração sublinhada indica o fim a que se destinaria o tempo mencionado na oração anterior. No trecho, "para examinar o passado" funciona como objetivo ou destinação do "tempo": o sentido é o de tempo para essa ação. O critério decisivo é o valor final da oração reduzida de infinitivo introduzida por "para".
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre finalidade, causa e consequência em oração reduzida de infinitivo. O sentido negativo de "não lhes sobra tempo" pode induzir erro, mas a relação semântica do segmento sublinhado continua sendo final: "tempo para quê?".
Dica para questões semelhantes
  • Em estruturas com "para + infinitivo", teste primeiro a pergunta "para quê?"; se ela se ajustar ao trecho, há forte indicação de finalidade.
  • Não transforme a oração no infinitivo em causa sem verificar se ela realmente responde a "por quê?".
  • Diferencie finalidade de consequência: finalidade indica objetivo; consequência indica efeito produzido por um fato anterior.

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Comentários

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Quando a palavra "para" vem antes do verbo (no caso, examinar) ela indica o objeto, o proposito de um ação. O nome formal que a gramatica da para esse objeto e´ FINALIDADE

CAUSA = POR QUÊ?

CONSEQUÊNCIA = POR ISSO?

FINALIDADE = PARA QUÊ?

PARA + VERBO NO INFINITIVO = FINALIDADE

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