Um escrivão de polícia aproximou-se de sua mesa para registr...

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Ano: 2004 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Polícia Federal
Q1196910 Psicologia
Um escrivão de polícia aproximou-se de sua mesa para registrar um depoimento quando sentiu uma leve tonteira — que descreveu como se estivesse aéreo ou fora do corpo —, perdeu a noção do espaço, sentiu forte taquicardia, enjôo. Suas vistas ficaram turvas, as mãos, frias e suadas, e o ar parecia não passar por suas narinas. Teve a impressão de que estava sofrendo um infarto, sentiu muito medo e pensou que pudesse morrer naquele momento. Após três ou quatro minutos, os sintomas cederam, deixando um leve formigamento em torno dos lábios e nos pés. Com o auxílio de um colega, o escrivão foi até um posto médico, mas o cardiologista que o examinou não encontrou nenhuma alteração clínica importante. Apenas considerou que o paciente estava muito cansado e tenso e prescreveu-lhe um ansiolítico. Três dias depois, o paciente sentiu novamente os mesmos sintomas e então procurou um psicólogo. 
Considerando o quadro clínico hipotético acima, julgue o item que se segue.
A formulação de caso do paciente considerado requer a investigação de possível abuso de substâncias psicoativas. O uso de relaxamento autógeno é contra-indicado, pois poderia mascarar os sintomas.
Alternativas

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Alternativa correta: E (Errado)

Tema central da questão: O caso apresentado descreve um quadro típico de crise de ansiedade aguda ou ataque de pânico, uma manifestação clínica bastante comum em contextos de intenso estresse. A questão aborda dois pontos: a necessidade de investigar abuso de substâncias psicoativas e a utilização de técnicas de relaxamento, especificamente o relaxamento autógeno, no manejo desses sintomas.

Resumo teórico:
Os transtornos de ansiedade, em especial o Transtorno do Pânico (CID-10 F41.0; DSM-5 300.01), se caracterizam por episódios súbitos de medo intenso acompanhados de sintomas físicos (taquicardia, sudorese, sensação de morte iminente, entre outros), mas sem causa orgânica comprovada. O diagnóstico é clínico, após exclusão de causas médicas. É recomendada investigação de histórico de uso de substâncias psicoativas, pois algumas drogas podem precipitar sintomas semelhantes.
Já o relaxamento autógeno é uma técnica psicoterapêutica de autorregulação do corpo e da mente, desenvolvida por Schultz, frequentemente utilizada no tratamento de ansiedade, pois auxilia na redução dos sintomas físicos do estresse. O uso dessas técnicas não mascara os sintomas, mas contribui para o manejo saudável da ansiedade.

Fonte: Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5); Organização Mundial da Saúde (CID-10); Kaplan & Sadock, Compêndio de Psiquiatria.

Justificativa da alternativa correta:
A assertiva está ERRADA porque, embora seja realmente importante investigar o possível uso de substâncias psicoativas em quadros de ansiedade aguda (uma etapa fundamental da anamnese em Psicopatologia), o uso de relaxamento autógeno NÃO é contraindicado. Pelo contrário, é altamente recomendado em abordagens psicoterapêuticas para ansiedade, sendo uma das estratégias mais eficazes para reduzir sintomas físicos e promover o autocontrole. O relaxamento não mascara os sintomas, mas ensina o paciente a lidar melhor com eles, favorecendo sua recuperação.

Estratégia para interpretação:
Atenção para expressões absolutas como “contraindicado” e justificativas sem base teórica (“mascarar os sintomas”). Lembre-se de que técnicas de relaxamento são reconhecidas e recomendadas nas diretrizes clínicas para transtornos de ansiedade.
Desconfie sempre de afirmações que excluem completamente uma abordagem consagrada, sem oferecer respaldo teórico ou científico.

Resumo final:
Investigar abuso de substâncias é essencial, mas relaxamento autógeno é indicado e não mascara sintomas, sendo uma estratégia segura e eficaz no tratamento dos transtornos de ansiedade.

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Comentários

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Alternativa: Errado.

Investigação de substâncias psicoativas: É verdade que, diante de sintomas de ansiedade aguda, deve-se investigar o uso de substâncias psicoativas, como cafeína em excesso, álcool, estimulantes ou drogas ilícitas. Elas podem precipitar ou agravar quadros de ansiedade e ataques de pânico. Isso faz parte de uma anamnese cuidadosa.

Uso de relaxamento autógeno: O relaxamento autógeno, que é uma técnica de relaxamento baseada em autoindução de sensações corporais de calma, calor e peso, não é contra-indicado para pacientes com sintomas ansiosos. Pelo contrário, pode ser uma ferramenta terapêutica útil, pois ajuda a reduzir a ativação fisiológica associada ao transtorno de ansiedade, incluindo crises de pânico. Dizer que ele "mascararia sintomas" não se sustenta, porque o objetivo da psicoterapia é justamente modular esses sintomas e dar ao paciente estratégias de enfrentamento.

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