A afirmação de Felipe Elias, no segundo parágrafo, está corr...
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 08.
asdDas musas, entidades mitológicas da Grécia Antiga, dizia-se que eram capazes de inspirar criações artísticas e científicas. Mulheres belas, talentosas e descendentes diretas de Zeus já foram homenageadas por Shakespeare, Dante e Rafael.
asdPois a musa inspiradora de Felipe Alves Elias tinha 15 m de comprimento e 6 m de altura, pesava até sete toneladas e estaria, hoje, com idade bem avançada: 145 milhões de anos. Funcionário do Museu de Zoologia da USP, Felipe leva tatuado no braço um crânio de espinossauro e é um paleoartista. Ele diz: “Faço a representação visual de uma hipótese paleontológica sobre a anatomia, a aparência ou a ecologia das espécies fósseis.” Apesar da explicação complicada, todos já devem ter visto obras de paleoartistas em livros didáticos, exposições ou filmes. O trabalho deles, contudo, não aparece nos Flintstones ou no Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros.
asd“A paleoarte tem como função a divulgação científíca”, diz Ariel Milani, um dos grandes estudiosos da área no Brasil. “No cinema, é entretenimento. Visualmente é lindo, mas tudo ali é uma grande liberdade artística”. Ao dizer isso, ele jura que não é dor de cotovelo. Pioneiro da paleoarte no Brasil, Ariel desenha dinossauros há quase 20 anos e atualmente faz doutorado na Unicamp. Ele afirma: “Meu trabalho tenta formalizar a paleoarte dentro das ciências biológicas. O problema é que as pessoas não entendem o limite entre arte e ciência. Para os cientistas, somos artistas; para os artistas, somos cientistas.”
asdPara estimular o crescimento da área no país, anualmente a Paleo SP – reunião anual da Sociedade Brasileira de Paleontologia – organiza um concurso de paleoarte. O próximo evento está marcado para dezembro e Ariel será o juiz técnico, por isso sugere alguns macetes que podem levar os aspirantes à vitória. “O dinossauro não pode ser magnífico, se estiver andando em cima da grama, está errado. A grama só surgiu depois dos dinossauros. Também não pode colocar um T-Rex ao lado de um dinossauro do período Triássico.”
(Revista da Folha, junho de 2015. Adaptado)
A afirmação de Felipe Elias, no segundo parágrafo, está corretamente reproduzida em:
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Comentário de Gabarito – Interpretação de Texto e Paráfrase
Tema central: A questão explora interpretação de texto e paráfrase, exigindo que o candidato reconheça qual alternativa reproduz fielmente o conteúdo da afirmação original feita por Felipe Elias.
Justificativa da alternativa correta (C):
A alternativa C diz: “Felipe faz a representação gráfica de como os cientistas imaginam que tenham sido os animais.” Tal afirmação é um resumo fiel do que Felipe declara no texto: ele faz “a representação visual de uma hipótese paleontológica sobre a anatomia, a aparência ou a ecologia das espécies fósseis”.
Aqui, “hipótese paleontológica” significa exatamente aquilo que “os cientistas imaginam” com base em evidências. A expressão "representação visual" foi corretamente parafraseada como "representação gráfica". Assim, a alternativa trata a informação original com precisão, sem extrapolar nem omitir dados fundamentais.
Por que as demais alternativas estão incorretas?
- A) Diz que Felipe se inspira nas musas gregas, o que não é verdade para o caso: sua inspiração é científica, não mitológica.
- B) Afirma que ele “baseia-se em criatividade”, ignorando o aspecto essencial da base científica e do rigor técnico, elemento central no texto.
- D) Supõe que Felipe “seleciona criações das musas em obras de pintores e escritores”, conectando indiscriminadamente arte clássica à sua prática, o que não ocorre.
- E) Assume que o paleoartista copia desenhos já feitos por artistas, quando o texto deixa claro que se trata de ilustração fundamentada em hipóteses de especialistas.
Elementos centrais para resolver a questão:
É crucial buscar no texto as palavras-chave (“hipótese paleontológica”, “representação visual”), evitando generalizações ou interpretações livres. Segundo Evanildo Bechara, interpretar é “extrair do texto aquilo que está dito ou logicamente subentendido, sem inventar informações”.
Estratégia para questões desse tipo:
Leia atentamente o trecho citado, procure paráfrases e elimine respostas que ampliam, reduzem ou distorcem o sentido original. Evite armadilhas como aproximações superficiais ou complementos criados pela alternativa.
Resumo: A alternativa C é a correta pois reescreve com fidelidade e precisão a fala de Felipe, como solicita a banca.
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