As fraturas do colo do fêmur (FCF) ocorrem na região intrac...
I. Essas fraturas são classificadas como subcapitais, transcervicais e basicervicais, sendo que esta última se comporta mais como uma fratura intertrocantérica.
II. Essas fraturas, em geral, resultam de lesões de baixa energia na população de idosos; contudo, em indivíduos mais jovens são encontradas em traumas de alta energia.
III. O paciente típico é alguém do sexo feminino que tenha sofrido uma queda e se apresente com dor no quadril, com membro inferior encurtado e em rotação externa.
IV. Em relação ao tratamento cirúrgico, em geral, quanto mais idoso é o paciente, mais se justifica o esforço para manter a cabeça do fêmur.
Mediante a análise dos itens acima, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: Fraturas do colo do fêmur (intracapsulares), sua classificação, apresentação clínica, mecanismo de trauma e princípios de tratamento.
Gabarito: B — Estão corretos os itens I, II e III.
Por que está certo?
I. Classificação anatômica: subcapital, transcervical e basicervical. A basicervical, pela localização mais distal, comporta-se biomecanicamente como fratura intertrocantérica (melhor suprimento sanguíneo e indicação de osteossíntese com DHS ou haste cefalomedular). Referência: Rockwood & Green’s; UpToDate.
II. Mecanismo típico: baixa energia no idoso (queda da própria altura, osteoporose) e alta energia no jovem (acidentes). Diretriz AAOS e UpToDate concordam.
III. Quadro clínico clássico: mulher idosa após queda, com dor no quadril, encurtamento e rotação externa do membro. A rotação externa decorre do desequilíbrio muscular após a fratura. Exames: radiografias AP de bacia e perfil; se suspeita com raio-X normal, RM é o padrão-ouro para fratura oculta.
Por que o item IV está errado?
IV. Afirma que “quanto mais idoso, mais se deve preservar a cabeça femoral”. Incorreto. Em idosos com fraturas desviadas do colo, a conduta preferida é artroplastia (hemi ou total) devido ao alto risco de não consolidação e necrose avascular após osteossíntese. A preservação da cabeça é priorizada em jovens (redução anatômica e fixação precoce). Referências: AAOS CPG Hip Fractures in the Elderly; UpToDate.
Estratégia para a prova
- Associe intracapsular a risco de necrose e decisão entre fixar x substituir.
- Lembre: idoso → baixa energia → artroplastia se desviada; jovem → alta energia → preservar cabeça.
- Basicervical tende a tratar como intertrocantérica (DHS/haste), não como subcapital típica.
Análise das alternativas
A (somente I e II): incorreta, pois o item III também é verdadeiro.
C (somente III e IV): incorreta, pois I e II são verdadeiros e o IV é falso.
D (somente II, III e IV): incorreta, pois o IV é falso e o I é verdadeiro.
Condutas essenciais (resumo)
- Nãodesviada (Garden I–II): idosos e jovens → osteossíntese (parafusos canulados/DHS).
- Desviada (Garden III–IV): jovem → redução urgente e fixação; idoso → hemiartroplastia ou artroplastia total conforme funcionalidade/cognição.
- Basicervical: tratar como intertrocantérica (DHS/haste).
Referências: AAOS Clinical Practice Guideline on Management of Hip Fractures in Older Adults; UpToDate: Femoral neck fractures in adults; Rockwood & Green’s Fractures in Adults.
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