Atente para o fragmento abaixo, de Bortoni-Ricardo (2005):Lí...
Atente para o fragmento abaixo, de Bortoni-Ricardo (2005):
Língua urbana é uma denominação genérica que inclui as diversas modalidades estratificadas da língua, usadas nas zonas urbanas, na fala e na escrita. Tais modalidades, que dependem da classe social, da profissão, da zona de residência e, principalmente, do grau de escolaridade dos indivíduos, vão desde as variedades populares que se aproximam muito dos vernáculos, até a variedade culta, empregada pelas pessoas de nível alto de escolarização e pelos meios de comunicação de massa, que segue aproximadamente os preceitos da gramática normativa.
Na língua urbana, observam-se ainda características regionais, principalmente no léxico, pois os regionalismos lexicais encontrados na fala da população de cada cidade brasileira têm cunho geográfico e não social.
Chamamos de língua oficial a descrita na gramatica normativa. Do fato de se basear em escritores não contemporâneos resulta o seu distanciamento, em muitos pontos, da realidade linguística oral e literária no Brasil. Detentora, porém, do beneplácito do sistema sociopolítico, que a considera correta em detrimento de todas as outras variedades, impõe-se o seu emprego em documentos oficiais e formais, bem como o seu estudo na escola, onde o professor a ensina, embora ele próprio não a use em sua fala coloquial.
(BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemu na escola, e agora? São Paulo: Parábola, 2005)
Com base nos pressupostos defendidos por Bortoni-Ricardo, na obra destacada
(e também por outros autores, como Marcos Bagno, em “Português ou Brasileiro”), é INCORRETO afirmar:
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Gabarito comentado
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Tema central: Variação linguística e preconceito linguístico – conceitos fundamentais da Sociolinguística e amplamente discutidos por Bortoni-Ricardo e Marcos Bagno.
Justificativa da alternativa correta (letra D):
A alternativa D está errada porque, segundo a linguística contemporânea, as variedades populares do português não são estruturalmente deficitárias. Todas as variedades têm plena capacidade de expressar ideias e sentimentos. O preconceito linguístico é de ordem social e política, não linguística. Conforme destaca Marcos Bagno em "Preconceito Linguístico", e Bortoni-Ricardo, tratar as variedades populares como “insuficientes” é um equívoco, por não respeitar a competência linguística natural dos falantes. Assim, o estigma ocorre por valoração social, não por questões de estrutura ou eficácia comunicativa.
Análise das alternativas incorretas:
A) Está correta ao afirmar que a norma-padrão não corresponde exatamente à língua falada. Muitas prescrições da gramática normativa, como uso de mesóclise (dir-lhe-ei), já não fazem parte da fala cotidiana (cf. Celso Cunha & Lindley Cintra).
B) Está correta ao reconhecer que escola e mídia não eliminam a diversidade linguística. A variação se mantém apesar das tentativas padronizadoras, como explicou Bortoni-Ricardo.
C) Também correta: variedades populares preservam traços do português arcaico, algo já bem documentado por estudiosos como Marcos Bagno.
Estratégias para acertar questões desse tipo:
- Atenção a afirmações categóricas ou preconceituosas sobre variedades linguísticas. O erro costuma aparecer quando uma dessas variantes é considerada “deficiente” ou incapaz.
- Entenda o conceito de variação: toda variedade linguística é legítima e estruturada pelas suas próprias regras, conforme a gramática descritiva (Bechara).
Resumo: A alternativa D é INCORRETA porque expressa um conceito ultrapassado, preconceituoso e contrário à ciência linguística. As demais refletem corretamente os princípios da Sociolinguística.
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Comentários
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a) A norma padrão prescrita nas gramaticas normativas não corresponde totalmente à língua falada por nenhum brasileiro.
Então devo considerar isso correto?? em que parte do texto o autor afirma isso??
Acho que o enunciado queria a correta.
Na D fala que é insuficiente a língua falada para se comunicar e isso não é verdade, pela linguagem informal os brasileiros conseguem se comunicar perfeitamente.
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