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Q3918109 Medicina
Mulher de 38 anos, com obesidade centrípeta, hipertensão, diabetes recente, estrias violáceas e fraqueza muscular proximal. Cortisol sérico às 8h: elevado. Cortisol urinário livre de 24h: elevado. Teste de supressão com dexametasona 1 mg: sem supressão. ACTH plasmático: normal-alto. Ressonância de hipófise sem lesões evidentes. Qual é o próximo passo diagnóstico mais adequado?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o algoritmo etiológico da síndrome de Cushing: hipercortisolismo já confirmado + ACTH normal-alto define quadro ACTH-dependente; como a ressonância hipofisária não mostrou lesão evidente, o próximo exame para localizar a fonte e diferenciar origem hipofisária de secreção ectópica é o cateterismo bilateral dos seios petrosos inferiores.

Tema central: Cushing ACTH-dependente
Análise das alternativas
A
Errada
DHEA-S não responde à dúvida central da questão. O problema aqui não é avaliar produção androgênica adrenal, mas localizar a fonte de ACTH em uma síndrome de Cushing já definida como ACTH-dependente. Esse marcador não diferencia adequadamente doença de Cushing hipofisária de secreção ectópica e não substitui exame funcional de localização.
B
Errada
O teste de supressão com dexametasona em alta dose tem papel limitado nesse contexto. Ele pode sugerir doença de Cushing, mas tem desempenho inferior ao cateterismo dos seios petrosos inferiores para definição etiológica quando há ACTH-dependência e RM hipofisária negativa. Portanto, não é o próximo passo mais adequado.
C
Errada
Tomografia de adrenais seria lógica se o ACTH estivesse baixo ou suprimido, indicando síndrome de Cushing ACTH-independente por produção adrenal autônoma de cortisol. Aqui ocorre o oposto: o ACTH está normal-alto, o que direciona a investigação para fonte ACTH-dependente. Pedir imagem adrenal nesse momento desvia do algoritmo correto.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso já saiu da fase de triagem e entrou na fase de localização da fonte de ACTH. Os achados clínicos e laboratoriais sustentam hipercortisolismo endógeno, e o ACTH normal-alto afasta, como hipótese principal, etiologia adrenal autônoma, na qual o ACTH tende a estar suprimido. Como a RM hipofisária negativa não exclui microadenoma corticotrófico, o exame mais acurado nesse cenário é o cateterismo dos seios petrosos inferiores, que compara ACTH central e periférico para confirmar origem hipofisária ou apontar secreção ectópica.
E
Errada
Cetoconazol é medida terapêutica para controle do hipercortisolismo, não exame de localização etiológica. A questão pede o próximo passo diagnóstico, e a base afirma que a definição da fonte de ACTH deve vir antes de tratamento empírico, salvo gravidade clínica não descrita no enunciado.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que RM hipofisária normal exclui doença de Cushing hipofisária e trocar um exame de localização funcional por testes indiretos ou por imagem adrenal, apesar de o ACTH normal-alto já indicar forma ACTH-dependente.
Dica para questões semelhantes
  • Depois de confirmar hipercortisolismo, use o ACTH para separar ACTH-independente de ACTH-dependente.
  • ACTH normal ou alto aponta para investigação da fonte de ACTH, não para imagem adrenal como próximo passo.
  • RM hipofisária negativa não afasta microadenoma corticotrófico; nesse cenário, pense em cateterismo dos seios petrosos inferiores.
  • Teste dinâmico indireto, como dexametasona em alta dose, não substitui método de localização mais acurado quando a RM é negativa.

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