Durante uma operação policial realizada em via pública, poli...

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Q4327747 Direito Administrativo
Durante uma operação policial realizada em via pública, policiais militares efetuaram disparos de arma de fogo contra um indivíduo após acreditarem, por erro de percepção, que ele sacaria uma arma para atacá-los. Posteriormente, verificou-se que a vítima estava desarmada e veio a óbito em decorrência dos disparos. Na esfera criminal, os policiais foram absolvidos em razão do reconhecimento da legítima defesa putativa. O cônjuge da vítima, então, ajuizou ação de indenização por danos morais em face do Estado. À luz da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinale a afirmativa correta.
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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O art. 37, § 6º, da Constituição Federal prevê a responsabilidade objetiva do Estado por danos causados por seus agentes nessa qualidade. Conforme o STJ no REsp 1.266.517/PR, a absolvição dos policiais por legítima defesa putativa não afasta automaticamente essa responsabilidade; por isso, a alternativa D está correta.

Tema central: Responsabilidade estatal e absolvição penal
Análise das alternativas
A
Errada
Exige condenação criminal definitiva como condição para a responsabilidade estatal, requisito inexistente no regime objetivo do art. 37, § 6º, da Constituição Federal. O precedente específico do STJ admite reparação mesmo com a absolvição penal dos policiais.
B
Errada
Atribui à legítima defesa putativa o efeito automático de excluir a responsabilidade civil do Estado. Isso contraria o entendimento do STJ: a não responsabilização penal dos agentes por esse fundamento não elimina, por si só, o dever estatal de reparar os danos civis causados.
C
Errada
Transforma a independência relativa entre as instâncias em impedimento geral à ação indenizatória. O art. 935 do Código Civil estabelece limites à discussão civil sobre existência do fato e autoria já decididas criminalmente, mas não determina que toda absolvição impeça reparação. A absolvição por legítima defesa putativa não obsta o ajuizamento nem o prosseguimento da ação contra o Estado.
D
Certa
A alternativa D está correta porque distingue a não responsabilização penal dos policiais do dever civil de reparação pelo Estado. No REsp 1.266.517/PR, o STJ manteve a responsabilização objetiva estatal em hipótese de morte por disparos policiais, apesar do reconhecimento penal da legítima defesa putativa. O vínculo funcional da conduta, o dano e o nexo causal sustentam a responsabilidade estatal, sem exigir condenação criminal ou prova de culpa dos agentes. A expressão “poderá ser responsabilizado” é decisiva: a absolvição não exclui automaticamente a reparação, mas também não dispensa a verificação dos pressupostos civis.
Pegadinha da questão
Confundir a absolvição penal dos policiais com a exoneração civil automática do Estado. No sentido inverso, a possibilidade de responsabilização estatal também não significa condenação automática.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique o fundamento da absolvição penal: a legítima defesa putativa não impede, por si só, a responsabilização civil estatal.
  • Na responsabilidade objetiva do Estado, verifique atuação do agente nessa qualidade, dano e nexo causal; não exija condenação criminal nem prova de culpa do agente.
  • Não trate as instâncias como absolutamente independentes: o art. 935 do Código Civil prevê efeitos vinculantes quanto à existência do fato e à autoria decididas no juízo criminal.

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1

O STF no julgamento do ARE 1.385.315/RJ TEMA 1237,

fixou entendimento que o Estado tem responsabilidade objetiva na esfera civil por mortes

ou ferimentos em operações de segurança pública.

D está correta. Mesmo que os agentes sejam absolvidos por causa excludente de ilicitude putativa, o Estado pode ser responsabilizado civilmente. Isso se dá pela independência das instâncias e pela natureza objetiva da responsabilidade estatal (art. 37, § 6º, CF), que exige apenas o dano e o nexo causal entre a conduta e o prejuízo, não dependendo de culpa ou dolo do agente.

Como já citado pelo colega: o STJ reitera que, mesmo absolvido o agente por erro de percepção que justificou a conduta no campo penal, o Estado permanece responsável perante a vítima, cabendo indenização pelos danos sofridos.

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