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Q3192331 Medicina
Mulher, 54 anos, previamente hipertensa, é levada à emergência por familiar, com relato de cefaleia, leve confusão mental e vômitos. Ela descreve piora aguda nas últimas horas, acompanhada de náuseas e vômitos. Familiar informa que a paciente não vem tomando suas medicações para pressão na última semana. Seus sinais vitais são: PA 220/130 mmHg, FC 88 bpm, FR 20 mpm, Tax 36,8, SpO2 97% em ar ambiente. Ao exame clínico, paciente com fácies de dor pela cefaleia, papiledema, retinopatia hipertensiva, sem alterações neurológicas focais. Sem alterações relevantes em exames laboratoriais gerais, eletrocardiograma e tomografia de crânio sem contraste. Qual é a próxima conduta mais apropriada?
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Tema central: Emergência hipertensiva com encefalopatia hipertensiva. Quadro típico: PA muito elevada, cefaleia intensa, confusão, náuseas/vômitos, papiledema e retinopatia hipertensiva, sem déficit focal e com TC sem sangramento. Há falha da autorregulação cerebral → hiperperfusão e edema vasogênico.

Alternativa correta: C – Reduzir a PA em 10 a 15% na primeira hora. Em emergência hipertensiva com sintomas neurológicos, a conduta é baixar a PA de modo controlado: reduzir a PAM em ~10–20% na 1ª hora (aceita-se 10–15%), depois mais 5–15% nas 23h seguintes, evitando quedas bruscas que precipitem isquemia cerebral, coronariana ou renal. Preferir anti-hipertensivos EV tituláveis (ex.: nicardipina, clevidipina, labetalol) em ambiente monitorizado (preferência UTI). Diretrizes: ACC/AHA, ESC/ESH, UpToDate, Harrison’s.

Raciocínio diagnóstico: A associação de PA 220/130 + cefaleia/confusão + papiledema/retinopatia + TC sem hemorragia sustenta encefalopatia hipertensiva (frequentemente no espectro da PRES). Ausência de sinais focais e exames gerais sem alterações relevantes reforçam o diagnóstico.

Pegadinhas da prova: Evite queda excessiva da PA inicialmente; não fazer punção lombar com papiledema; corticosteroide não trata encefalopatia hipertensiva; exames avançados não devem atrasar o tratamento.

Por que as demais estão erradas?

A – Iniciar corticosteroides. Corticoides não reduzem a hiperperfusão nem corrigem a fisiopatologia da encefalopatia hipertensiva; podem piorar a PA. Indicados para edema vasogênico por tumores/abscessos ou algumas meningites, o que não é o caso. Diretrizes não recomendam.

B – Realizar punção lombar.papiledema, configurando risco de hernição com PL. Além disso, sem sinais de infecção meningocócica/meningoencefalite e TC sem lesão, a conduta prioritária é controlar a PA.

D – Chamar neurocirurgia. TC sem hemorragia ou lesão expansiva, sem déficit focal; trata-se de condição clínica (médica), não cirúrgica. A prioridade é anti-hipertensivo EV e monitorização.

E – Ressonância magnética de crânio. A RM pode evidenciar PRES, mas não é a próxima etapa. Não deve atrasar o início da terapia anti-hipertensiva. Considera-se após estabilização se houver dúvida diagnóstica.

Conduta prática (resumo): Iniciar anti-hipertensivo EV titulável (ex.: nicardipina 5 mg/h, ajustar; ou labetalol bolus/infusão), monitorar em UTI, reduzir PA 10–15% na 1ª hora, evitar nifedipina SL e quedas abruptas.

Referências: ACC/AHA 2017/2022; ESC/ESH 2018; UpToDate (Hypertensive emergencies); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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