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Q3917904 Nutrição
A prática do nutricionista em oncologia demanda domínio da fisiopatologia tumoral, das respostas metabólicas sistêmicas induzidas pelo câncer e pelos tratamentos antineoplásicos, bem como da aplicação criteriosa da terapia nutricional com base em evidências científicas. Analise a situação clínica a seguir: paciente do sexo feminino, 58 anos, diagnóstico de câncer de pulmão de células não pequenas, em quimioterapia associada à radioterapia. Apresenta perda ponderal de 15% em 6 meses, IMC de 18,4 kg/m², sarcopenia, PCR elevada, hipoalbuminemia, disfagia leve e ingestão alimentar inferior a 50% das necessidades estimadas nas últimas duas semanas. Função gastrointestinal preservada.
No âmbito da abordagem nutricional e dietoterapia oncológica, sob análise desse estudo de caso, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto decisivo foi a função gastrointestinal preservada no contexto de ingestão oral insuficiente, o que afasta a ideia de que a inflamação sistêmica exija nutrição parenteral.

Tema central: Via da terapia nutricional
Análise das alternativas
A
Errada
Não é a incorreta porque confronta corretamente os achados do caso com o conceito de caquexia neoplásica: perda ponderal importante, sarcopenia e inflamação sistêmica são compatíveis com esse quadro. Além disso, a hipoalbuminemia, nesse contexto, relaciona-se mais à resposta inflamatória do que à ingestão proteica isolada.
B
Errada
Não é a incorreta porque a faixa proposta de 25–30 kcal/kg/dia e 1,2–2,0 g de proteína/kg/dia está de acordo com faixas usuais aceitas para pacientes oncológicos, com ajuste conforme a condição clínica.
C
Errada
Não é a incorreta porque aplica corretamente o escalonamento da terapia nutricional: ingestão oral persistentemente insuficiente, somada ao trato gastrointestinal funcionante, sustenta considerar terapia enteral precoce para prevenir progressão da desnutrição.
D
Errada
Não é a incorreta porque descreve um objetivo terapêutico realista em oncologia: a intervenção nutricional contínua e monitorada pode trazer benefício clínico e funcional mesmo quando a reversão completa da caquexia não é possível.
E
Certa
A alternativa E é a incorreta porque afirma uma contraindicação que a base não sustenta: inflamação sistêmica e PCR elevada, por si só, não contraindicam terapia nutricional enteral. O critério técnico aplicável ao caso é a escolha da via conforme funcionalidade do trato gastrointestinal. Como o enunciado informa função gastrointestinal preservada e ingestão oral insuficiente, a via enteral é preferencial, e a nutrição parenteral fica reservada para impossibilidade ou insuficiência da via oral-enteral.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tratar PCR elevada e inflamação sistêmica como contraindicação formal à terapia enteral e, por isso, inverter a preferência da via para parenteral.
Dica para questões semelhantes
  • Se o trato gastrointestinal está funcionante, a via enteral deve ser preferida quando a via oral não cobre as necessidades.
  • Inflamação sistêmica isoladamente não contraindica terapia nutricional enteral.
  • Em caquexia oncológica, hipoalbuminemia não deve ser interpretada automaticamente como deficiência proteica isolada.
  • Na oncologia, o benefício da terapia nutricional é avaliado também por manutenção funcional, composição corporal e suporte ao tratamento, não apenas por reversão completa da caquexia.

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