Leia o seguinte fragmento. “Na terça-feira, por volta das 1...
“Na terça-feira, por volta das 14:30h, um aluno de minha turma levantou a mão e perguntou:
— Como se faz para contar uma história? O professor Leonardo não esperava por isso.
— Que história? Disse ele.
— Não sei: uma história qualquer...
— Bom, justamente, é preciso saber, porque não contamos todas as histórias do mesmo modo. Para começar, veja só: a primeira ideia que surge na cabeça pode referir-se a uma situação ou a um personagem. A história se desenvolverá diferentemente segundo o caso. De fato, na maioria das vezes, encontramos os dois ao mesmo tempo, porque é raro que um vá sem o outro. Em seguida, é preciso dar um nome aos personagens.
[....] O professor Leonardo continuou algum tempo no mesmo tom, esquivando-se de várias respostas, que ele não conhecia.”
Sobre a estruturação e a composição desse pequeno fragmento narrativo, assinale a afirmativa correta.
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Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de texto e análise de recursos linguísticos discursivos, com foco em conceitos de redundância intencional e estratégias discursivas de comunicação.
Alternativa correta: C
Ao analisar o segmento destacado: “De fato, na maioria das vezes, encontramos os dois ao mesmo tempo, porque é raro que um vá sem o outro.”, observe como o professor repete a ideia de inseparabilidade entre situação e personagem. Essa redundância não apresenta nova informação, mas reforça o que já foi dito, funcionando como uma estratégia discursiva — muito usada por quem está incerto sobre como responder ou deseja ganhar tempo para organizar a resposta. Em concursos, é essencial captar esse uso intencional da linguagem em situações de comunicação oral espontânea, tema regulamente explorado em provas de alto nível.
De acordo com Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, 2015), redundância pode ser um recurso estilístico e discursivo, não apenas um vício de expressão.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta. Os diálogos dão sequência à narrativa e contribuem para o desenvolvimento do episódio; não há interrupção na cronologia.
B) Incorreta. Ao dizer “Que história?”, o professor busca que o aluno especifique a pergunta, não necessariamente revela incompreensão, mas sim, solicita detalhamento do interlocutor.
D) Incorreta. O trecho “não contamos todas as histórias do mesmo modo” indica a pluralidade de técnicas narrativas – não é comprovação explícita de desconhecimento do professor, mas sim abertura à diversidade textual.
E) Incorreta. Colchetes com reticências ([...]) indicam omissão de parte do texto citada, não vacilação na fala. Segundo gramáticas normativas (Cunha & Cintra, Bechara), tal sinal evidencia supressão e nunca hesitação discursiva.
Dica de concurso: Fique atento a pegadinhas semânticas (como confundir vacilação com omissão textual) e identifique estratégias discursivas no texto (como redundância ou explicações circulares em respostas improvisadas).
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Comentários
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“De fato, na maioria das vezes, encontramos os dois ao mesmo tempo, porque é raro que um vá sem o outro.”
alguém sabe explicar pq a B está errada?
Explicação da letra B: Não é que o professor não tenha entendido a pergunta, é que ele fez uma pergunta quase retórica no sentido de saber se havia uma história já em vista pelo aluno quando este perguntou.
Vejamos outro exemplo:
-Professor, como conto uma piada?
-que piada?
Foi assim que raciocinei, espero ter ajudado.
Qual seria o erro da letra A?
Redundância: insistência desnecessária nas mesmas palavras; excesso de palavras, expressões; prolixidade, abundância.
“De fato, na maioria das vezes, encontramos os dois ao mesmo tempo, porque é raro que um vá sem o outro.”
A frase em questão demonstra explicação desnecessária já explícita no início da frase, pois se na maioria das vezes encontramos os dois ao mesmo tempo, é certo que é raro que um vá sem o outro.
Mas o ponto da questão (na minha opinião), encontra-se na última frase ao final do texto, em que é possível entender que o professor se excedeu nas explicações, esquivando-se da pergunta do aluno por não saber responder "como se faz para contar uma história": [....] O professor Leonardo continuou algum tempo no mesmo tom, esquivando-se de várias respostas, que ele não conhecia.”
Bons estudos e boa sorte!
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