A partir do trecho “Então, decidiu separar a noite do dia, ...

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Q1121205 Português

Como surgiu a noite

No começo do mundo só havia o dia. A noite estava adormecida nas profundezas do rio com Boiúna, cobra grande que era senhora do rio. A filha de Boiúna, uma bela, tinha se casado com um rapaz de um vilarejo nas margens do rio. Seu marido, um jovem muito bonito, não entendia porque ela não queria dormir com ele. A filha de Boiúna respondia sempre:

– É porque ainda não é noite.

– Mas não existe noite. Somente dia! – ele respondia. Até que um dia a moça disse-lhe para buscar a noite na casa de sua mãe Boiúna. Então, o jovem esposo mandou seus três fiéis amigos ir pegar a noite nas profundezas do rio. Boiúna entregou-lhes a noite dentro de um caroço de tucumã*, como se fosse um presente para sua filha.

Os três amigos estavam carregando a tucumã quando começaram a ouvir barulho de sapinhos e grilos que cantam à noite. Curiosos, resolveram abrir a tucumã para ver que barulho era aquele. Ao abri-la, a noite soltou-se e tomou conta de tudo. De repente, escureceu.

A moça, em sua casa, percebeu o que os três amigos fizeram. Então, decidiu separar a noite do dia, para que esses não se misturassem. Pegou dois fios. Enrolou o primeiro, pintou-o de branco e disse:

– Tu serás cujubin, e cantarás sempre que a manhã vier raiando. Dizendo isso, soltou o fio, que se transformou em pássaro e saiu voando. Depois, pegou o outro foi, enrolou-o, jogou as cinzas da fogueira nele e disse:

– Tu serás coruja, e cantarás sempre que a noite chegar. Dizendo isso, soltou-o, e o pássaro saiu voando.

Então, todos os pássaros cantaram a seu tempo e o dia passou a ter dois períodos: manhã e noite. 

<http://www.portalsaofrancisco.com.br/folclore/como-surgiunoite>.Acesso 20 dez 2017.

(*) Tucumã: s.m. palmeira frutífera dos sertões de cujo fruto se faz vinho.

A partir do trecho “Então, decidiu separar a noite do dia, para que esses não se misturassem.” (6º parágrafo), a narrativa é contada apresentando ora elementos que representam o dia, período da manhã, ora os que representam a noite.

Estabeleça a correta correspondência dos elementos do texto registrados na coluna II com a coluna I onde se registraram os dois períodos do dia criados pela jovem moça.

Coluna I

(1) Manhã

(2) Noite

Coluna II

( ) “[...] jogou as cinzas da fogueira nele [...]”;

( ) “Enrolou o primeiro, pintou-o de branco [...]”;

( ) “Tu serás coruja [...]”;

( ) “Tu serás cujubin [...]”.

A sequência correta, de cima para baixo, é:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito Comentado:

Tema central: A questão aborda interpretação de texto, exigindo que o candidato identifique, a partir de elementos do texto, qual corresponde ao período “manhã” e qual corresponde ao período “noite”. Aplica-se aqui a noção de semântica e coerência textual, fundamentos essenciais para leitura e compreensão em concursos (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa).

Justificativa da alternativa correta (E: 2, 1, 2, 1):

1) “[...] jogou as cinzas da fogueira nele [...]” → Noite (2):
As cinzas e o ato de jogar as cinzas da fogueira são fortemente ligados ao período noturno, pois fogueiras remetem à noite, ao escuro, ao fim de ciclo diário.

2) “Enrolou o primeiro, pintou-o de branco [...]” → Manhã (1):
A cor branca representa a luz do dia e o amanhecer. Ligação semântica direta, destacando o começo da manhã.

3) “Tu serás coruja [...]” → Noite (2):
A coruja é conhecida como animal noturno, o que faz com que a resposta esteja associada ao período da noite.

4) “Tu serás cujubin [...]” → Manhã (1):
O cujubin (pássaro) canta ao amanhecer, indicando o início do dia.

Estratégia para a resolução: Preste sempre atenção à associação semântica de elementos do texto (ex: cor, animais, objetos) e ao conhecimento prévio do que simbolizam. Ler cuidadosamente evita confusões com pegadinhas comuns, como inverter a ordem ou associar símbolos ao período errado.

Análise das alternativas incorretas:

A) 2, 2, 1, 1 / B) 1, 1, 2, 2 / C) 1, 2, 1, 2 / D) 1, 2, 2, 1 – Todas trocam pelo menos uma correspondência sem fundamentação textual, mostrando erro de leitura ou desconhecimento simbólico.

Conclusão: Questão típica de interpretação aplicada, exigindo atenção ao significado das palavras no contexto. Como destaca Celso Cunha & Lindley Cintra, interpretar é entender o texto de forma lógica e coerente com seus elementos internos.

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