Uma menina de 7 anos de idade, previamente hígida, vem à con...
Uma menina de 7 anos de idade, previamente hígida, vem à consulta com queixa de cefaleia e indisposição há uma semana Há dois dias apresenta edema palpebral leve e hoje amanheceu com urina avermelhada. Nega febre. Ao exame físico, apresenta regular estado geral, descorada leve, hidratada, com edema palpebral bilateral moderado, anictérica, acianótica. Pressão arterial elevada. Cardiopulmonar normal. Abdome plano, flácido, com fígado palpável a 1cm do RCD, baço não percutível. Perfusão periférica 2 seg. A pele dos membros inferiores e superiores está com lesões cicatriciais e crostosas por provável estrófulo infectado. Peso 900 g acima do peso seco. Qual exame deve ser realizado para confirmação diagnóstica nesse caso?
Gabarito comentado
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Tema central: O caso clínico retrata uma Glomerulonefrite Difusa Aguda pós-estreptocócica (GNDA), que é a nefropatia mais comum da infância, tipicamente após infecção estreptocócica da pele ou orofaringe.
Justificativa da alternativa correta – E) Dosagem de complemento:
A GNDA caracteriza-se clinicamente por hematúria macroscópica (urina avermelhada), edema palpebral/periférico, hipertensão arterial e, frequentemente, episódio infeccioso prévio (estreptocócico). A redução do complemento, sobretudo C3, é consequência da ativação da via clássica, refletindo o consumo promovido pelos complexos imunes formados. Segundo o Protocolo de Encaminhamento de Especialidades – Nefrologia Pediátrica: “Exames complementares necessários – Urina I, complemento sérico, ureia e creatinina.”
Assim, a dosagem de complemento (principalmente C3) é essencial para confirmar o diagnóstico, diferenciar de outras causas de hematúria e fortalecer a suspeita de GNDA.
Análise das alternativas incorretas:
A) Dosagem de imunoglobulinas totais
Não é útil na investigação inicial de GNDA. Imunoglobulinas podem até estar elevadas, mas não confirmam ou excluem o diagnóstico.
B) Biópsia renal
Indicada apenas em casos atípicos, evolução desfavorável ou ausência de recuperação laboratorial após 8 semanas. Não é necessária para a confirmação diagnóstica habitual.
C) Ecocardiograma
Avalia alterações cardíacas, não o quadro renal. Não faz parte da rotina investigativa inicial da síndrome nefrítica aguda.
D) Ultrassonografia de rins e vias urinárias
Embora útil para investigar anomalias renais/funsionais, não confirma GNDA nem avalia o consumo de complemento.
Dica de prova: A síndrome nefrítica clássica em crianças após infecção estreptocócica sugere fortemente GNDA. Palavras-chave como “hematúria macroscópica, edema, hipertensão e história de infecção” direcionam para o diagnóstico. Em provas, atente para exames que confirmam etiologia, não apenas gravidade.
Referência: Manual Nelson Tratado de Pediatria, 21ª ed.; Protocolo MS; UpToDate.
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