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Q3833585 Medicina
Um paciente de 45 anos, sexo masculino, recebeu alta por cura de hanseníase multibacilar (MB) há quatro anos. Atualmente, retorna à Unidade Básica de Saúde queixando-se de sensação de queimação e formigamento persistente em ambas as mãos e pés, com piora noturna, que tem impactado seu sono e qualidade de vida. Ao exame físico e realização da Avaliação Neurológica Simplificada (ANS), nota-se que não houve alteração nos limiares de sensibilidade (testados com monofilamentos de estesiômetro) nem na força muscular em relação ao exame da alta. Os nervos periféricos não apresentam dor à palpação ou espessamentos novos.
Diante deste quadro clínico e das diretrizes do PCDT, qual é a conduta e o diagnóstico mais prováveis?  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Pelo PCDT da Hanseníase 2022, dor neuropática crônica pós-hanseníase se manifesta com queimação e formigamento em mãos e pés, anos após a PQT, sem inflamação dos nervos periféricos e sem dano funcional novo. No caso, há alta por cura há 4 anos, ANS sem piora de sensibilidade ou força e sem dor/novo espessamento neural, o que afasta neurite ativa e direciona a conduta para o PCDT de Dor Crônica.

Tema central: Dor neuropática pós-hanseníase
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque neurite aguda exige evidência de inflamação neural ativa e/ou piora neurológica objetiva com risco de dano funcional. O caso mostra o oposto: sem piora de sensibilidade, sem perda de força, sem dor à palpação neural e sem novo espessamento. Prednisona 1 mg/kg/dia, nesse cenário, contraria a indicação protocolar da corticoterapia e expõe a tratamento sem base clínica de neurite ativa.
B
Errada
Está errada porque neurite silenciosa não é apenas neurite sem dor; pelo PCDT, ela requer inflamação insidiosa com piora neurológica objetiva detectável na ANS, como alteração nova de sensibilidade e/ou força. No enunciado, não houve mudança em relação ao exame da alta. Além disso, a afirmação de que a ausência de dor impossibilita corticoide é tecnicamente falsa; o ponto decisivo não é a ausência de dor, e sim a ausência de evidência de neurite.
C
Certa
A alternativa C coincide com o critério do PCDT da Hanseníase, seção 6.6.3: queimação e formigamento persistentes em mãos e pés, anos após a alta por cura, sem sinais de inflamação dos nervos periféricos e sem dano funcional novo na ANS, configuram dor neuropática crônica pós-hanseníase. Nessa situação, a conduta indicada não é corticoterapia para neurite, mas seguimento terapêutico conforme o PCDT de Dor Crônica.
D
Errada
Está errada porque recidiva não é sustentada por parestesias e queimação isoladas em paciente pós-cura, sem novos achados cutâneos, sem piora neurológica objetiva e sem outros elementos de atividade da hanseníase. Reiniciar PQT-U por 12 meses com base apenas nesses sintomas não tem suporte clínico na base apresentada.
E
Errada
Está errada por dois motivos médicos: o caso não descreve quadro reacional tipo 1, que é inflamatório, e a talidomida não é o tratamento da reação tipo 1. A alternativa mistura diagnóstico reacional inadequado com indicação farmacológica incorreta, além de não explicar os sintomas por um processo inflamatório neural ativo, ausente no enunciado.
Pegadinha da questão
A banca usa sintomas que podem lembrar neurite, mas o dado que decide é a ausência de piora objetiva na ANS e de sinais de inflamação neural, somada ao intervalo de 4 anos pós-cura, que favorece dor neuropática crônica.
Dica para questões semelhantes
  • Em hanseníase, diferencie sintoma neuropático positivo de neurite ativa: queimação e formigamento isolados não bastam para indicar corticoide.
  • Se a ANS não mostra piora de sensibilidade ou força, pense contra neurite silenciosa e contra neurite aguda.
  • Valorize a temporalidade: sintomas surgindo 3 a 5 anos após a PQT favorecem dor neuropática crônica pós-hanseníase.
  • Quando o PCDT descreve ausência de inflamação neural ativa e de dano funcional novo, a condução deve migrar para o PCDT de Dor Crônica.

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