Mulher de 69 anos, com diabetes mellitus de longa data, sem...

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Q4192335 Medicina
Mulher de 69 anos, com diabetes mellitus de longa data, sem acompanhamento com endocrinologista, levada por familiar ao pronto-socorro por queda do estado geral, febre e confusão mental. Exame clínico: frequência cardíaca 122 bpm; PA 90 x 64 mmHg; confusa e desorientada; sudoreica; glicemia 640; Temperatura: 38.4 ºC; pulsos femorais, poplíteos, tibiais posteriores e pediosos presentes.
Ferida na região do calcanhar direito, com necrose úmida e saída de secreção de odor fétido. Hiperemia e edema em todo o pé e terço distal da perna, com crepitação à palpação. Iniciada antibioticoterapia de amplo espectro.
Qual conduta deverá ser tomada na sequência?
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pé diabético com infecção necrosante grave e sepse exige controle cirúrgico imediato do foco. Neste caso, a necrose úmida, o odor fétido, a crepitação, o acometimento extenso do pé e do terço distal da perna, associados à instabilidade sistêmica, indicam que curativos ou desbridamento isolado são insuficientes; como há pulsos femorais, poplíteos, tibiais posteriores e pediosos presentes, a perfusão distal está preservada, favorecendo amputação transtibial em vez de transfemoral.

Tema central: Amputação no pé diabético infectado
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a gravidade infecciosa indica necessidade de amputação, mas não justifica automaticamente nível transfemoral. O enunciado informa pulsos distais presentes, o que indica perfusão preservada e permite escolher um nível mais distal. Sem evidência de isquemia proximal ou de inviabilidade tecidual acima da perna distal, a amputação transfemoral seria mais proximal do que o necessário.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro descrito é de infecção profunda/necrosante do pé diabético com repercussão sistêmica séptica, situação em que antibiótico isolado não basta e o foco infeccioso precisa ser removido de forma imediata. O membro distal está amplamente comprometido como unidade funcional, o que indica amputação higiênica. Entre os níveis possíveis, a presença de pulsos femorais, poplíteos, tibiais posteriores e pediosos afasta isquemia arterial proximal como limitante principal e sustenta que o nível transtibial é suficiente para controle do foco com melhor preservação funcional do que a amputação transfemoral.
C
Errada
Está errada porque curativo com papaína é medida local e não controla infecção necrosante extensa com sepse, necrose úmida, secreção fétida e crepitação. Nesse cenário, insistir em tratamento tópico retarda o controle do foco séptico, que depende de cirurgia imediata.
D
Errada
Está errada porque desbridamento isolado é inadequado diante da extensão anatômica e da gravidade sistêmica descritas. O enunciado não traz apenas uma ferida localizada: há comprometimento de todo o pé e do terço distal da perna, com gás em tecidos sugerido pela crepitação e instabilidade séptica. Nessa situação, desbridamento local não oferece controle rápido e confiável do foco.
E
Errada
Está errada porque curativo tópico com iodopovidona e antibiótico não removem o tecido necrótico e infectado nem interrompem prontamente a sepse em infecção necrosante. A conduta é tecnicamente inadequada nesse contexto porque mantém um foco séptico extenso sem controle cirúrgico.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que pulsos distais presentes excluem amputação e achar que toda infecção de pé diabético pode ser tratada com desbridamento ou curativos. Aqui, os pulsos servem para definir o nível da amputação, não para indicar salvamento do pé.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver necrose úmida, odor fétido, crepitação e sinais sistêmicos de sepse, pense primeiro em controle cirúrgico urgente do foco, não em tratamento local conservador.
  • Na escolha do nível de amputação, separe o problema infeccioso do problema arterial: pulsos presentes não impedem amputação, apenas favorecem nível mais distal.
  • Em pé diabético infectado, desbridamento só compete com amputação quando a extensão anatômica e a repercussão sistêmica ainda permitem controle local efetivo.

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