Paciente de 46 anos, previamente saudável, apresenta tosse p...

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Q3833833 Medicina
Paciente de 46 anos, previamente saudável, apresenta tosse produtiva há 3 meses, emagrecimento e hemoptise intermitente. A TC de tórax revela cavitação espessa em segmento apical do lobo superior direito, associada a bronquiectasias adjacentes. O teste rápido molecular (TRM/PCR) detecta Mycobacterium tuberculosis com resistência à rifampicina. A cultura posterior confirma o achado e mostra sensibilidade à isoniazida e fluoroquinolonas. Após 6 semanas de terapia adequada para TB resistente à rifampicina, o paciente mantém tosse intensa, escarro purulento e hemoptise, sem redução significativa da carga bacilar.
Em relação ao manejo adequado desse caso, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A base decisória indica que, na TB resistente à rifampicina, a ressecção pulmonar parcial/anatômica pode ser usada como adjuvante ao regime medicamentoso quando há doença localizada e lesão cavitária destrutiva persistente; no caso, a cavitação espessa apical com bronquiectasias adjacentes, hemoptise e escarro purulento mantidos após 6 semanas de tratamento adequado sustentam a alternativa E.

Tema central: Cirurgia adjuvante na TB resistente à rifampicina
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque hemoptise persistente não contraindica automaticamente a cirurgia; em TB cavitária localizada, pode inclusive reforçar a indicação de ressecção adjuvante. Também é incorreto exigir negativação completa da cultura e resolução radiológica da cavidade antes de qualquer intervenção, pois a ressecção pode ser considerada durante o tratamento em casos selecionados.
B
Errada
Está errada porque a resistência à rifampicina orienta esquema específico, mas não exclui a possibilidade de adjuvância cirúrgica. A alternativa erra ao afirmar que o manejo seria automaticamente apenas medicamentoso e sem considerar ressecção pulmonar em doença localizada persistente.
C
Errada
Está errada porque a persistência de sintomas após 6 semanas não define, por si só, falha definitiva do tratamento. Também não há base para obrigar a substituição por regime de TB extensivamente resistente, já que o enunciado informa sensibilidade às fluoroquinolonas e não descreve perfil adicional de resistência que permita essa reclassificação.
D
Errada
Está errada porque cavitação espessa e bronquiectasias adjacentes não contraindicam ressecção; ao contrário, podem representar doença pulmonar destrutiva localizada, justamente um contexto em que a cirurgia adjuvante pode ser considerada. A ideia de dissemitação como proibição automática não é sustentada pela base.
E
Certa
A alternativa E está correta porque reconhece o papel da cirurgia como adjuvante ao tratamento medicamentoso na tuberculose resistente à rifampicina, em cenário selecionado de doença localizada com cavitação persistente, bronquiectasias destrutivas e sintomas refratários. Esse entendimento é compatível com as diretrizes da OMS e com o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. No caso descrito, a lesão apical cavitária com bronquiectasias adjacentes e a persistência de hemoptise, tosse intensa e escarro purulento indicam foco anatômico destrutivo que pode ser abordado por ressecção pulmonar anatômica, como segmentectomia ou lobectomia, quando tecnicamente factível.
Pegadinha da questão
A banca tentou induzir a ideia de que hemoptise, cavitação e doença ativa seriam contraindicações absolutas à cirurgia, além de confundir persistência sintomática precoce com falha definitiva ou com necessidade automática de outro regime de maior resistência.
Dica para questões semelhantes
  • Em RR-TB, não trate cirurgia como oposta ao esquema medicamentoso: ela pode ser adjuvante em casos selecionados.
  • Doença localizada com cavidade persistente, bronquiectasias destrutivas, hemoptise ou manutenção de baciloscopia/carga bacilar deve fazer lembrar ressecção anatômica possível.
  • Não reclassifique como XDR nem declare falha definitiva apenas por sintomas persistentes nas primeiras semanas; isso depende de avaliação evolutiva e do padrão de sensibilidade.

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