Um paciente de 40 anos, submetido à cirurgia ortopédica no m...

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Q3833505 Medicina
Um paciente de 40 anos, submetido à cirurgia ortopédica no membro inferior, está sob anestesia geral e o cirurgião mantém o torniquete pneumático inflado por 90 minutos para hemostasia. Após a desinsuflação do torniquete, o anestesista observa uma queda súbita da pressão arterial (PAM) acidose metabólica e um pico na concentração de CO2 exalado (EtCO2).  
Qual o principal evento fisiológico sistêmico que ocorre imediatamente após a desinsuflação do torniquete e qual a principal complicação neurológica associada ao seu uso prolongado?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O achado decisivo é o padrão imediato após a desinsuflação do torniquete: reperfusão de membro isquêmico com liberação sistêmica de metabólitos acumulados, o que sustenta a alternativa A. A principal complicação neurológica do uso prolongado é lesão nervosa periférica por compressão no sítio do torniquete.

Tema central: Reperfusão pós-torniquete
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A corresponde ao efeito sistêmico clássico da liberação do torniquete: washout de sangue isquêmico e hipóxico com metabólitos acidóticos, incluindo CO2 e potássio, levando a hipotensão transitória, acidose metabólica, elevação do EtCO2 e possibilidade de hipercalemia. No componente neurológico, ela também acerta a complicação mais associada ao uso prolongado do torniquete, que é neuropraxia ou lesão nervosa periférica por pressão direta no local de aplicação.
B
Errada
O mecanismo hemodinâmico está errado: a hipotensão após desinsuflação não é primariamente por hipovolemia relativa, mas por reperfusão com retorno sistêmico de metabólitos vasodilatadores e acidóticos do membro isquêmico. Bradicardia não é o achado principal esperado nesse contexto. Além disso, embolia gordurosa pode ser lembrada por se tratar de cirurgia ortopédica, mas não é a principal complicação neurológica típica do torniquete.
C
Errada
A resposta pressórica esperada após a liberação do torniquete é queda transitória da pressão arterial, não aumento súbito. O enunciado inclusive já fornece esse dado. Rabdomiólise e falência renal pertencem a outro eixo de complicações e não respondem ao que foi pedido como principal complicação neurológica do uso prolongado do torniquete.
D
Errada
A fisiopatologia está invertida: após a desinsuflação ocorre aumento transitório do EtCO2 e acidose, não hipertensão com alcalose respiratória. Dor do torniquete é fenômeno clínico relacionado à insuflação, especialmente em outros contextos anestésicos, mas não equivale à principal lesão neurológica por uso prolongado do manguito.
E
Errada
Contraria diretamente o quadro descrito: a desinsuflação eleva, e não reduz, o CO2 expirado. Queda de temperatura central não é o evento sistêmico principal cobrado aqui. Neuropatia do plexo braquial também é incompatível com o cenário, porque o torniquete foi aplicado em membro inferior e a lesão neurológica típica é local, por compressão de nervo periférico sob o manguito.
Pegadinha da questão
A banca mistura o contexto de cirurgia ortopédica com achados clássicos de reperfusão pós-torniquete para induzir confusão com embolia gordurosa; o dado que resolve a questão é a tríade pós-desinsuflação: hipotensão, acidose metabólica e aumento do EtCO2.
Dica para questões semelhantes
  • Se a desinsuflação do torniquete vier seguida de hipotensão, acidose e aumento do EtCO2, pense em washout de lactato, CO2 e potássio do membro isquêmico.
  • Em questões sobre torniquete, diferencie complicação sistêmica imediata da desinsuflação de complicação local do manguito; a neurológica típica é compressão nervosa local.
  • Não troque o mecanismo de reperfusão por hipovolemia, alcalose respiratória ou embolia gordurosa quando o enunciado já mostrar padrão clássico de retorno de metabólitos.

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