A monitorização da função cerebral é essencial em anestesia....

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Q3833491 Medicina
A monitorização da função cerebral é essencial em anestesia. O EEG reflete o metabolismo cerebral e é sensível a alterações no fluxo sanguíneo e na concentração de anestésicos. Monitores derivados (como BIS e Entropia) transformam essa informação complexa em um formato clinicamente útil. 
Qual é a principal alteração eletroencefalográfica que indica isquemia cerebral (hipoperfusão) e qual a razão pela qual os monitores processados são mais eficazes que o EEG bruto para a monitorização da profundidade anestésica? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A decisão depende de reconhecer que a hipoperfusão/isquemia cerebral inicial lentifica o EEG, com diminuição das frequências rápidas e aumento relativo da amplitude, e que os monitores processados de EEG são úteis porque convertem esse sinal complexo em índice numérico/tendência interpretável, não por medirem diretamente anestésico, analgesia ou atividade motora.

Tema central: EEG na hipoperfusão cerebral
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada em ambos os trechos. Hipoperfusão cerebral não se manifesta principalmente por aumento da frequência; o esperado é lentificação do EEG. Além disso, EEG processado não mede diretamente a concentração de anestésico no sítio de efeito; trata-se de um índice derivado do sinal cortical.
B
Errada
Ondas gama não representam o padrão típico de isquemia/hipoperfusão cerebral; nessa situação há perda de frequências altas, não seu surgimento. Também é incorreto dizer que o EEG processado detecta atividade motora como função principal, porque sua utilidade clínica aqui é estimar hipnose anestésica a partir do EEG.
C
Certa
A alternativa C reúne corretamente as duas metades da pergunta. Na hipoperfusão/isquemia cerebral, o EEG tende a perder atividade rápida e tornar-se mais lento, com predomínio de ondas lentas e aumento relativo da amplitude nas fases iniciais. Além disso, monitores processados como BIS e Entropia são mais eficazes para monitorar profundidade anestésica porque aplicam algoritmos ao EEG bruto e o resumem em índice numérico e tendência de fácil uso à beira-leito. Eles não medem diretamente anestésico, nem analgesia, nem são imunes a artefatos.
D
Errada
Burst suppression pode aparecer em depressão cerebral intensa, anestesia muito profunda ou isquemia grave, mas não corresponde à alteração principal inicial da hipoperfusão. A segunda parte também é falsa: monitores processados não são imunes a artefatos eletromiográficos; EMG pode interferir na interpretação dos índices.
E
Errada
Silêncio elétrico é um achado extremo, compatível com falência elétrica cerebral muito avançada, não com a alteração principal de hipoperfusão inicial. Além disso, EEG processado não quantifica analgesia; ele estima predominantemente o componente hipnótico da anestesia, que é distinto de nocicepção/analgesia.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre alteração inicial da hipoperfusão cerebral e padrões mais dramáticos de agressão grave, como burst suppression ou flat line, além da falsa ideia de que BIS/Entropia medem diretamente anestésico, analgesia ou ficam livres de artefatos.
Dica para questões semelhantes
  • Em isquemia/hipoperfusão cerebral, pense primeiro em lentificação do EEG; burst suppression e silêncio elétrico indicam estágio mais profundo.
  • Se a alternativa atribuir ao BIS/Entropia medida direta de concentração anestésica ou de analgesia, ela está incompatível com a função real desses monitores.
  • A vantagem prática do EEG processado é transformar um traçado complexo em índice numérico e tendência interpretável para profundidade hipnótica.
  • Não trate monitores processados como imunes a EMG ou outros artefatos; essa afirmação exclui a alternativa.

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