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Q3914280 Ciência Política
No ano de 2020, em razão da pandemia de covid-19 e das medidas emergenciais de transferência de renda adotadas em diversos países, intensificou-se o debate sobre a renda básica. A formulação contemporânea do conceito da chamada Renda Básica Universal (RBU) é atribuída ao filósofo belga Philippe Van Parijs, para quem a RBU deve assegurar um valor suficientemente alto para garantir uma vida digna.
Considerando esse contexto, para ser classificado como RBU, um programa deve:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era identificar a RBU como benefício individual e universal, não focalizado nem contributivo.

Tema central: Conceito de RBU
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque descreve um programa destinado a público restrito e dependente de regras de elegibilidade para seleção distributiva. Isso contraria a universalidade da RBU, que não se destina apenas a grupos escolhidos.
B
Errada
Está errada porque define uma política focalizada nas camadas mais pobres e vulneráveis. Focalização socioeconômica é incompatível com a universalidade própria da RBU.
C
Errada
Está errada porque, embora mencione todas as pessoas de uma comunidade política, condiciona o recebimento ao cumprimento de requisitos de elegibilidade. Na questão, esse filtro seletivo descaracteriza a universalidade e a incondicionalidade típicas da RBU.
D
Errada
Está errada porque vincula o benefício ao histórico de contribuições do beneficiário. Isso é lógica de política contributiva, própria de seguro social ou previdência, e não de renda básica universal.
E
Certa
A alternativa E está correta porque traz o núcleo conceitual que define a RBU: concessão do benefício de forma individual e a todas as pessoas. Esse é o critério distintivo cobrado na questão: universalidade e individualidade, sem seleção por pobreza, sem restrição a grupos específicos e sem dependência de contribuição prévia.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi entre RBU e outros tipos de transferência de renda: programas focalizados nos pobres, benefícios com elegibilidade seletiva e prestações contributivas. Também havia o risco de achar que o diferencial da letra E era o empoderamento, quando o decisivo era a concessão individual a todas as pessoas.
Dica para questões semelhantes
  • Se a política é focalizada nos pobres ou vulneráveis, ela não corresponde ao conceito de RBU cobrado aqui.
  • Se o acesso depende de contribuição prévia, trata-se de lógica contributiva, não de renda básica universal.
  • Quando a alternativa trouxer pagamento individual a todas as pessoas, esse é o sinal central de RBU neste tipo de questão.

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Comentários

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A alternativa correta é a E.

A Renda Básica Universal (RBU), conforme formulada por Philippe Van Parijs e outros teóricos contemporâneos, possui algumas características essenciais:

  • Universalidade: deve ser concedida a todas as pessoas, sem distinção de classe, renda ou condição.
  • Individualidade: o benefício é pago a cada indivíduo, não a famílias ou grupos.
  • Incondicionalidade: não depende de requisitos de elegibilidade como trabalho, contribuição ou situação socioeconômica.
  • Regularidade: deve ser pago de forma contínua e previsível.
  • Suficiência: o valor deve ser capaz de garantir uma vida digna.

  • A: incorreta, pois a RBU não se destina a público restrito nem depende de regras de elegibilidade.
  • B: incorreta, porque não é focalizada apenas nos mais pobres, mas sim universal.
  • C: incorreta, pois não há requisitos de elegibilidade; é para todos.
  • D: incorreta, porque não é contributiva nem vinculada ao histórico de contribuições.
  • E: correta, pois descreve a essência da RBU: benefício individual, concedido a todas as pessoas, com potencial de empoderamento por ampliar alternativas de vida e sustento econômico.

Assim, para ser classificado como RBU, um programa deve conceder o benefício de forma individual a todas as pessoas, podendo atuar como instrumento de empoderamento de grupos marginalizados por ampliar alternativas de vida e de sustento econômico.

A alternativa E captura dois elementos essenciais: a individualidade do benefício e a universalidade (todas as pessoas), além de mencionar corretamente o efeito de empoderamento — argumento central de Van Parijs, para quem a RBU amplia a real liberdade dos indivíduos, especialmente dos grupos marginalizados, ao garantir uma base econômica independente de qualquer relação de dependência.

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