O risco de infecção de um paciente esplenectomizado é maior...

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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Grupo 004 |
Q1685596 Medicina
Um paciente de 29 anos de idade, com síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), compareceu ao atendimento no pronto-socorro com queixa de dor em hipocôndrio esquerdo, de média intensidade, iniciada aproximadamente há duas horas, de caráter contínuo, com febre há dois dias, disúria e urina de coloração forte. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, normocorado, com FC = 110 bpm, FR= 20 irpm, Tax = 39 °C, PA = 110 mmHg x 60 mmHg, SatO2 = 99% e ictérico +++/++++. Observa-se abdome flácido, com ruídos hidroaéreos diminuídos e doloroso à palpação profunda de hipocôndrio esquerdo. Conta ter anemia falciforme. Realizou raios X de abdome simples, que não mostrou alteração. Ao realizar uma tomografia com contraste de abdome, evidenciaram-se lesões de baixa densidade com captação periférica em baço.


Em relação a esse caso clínico e a abcessos esplênicos, julgue os itens a seguir. 
O risco de infecção de um paciente esplenectomizado é maior durante toda a sua vida, mas principalmente nos 10 primeiros anos.
Alternativas

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Tema central: O ponto central da questão é o risco de infecção em pacientes submetidos à esplenectomia. O baço tem papel essencial na defesa contra micro-organismos encapsulados, como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Neisseria meningitidis. Ao ser removido, o organismo fica mais vulnerável a infecções graves, incluindo a sepse fulminante (OPSI – overwhelming post-splenectomy infection).

Justificativa da alternativa correta: Gabarito: E (errado)

A afirmação diz que o risco de infecção é maior durante toda a vida, mas “principalmente nos 10 primeiros anos”. Esta informação é imprecisa. O risco de infecção fulminante é significativamente maior nos primeiros anos, especialmente no primeiro mês após a esplenectomia, mas NUNCA deixa de estar elevado, persistindo por toda a vida.

Segundo revisão publicada na Revista Brasileira de Medicina (vol.59, n.2):
“o risco de infecção aumenta de 5 a 30 vezes nos primeiros 30 dias após a esplenectomia e permanece de 1 a 3 vezes maior ao longo da vida”.

Portanto, a afirmação de que o risco é especialmente concentrado até 10 anos não está fundamentada nas evidências médicas atuais. Mesmo décadas após a esplenectomia, há casos de sepse grave, mostrando que a vulnerabilidade é permanente.

Análise crítica das alternativas:

  • C (certo): Incorrreta. Por sugerir um limite temporal inadequado para o risco aumentado. Risco elevado perdura indefinidamente.
  • E (errado): Correta. Reconhece que a vulnerabilidade é perene, sem predomínio exclusivo nos 10 primeiros anos.

Pegadinhas e estratégias: Atenção a datas e marcos temporais em alternativas. Frases que tentam delimitar riscos (“principalmente nos 10 anos”) exigem conhecimento das recomendações – que alertam para risco durante toda a vida.

Recomendações oficiais: A vacinação contra pneumococo, meningococo e Haemophilus deve ser reforçada e mantida. Alguns casos requerem antibioticoterapia profilática continuada e orientação dos sinais de alarme.
Referência: UpToDate, Harrison’s Principles of Internal Medicine, Diretriz de Imunização SBIm.

Resumo: O risco de infecção após esplenectomia não se restringe aos 10 primeiros anos e permanece aumentado ao longo de toda a vida do paciente.

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Comentários

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A questão aborda um tema importante que é a infecção em pacientes esplenectomizados. O enunciado é incorreto porque a maior susceptibilidade de pacientes esplenectomizados a infecções é durante toda a vida, mas a vulnerabilidade máxima ocorre nos primeiros 2 anos após a esplenectomia, e não 10 anos, como mencionado na questão. A esplenectomia aumenta o risco de infecções graves, especialmente por bactérias encapsuladas, devido ao papel importante que o baço desempenha na imunidade do corpo. A perda desse órgão compromete tanto a imunidade humoral quanto a celular, tornando o indivíduo mais suscetível a infecções. Portanto, a afirmação está errada porque subestima o tempo crítico de risco de infecção após uma esplenectomia.

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