O Código de Ética Médica e a legislação brasileira estabele...

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Q3833728 Medicina
O Código de Ética Médica e a legislação brasileira estabelecem normas para o sigilo profissional, especialmente no atendimento a mulheres e adolescentes. Assim, analise as afirmativas a seguir.

I.É vedado ao médico revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente.

II.Nos casos de violência sexual contra a mulher, a legislação prevê a notificação compulsória à autoridade sanitária, caracterizando hipótese de dever legal que autoriza a comunicação dos dados estritamente necessários, sem afastar integralmente o dever de sigilo médico, o qual deve ser preservado quanto às demais informações não exigidas pela notificação.

III.O sigilo profissional deve ser mantido mesmo após a morte do paciente, abrangendo todas as informações obtidas no exercício da atividade profissional, somente podendo ser relativizado nas hipóteses legalmente previstas, por dever legal, por justa causa, por determinação judicial devidamente fundamentada ou mediante autorização prévia, expressa e inequívoca do próprio paciente, manifestada em vida.

IV.O médico pode revelar segredo profissional referente a paciente menor de idade aos pais ou representantes legais quando o menor não possuir capacidade de discernimento; caso contrário, o sigilo deve ser respeitado, salvo em situações de risco à vida ou de dano relevante ao paciente.


Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é o regime ético-legal do sigilo médico: a regra é preservar as informações obtidas no exercício profissional, com exceções por justa causa, dever legal ou consentimento do paciente. No caso, a assertiva II reflete a notificação compulsória como dever legal sem quebra integral do sigilo; a III reconhece a subsistência do sigilo após a morte; e a IV aplica o critério do discernimento do menor com ressalva de risco relevante. Assim, as quatro assertivas se mantêm compatíveis com a base normativa, impondo a alternativa D.

Tema central: Sigilo profissional médico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui a assertiva III. Esse ponto contraria o critério ético-legal de que o sigilo profissional persiste após o óbito, não havendo liberação automática das informações apenas porque o paciente morreu.
B
Errada
Está errada porque exclui I e III, ambas corretas. A I corresponde exatamente à regra geral do sigilo e suas exceções clássicas; a III está de acordo com a subsistência do sigilo post mortem, que só pode ser relativizado em hipóteses justificadas.
C
Errada
Está errada porque exclui I e II. A I está correta ao prever justa causa, dever legal e consentimento como hipóteses de revelação legítima. A II também está correta, porque a notificação compulsória por violência contra a mulher decorre de dever legal, mas limitada ao necessário, sem quebra integral do sigilo.
D
Certa
A alternativa D está correta porque as quatro assertivas reproduzem, em essência, os limites e exceções reconhecidos para o sigilo profissional. A I traz a fórmula clássica: o médico não pode revelar fato conhecido em razão da profissão, salvo motivo justo, dever legal ou consentimento do paciente. A II está correta porque a notificação compulsória de violência contra a mulher constitui dever legal, mas isso não autoriza divulgação irrestrita: a comunicação deve se limitar aos dados necessários ao cumprimento da obrigação. A III também está correta, pois o sigilo não se extingue com a morte do paciente e só pode ser relativizado em hipóteses justificadas juridicamente ou eticamente. A IV aplica corretamente o critério do discernimento do menor: se não houver capacidade de discernimento, admite-se revelação aos responsáveis; se houver, o sigilo deve ser preservado, salvo risco à vida ou dano relevante.
E
Errada
Está errada porque exclui II e IV. A II está correta ao reconhecer a notificação compulsória como exceção legal ao sigilo, com divulgação mínima necessária. A IV também está correta, pois o acesso dos pais ou responsáveis não é automático quando o menor tem discernimento; nessa situação, o sigilo deve ser mantido, salvo risco relevante.
Pegadinha da questão
A banca explora quatro confusões reais: achar que a notificação compulsória permite revelar todo o conteúdo clínico, supor que o sigilo acaba com a morte, tratar o consentimento do paciente como única exceção ao sigilo e presumir que os pais sempre têm acesso irrestrito às informações de menor com discernimento.
Dica para questões semelhantes
  • Em sigilo médico, primeiro identifique a regra geral e depois teste se o caso se encaixa em justa causa, dever legal ou consentimento do paciente.
  • Quando houver notificação compulsória, diferencie autorização para comunicar do dever de limitar a revelação aos dados estritamente necessários.
  • Em questões sobre menores, use o critério do discernimento: com capacidade de compreender, o sigilo tende a ser preservado, salvo risco relevante.
  • Não considere o óbito como extinção automática da confidencialidade; o sigilo pós-morte continua sendo a regra, com relativização apenas excepcional.

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