À luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do S...

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Q2521563 Direito Administrativo
À luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça sobre a responsabilidade civil do Estado, é CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: À luz do art. 37, § 6º, da Constituição Federal e do Tema 1237 do STF, o ferimento decorrente de operação policial atrai a responsabilidade objetiva pelo risco administrativo, cabendo ao Estado provar eventual excludente; por isso, correta a alternativa B.

Tema central: Responsabilidade estatal em operações policiais
Análise das alternativas
A
Errada
A Súmula 652 do STJ estabelece que a responsabilidade da Administração por dano ambiental decorrente de omissão no dever de fiscalização tem caráter solidário, mas execução subsidiária. A alternativa erra ao atribuir subsidiariedade à própria responsabilidade: apenas a execução é subsidiária.
B
Certa
A alternativa B aplica o entendimento do STF no Tema 1237: demonstrados o dano e sua vinculação à operação, compete ao Estado comprovar uma excludente de responsabilidade. A vítima não precisa identificar conclusivamente a arma de origem do projétil, e a perícia inconclusiva não afasta, por si só, o dever de indenizar. A referência ao fato de terceiro deve ser entendida como fato efetivamente capaz de romper o nexo causal, não como exoneração automática pela participação de terceiros no confronto. Trata-se de risco administrativo, que admite excludentes, e não de risco integral.
C
Errada
O Tema 1055 do STF reconhece a responsabilidade objetiva do Estado por profissional da imprensa ferido por policiais durante a cobertura de manifestações com tumulto ou conflito. Essas circunstâncias não afastam, por si sós, a responsabilidade. A tese admite culpa exclusiva da vítima quando o profissional descumpre advertência ostensiva e clara sobre o acesso a áreas delimitadas de grave risco à integridade física; essa ressalva não sustenta a negativa geral feita pela alternativa.
D
Errada
Segundo o Tema 777 do STF, o Estado responde objetivamente pelos danos que tabeliães e registradores oficiais causem a terceiros no exercício de suas funções. O exercício privado da atividade delegada não exclui a responsabilidade estatal, ao contrário do que afirma a alternativa.
E
Errada
O Tema 362 do STF afasta a responsabilidade objetiva do Estado por crime praticado por foragido quando não demonstrado nexo causal direto entre a fuga e a conduta criminosa. A alternativa dispensa justamente esse requisito: a condição de foragido e a omissão estatal não bastam para responsabilizar o Estado por qualquer crime posterior.
Pegadinha da questão
A banca confunde, em A, o caráter solidário da responsabilidade com a execução subsidiária. Em B, a distinção decisiva é entre não identificar conclusivamente a origem do projétil e provar a ruptura do nexo causal: a primeira situação não equivale à segunda.
Dica para questões semelhantes
  • Em danos decorrentes de operação policial, verifique a vinculação do dano à operação e o ônus estatal de provar excludentes; não exija identificação conclusiva da arma como condição para responsabilização.
  • Na omissão de fiscalização ambiental, separe os dois planos da Súmula 652 do STJ: responsabilidade solidária e execução subsidiária.
  • Não trate o tumulto na cobertura jornalística nem o exercício privado dos serviços notariais como causas automáticas de exclusão da responsabilidade estatal.
  • Em crimes praticados por foragidos, verifique a demonstração do nexo causal direto entre a fuga e o crime; a fuga isoladamente não basta.

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Comentários

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No caso de vítima atingida por projétil de arma de fogo durante uma operação policial, é dever do Estado, em decorrência de sua responsabilidade civil objetiva, provar a exclusão do nexo causal entre o ato e o dano, pois ele é presumido. STF. 2ª Turma. ARE 1382159 AgR/RJ, Rel. Min. Nunes Marques, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/03/2023 (Info 1089).

A responsabilidade do Estado por dano ao meio ambiente decorrente de sua omissão no dever de fiscalização é de caráter SOLIDÁRIO, mas de execução subsidiária, na condição de devedor reserva. RESP 1362234/MS

A) Súmula 652 STJ: a responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio ambiente, decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, é de caráter solidário, mas de execução subsidiária.

B) No caso de vítima atingida por projétil de arma de fogo durante uma operação policial, é dever do Estado, em decorrência de sua responsabilidade civil objetiva, provar a exclusão do nexo causal entre o ato e o dano, pois ele é presumido. STF. 2ª Turma. ARE 1382159 AgR/RJ, Rel. Min. Nunes Marques, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/03/2023 (Info 1089).

Vale frisar o entendimento divulgado no informativo 1132: (i) O Estado é responsável, na esfera cível, por morte ou ferimento decorrente de operações de segurança pública, nos termos da Teoria do Risco Administrativo; (ii) É ônus probatório do ente federativo demonstrar eventuais excludentes de responsabilidade civil; (iii) A perícia inconclusiva sobre a origem de disparo fataldurante operações policiais e militares não é suficiente, por si só, para afastar a responsabilidade civil do Estado, por constituir elemento indiciário. (STF. Plenário. ARE 1385315. Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/04/2024 - Repercussão Geral - Tema 1.237)

C) O Estado responde de forma objetiva pelos danos causados a profissional de imprensa ferido, por policiais, durante cobertura jornalística de manifestação pública em que ocorra tumulto ou conflito, desde que o jornalista não haja descumprido ostensiva e clara advertência quanto ao acesso a áreas definidas como de grave risco à sua integridade física, caso em que poderá ser aplicada a excludente da responsabilidade por culpa exclusiva da vítima. Tese fixada pelo STF: “É objetiva a Responsabilidade Civil do Estado em relação a profissional da imprensa ferido por agentes policiais durante cobertura jornalística, em manifestações em que haja tumulto ou conflitos entre policiais e manifestantes. Cabe a excludente da responsabilidade da culpa exclusiva da vítima, nas hipóteses em que o profissional de imprensa descumprir ostensiva e clara advertência sobre acesso a áreas delimitadas, em que haja grave risco à sua integridade física”. STF. Plenário. RE 1209429/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10/6/2021 (Repercussão Geral – Tema 1055) (Info 1021).

D) O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa. O Estado possui responsabilidade civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários e oficiais de registro, no exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros. STF. Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/2/2019 (repercussão geral) (Info 932).

Em operações de segurança pública, à luz da teoria do risco administrativo, será objetiva a responsabilidade civil do Estado quando não for possível afastá-la pelo conjunto probatório, recaindo sobre ele o ônus de comprovar possíveis causas de exclusão.

Tese fixada pelo STF:

(i) O Estado é responsável, na esfera cível, por morte ou ferimento decorrente de operações de segurança pública, nos termos da Teoria do Risco Administrativo;

(ii) É ônus probatório do ente federativo demonstrar eventuais excludentes de responsabilidade civil;

(iii) A perícia inconclusiva sobre a origem de disparo fatal durante operações policiais e militares não é suficiente, por si só, para afastar a responsabilidade civil do Estado, por constituir elemento indiciário.

STF. Plenário. ARE 1.385.315/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/04/2024 (Repercussão Geral – Tema 1237) (Info 1132).

A)  Súmula 652-STJ: A responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio ambiente, decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, é de caráter solidário, mas de execução subsidiária.

STJ. 1ª Seção. Aprovada em 02/12/2021, DJe 06/12/2021.

B) GABARITO. Origem: STF - Informativo: 

C) Em regra, o Estado responde de forma objetiva pelos danos causados a profissional de imprensa ferido, por policiais, durante cobertura jornalística de manifestação pública. Origem: STF - Informativo: 

D) O Estado responde, objetivamente, pelos danos causados por notários e registradores.

(RE 842846, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 27/02/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-175 DIVULG 12-08-2019 PUBLIC 13-08-2019)

E) Em regra, o Estado não tem responsabilidade civil por atos praticados por presos foragidos. A responsabilização só é caracterizada quando há nexo causal entre o momento da fuga e o delito.

(RE 608880, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-240 DIVULG 30-09-2020 PUBLIC 01-10-2020)

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