No caso clínico em tela, deve-se iniciar antibioticoterapia ...
Recém-nascido (RN), peso de 1.280 g, idade gestacional de vinte e oito semanas, apresentou desconforto respiratório, tendo sido tratado com surfactante e suporte ventilatório mecânico por sete dias, além de nutrição parenteral por cateter umbilical; e evoluiu para a alimentação enteral. No décimo quinto dia de vida houve alteração brusca da evolução com hipoatividade, resíduo gástrico, perda de peso, distensão abdominal e apneia. O diagnóstico clínico presuntivo foi de síndrome séptica de origem hospitalar.
A respeito desse caso clínico e dos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue os itens a seguir.
Gabarito comentado
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Gabarito Comentado – Médico Infectologista
Tema central: Sepse neonatal tardia em prematuros inseridos em UTI neonatal, especialmente com uso prévio de cateteres e ventilação mecânica prolongados. Trata-se de uma das principais complicações infecciosas em neonatologia, exigindo diagnóstico e terapia empírica inicial adequados devido à gravidade e rápida progressão do quadro clínico.
O caso clínico descreve um recém-nascido prematuro extremo que, após período de estabilidade relativa, apresentou sinais clássicos de sepse hospitalar tardia: hipoatividade, distensão abdominal, intolerância alimentar, perda de peso e apneia. Tais sinais reforçam a necessidade de abordagem protocolar e imediata.
Justificativa para a alternativa correta (C):
Na sepse neonatal tardia, os agentes infecciosos predominantes são Staphylococcus coagulase-negativo (especialmente S. epidermidis), Staphylococcus aureus e bacilos Gram-negativos como Klebsiella spp. e Escherichia coli. Essa epidemiologia foi confirmada tanto no Protocolo de Sepse Neonatal do Hospital Santa Helena quanto em diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e revisão do Manual MSD. O início de antibioticoterapia empírica que cubra esses patógenos é conduta padrão, visando reduzir a mortalidade e as complicações a curto prazo.
Conforme o PCDT de Sepse Neonatal (2023), “Na sepse tardia, recomenda-se tratar empiricamente para cocos Gram-positivos (especialmente estafilococos) e bacilos Gram-negativos, ajustando após resultado de culturas” (p.22).
Análise crítica:
A resposta está CERTA pois identifica corretamente os germes-alvo iniciais. Estratégias de prova: atenção à expressão “mais frequentes no serviço de neonatologia”: os exames cobram o conhecimento de que, hoje, S. epidermidis supera o S. aureus em frequência e que Gram-negativos precisam ser cobertos devido ao risco de sepse grave.
Pegadinhas recorrentes: confusão entre sepse precoce (transmissão vertical/materno) versus tardia (ambiente hospitalar e procedimentos invasivos); atenção ao perfil epidemiológico do hospital e fatores de risco do RN.
Resumo: O manejo empírico inicial deve ser amplo, focando S. epidermidis, S. aureus e bacilos Gram-negativos, com ajuste após antibiograma — exatamente como dito no gabarito correto.
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