Um servidor público de determinado órgão federal participa d...

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Q4156121 Direito Civil
Um servidor público de determinado órgão federal participa da elaboração de um ato normativo que impactará diretamente diversos setores da sociedade. Durante o processo, surge a discussão sobre a necessidade de ouvir previamente os interessados e sobre a responsabilidade da Administração em promover maior segurança jurídica na aplicação das normas. Com base nos arts. 29 e 30 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Decreto-Lei nº 4.657/1942 (LINDB), arts. 29 e 30: “Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os de mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação de interessados, preferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão.

Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas.” O enunciado trata justamente de ato normativo administrativo e de segurança jurídica, de modo que a alternativa correta é a que reproduz essa disciplina legal.

Tema central: Consulta pública e segurança jurídica na LINDB
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque contraria diretamente o art. 30 da LINDB. O dever de atuar para aumentar a segurança jurídica é das autoridades públicas, não função exclusiva do Poder Judiciário.
B
Errada
Está errada porque o art. 29 da LINDB afirma expressamente que a edição de atos normativos por autoridade administrativa poderá ser precedida de consulta pública. Portanto, não há vedação legal; há autorização legal expressa.
C
Certa
A alternativa C está correta porque corresponde literalmente ao conteúdo dos arts. 29 e 30 da LINDB. O art. 29 autoriza que a edição de atos normativos administrativos seja precedida de consulta pública, sem impor obrigatoriedade geral, e fixa como forma preferencial o meio eletrônico. O art. 30, por sua vez, impõe às autoridades públicas o dever de atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas. A alternativa reúne exatamente esses dois comandos legais.
D
Errada
Está errada por dois motivos jurídicos cumulativos: o art. 29 usa a expressão “poderá ser precedida”, o que indica faculdade, não obrigatoriedade; além disso, o próprio dispositivo ressalva os atos de mera organização interna, de modo que eles não entram nessa regra como a alternativa afirma.
E
Errada
Está errada porque o art. 29 da LINDB prevê consulta pública “preferencialmente por meio eletrônico”. Isso exclui a tese de exclusividade presencial e também a suposta vedação ao uso de meios eletrônicos.
Pegadinha da questão
A banca explorou quatro confusões literais da LINDB: trocar “poderá” por obrigatoriedade, ignorar a exceção dos atos de mera organização interna, substituir “preferencialmente por meio eletrônico” por exclusividade presencial e atribuir apenas ao Judiciário o dever de promover segurança jurídica.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a lei usar “poderá”, verifique se a regra é facultativa, e não obrigatória.
  • Em atos normativos administrativos, confira se há ressalva expressa para atos de mera organização interna.
  • “Preferencialmente” não significa exclusividade; indica forma prioritária, não única.
  • Na LINDB, a promoção da segurança jurídica é dever das autoridades públicas em geral.

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GABARITO: C

Art. 29 (Consulta Pública): Permite que autoridades façam consultas públicas (preferencialmente eletrônicas) antes de editar atos normativos. A convocação deve conter a minuta do ato e estipular um prazo para que a sociedade e interessados enviem sugestões, que devem ser obrigatoriamente analisadas e consideradas na decisão final.

Art. 30 (Segurança Jurídica): Obriga as autoridades a agirem para aumentar a previsibilidade e segurança na aplicação das normas, utilizando instrumentos como regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas. O parágrafo único estabelece que essas orientações vinculam (obrigam) o próprio órgão ou entidade que as emitiu, até que sejam revistas.

TROPA OBA

@pmminas

A introdução dos arts. 29 e 30 na LINDB (por meio da Lei nº 13.655/2018) representou uma verdadeira mudança de paradigma no Direito Administrativo brasileiro, substituindo a atuação estatal puramente burocrática por uma Administração Pública dialógica, transparente e voltada para a previsibilidade.


Abaixo, detalhamos os principais pontos cobrados em provas de concursos públicos sobre esses dispositivos:


1. A Consulta Pública (Art. 29 da LINDB)

O art. 29 consagra a possibilidade de participação democrática na elaboração de normas administrativas gerais:


"Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os de mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação de interessados, preferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão."


  • § 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta pública...

  • Natureza Jurídica (Faculdade vs. Poder-Dever): O texto usa a palavra "poderá", o que indica, em uma leitura literal, uma faculdade da Administração. No entanto, a doutrina moderna e a jurisprudência ponderam que, diante de temas de grande impacto econômico ou social que afetem direitos de terceiros, a ausência de justificativa para não realizar a consulta pode viciar o ato por falta de motivação adequada.

  • Exceção expressa: Os atos de mera organização interna estão expressamente excluídos da sistemática da consulta pública (bancos de provas adoram tentar confundir o candidato afirmando que todos os atos exigem consulta).

  • Forma: Dá-se preferência absoluta aos meios eletrônicos para baratear custos e ampliar o alcance territorial da participação popular.

2. A Segurança Jurídica e a Vinculação (Art. 30 da LINDB)

O art. 30 foca na qualidade da regulação e na proteção da confiança legítima dos administrados:


"Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas."


  • Parágrafo único. Os regulamentos, as súmulas administrativas e as respostas a consultas vinculam a administração, cabendo publicação de sua revisão ou invalidação em momendo oportuno.

  • Previsibilidade: A norma impõe à Administração um papel ativo. Não basta aplicar a lei friamente; é preciso reduzir os "espaços de cinza" e as surpresas interpretativas para o cidadão e para as empresas.

  • Efeito Vinculante Interno: O parágrafo único é essencial: as orientações dadas (como uma resposta a uma consulta formal ou uma súmula administrativa) vinculam obrigatoriamente os órgãos e entidades que as emitiram. Isso impede que a Administração mude de entendimento "da noite para o dia" prejudicar quem confiou na orientação anterior, garantindo estabilidade e segurança jurídica.

Como as bancas costumam cobrar?

  1. Tentativa de tornar obrigatório: As bancas dizem que a consulta pública é obrigatória para qualquer ato normativo (falso, pois é facultativa e exclui atos de organização interna).

  2. Restrição de meios: Afirmam que a consulta deve ser exclusivamente presencial (falso, a lei prioriza o meio eletrônico).

  3. Divórcio da competência: Alegam que a segurança jurídica é dever exclusivo do Judiciário (falso, o art. 30 joga essa responsabilidade diretamente sobre as autoridades administrativas).

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