O segmento em que se restringe o sentido do termo imediatam...

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Q465723 Português

Embora a aspiração por justiça seja tão antiga quanto os primeiros agrupamentos sociais, seu significado sofreu profundas alterações no decorrer da história. Apesar das mudanças, um símbolo atravessou os séculos - a deusa Têmis -, imponente figura feminina, com os olhos vendados e carregando em uma das mãos uma balança e na outra uma espada. Poucas divindades da mitologia grega sobreviveram tanto tempo. Poucos deixariam de reconhecer na imagem o símbolo da justiça.

A moderna ideia de justiça e de direito é inerente ao conceito de indivíduo, um ente que tem valor em si mesmo, dotado de direitos naturais. Tal doutrina se contrapunha a uma concepção orgânica, segundo a qual a sociedade é um todo.

A liberdade, nesse novo paradigma, deixa de ser uma concessão ou uma característica de uma camada social e converte-se em um atributo do próprio homem.

A crença de que os direitos do homem correspondiam a uma qualidade intrínseca ao próprio homem implicou enquadrar a justiça em um novo paradigma. O justo não é mais correspondente à função designada no corpo social, mas é um bem individual, identificado com a felicidade, com os direitos inatos.

Da igualdade nos direitos naturais derivava-se não só a liberdade, mas também as possibilidades de questionar a desigualdade entre os indivíduos, de definir o tipo de organização social e o direito à resistência. Toda e qualquer desigualdade passa a ser entendida como uma desigualdade provocada pelo arranjo social. Nesse paradigma, a sociedade e o Estado não são fenômenos dados, mas engendrados pelo homem. A desigualdade e o poder ilimitado deixam, pois, de ser justificados como decorrentes da ordem natural das coisas. À lei igual para todos incorpora-se o princípio de que desiguais devem ser tratados de forma desigual. Cresce a força de movimentos segundo os quais a lei, para cumprir suas funções, deve ser desigual para indivíduos que são desiguais na vida real.

Nesse novo contexto, modifica-se o perfil do poder público. O judiciário, segundo tais parâmetros, representa uma força de emancipação. É a instituição pública encarregada, por excelência, de fazer com que os preceitos da igualdade prevaleçam na realidade concreta. Assim, os supostos da modernidade, particularmente a liberdade e a igualdade, dependem, para se materializarem, da força do Judiciário, de um lado, e do acesso à justiça, das possibilidades reais de se ingressar em tribunais, de outro.

Para terminar, volto à deusa Têmis, que enfrentava no Olimpo o deus da guerra, Ares. Naquele tempo, como hoje, duas armas se enfrentam: a violência, que destrói e vive da desigualdade, e a lei, que constrói e busca a igualdade.


(Adaptado de SADEK, Maria Tereza Aina. “Justiça e direitos: a construção da igualdade". In: Agenda Brasileira. São Paulo, Cia. das Letras, 2011, p. 326-333.)



O segmento em que se restringe o sentido do termo imediatamente anterior encontra-se em
Alternativas

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Para resolver essa questão, precisamos entender a estrutura gramatical e a forma como os termos são usados para restringir ou especificar ideias. O enunciado pede que identifiquemos um segmento em que o sentido do termo imediatamente anterior é restrito pelo que vem a seguir.

Alternativa E: "...que tem valor em si mesmo..." (3o parágrafo).

A escolha correta é a Alternativa E. Aqui, a expressão "que tem valor em si mesmo" está restringindo o termo "um ente", especificando que não é qualquer ente, mas sim aquele que possui valor próprio, o que é consistente com o tema do direito e da justiça individual discutido no texto.

Agora, vamos analisar por que as outras alternativas estão incorretas:

Alternativa A: "...imponente figura feminina..." (1o parágrafo). Neste caso, "imponente figura feminina" não está restringindo o sentido de um termo imediatamente anterior, mas sim descrevendo e qualificando a deusa Têmis. É uma descrição, não uma restrição.

Alternativa B: "...particularmente a liberdade e a igualdade..." (7o parágrafo). Aqui, não há uma restrição direta ao termo anterior; "particularmente" destaca aspectos mas não restringe um termo específico anterior.

Alternativa C: "...que enfrentava no Olimpo o deus da guerra..." (8o parágrafo). Embora seja uma oração subordinada adjetiva, não está restringindo um termo específico, mas apenas relatando uma ação relativa a Têmis.

Alternativa D: "...que constrói e busca a igualdade." (8o parágrafo). Este segmento não restringe o termo anterior; é uma descrição de ação.

Ao resolver questões como esta, é crucial identificar expressões que limitam ou reduzem o escopo de um termo, geralmente através de orações subordinadas adjetivas restritivas, que não vêm acompanhadas de vírgulas.

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Comentários

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único que não tem vírgula =)

Dúvida na alternativa b, em razão de no texto haver "os supostos da modernidade, particularmente a liberdade e a igualdade, dependem..."

O termo entre vírgulas notoriamente é um aposto que restringe o sujeito "supostos da modernidade"..


Atentar-se a orações explicativas e restritivas iniciadas pelo QUE

quando a frase iniciada pelo QUE vier entre vírgulas será explicativa:  lei, que constrói e busca a igualdade.

quando vier sem vírgulas será restritiva: um ente que tem valor em si mesmo

Simples assim... :)

Meu Deus !!!  Que questão é essa !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Vamos em frente..

Gente, alguém sabe explicar a letra B?

Pensei exatamente igual ao colega Matheus... primeiro o texto fala em "modernidade" e depois restringe o que se entende por modernidade... para considerarmos apenas a liberdade e a igualdade...

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