Assinale a alternativa em que o trecho destacado não se con...
Leia o texto II para responder à próxima questão.
Texto II
Um ano depois, o massacre em Suzano deixou alguma lição?
Laura Mattos
Tenta-se buscar, um ano depois, o que o massacre na escola Raul Brasil, em Suzano, trouxe de lição ao país. Uma resposta concreta está na reforma realizada no prédio onde, no dia 13 de março de 2019, dois ex-alunos entraram com revólver, arco e flechas e machado, assassinaram seis estudantes, duas funcionárias e se suicidaram.
No próximo mês, o colégio estadual da Grande São Paulo será entregue, completamente reformulado, aos estudantes. Durante as obras, iniciadas em outubro, as aulas aconteceram em uma faculdade privada, alugada pelo governo do Estado.
O objetivo do projeto foi fazer da Raul Brasil uma escola pública modelo, em um momento em que se discute a reformulação da educação básica, concentrando esforços no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, criatividade, autonomia, capacidade de se comunicar e de solucionar problemas.
O objetivo é tornar as escolas mais interessantes e acolhedoras, na tentativa de sanar a baixa qualidade de ensino e a evasão escolar que teimam em se perpetuar no país.
A partir desse viés, foram construídas, por exemplo, uma biblioteca maior do que a que existia antes da tragédia, novas quadras esportivas, uma praça de convivência arborizada e uma sala “maker” para se colocar em prática conceitos teóricos.
São estruturas que podem facilitar essa busca por uma renovação pedagógica e a reformulação dos currículos que foi determinada pela nova BNCC (Base Nacional Comum Curricular), um documento elaborado entre 2015 e 2018 em conjunto pelo Ministério da Educação, por governos estaduais e municipais e pela sociedade civil.
A reforma também se concentrou na segurança. Foram instaladas câmeras e construídas duas entradas, uma para alunos e funcionários, e outra, que só dá acesso à parte administrativa, para familiares e demais pessoas fora da comunidade escolar.
Nesta segunda (9), ao apresentar à imprensa as novas instalações, o secretário de educação de São Paulo, Rossieli Soares, afirmou que esse padrão deverá ser replicado em outras escolas. Falou também do Gabinete Integrado de Segurança e Proteção Escolar, criado depois do massacre pelas secretarias de Educação e Segurança Pública, que prevê instalação e monitoramento de câmeras, ronda de policiais no entorno dos colégios e treinamento de funcionários da educação, entre outras medidas.
Essa é uma polêmica sem fim. Há uma corrente que defende um outro olhar para combater a violência, em sentido oposto, como a abertura dos portões, uma convivência maior entre alunos, professores, famílias e vizinhança, as ruas como salas de aula a céu aberto.
A proximidade inibiria a violência; a distância, a estimularia. É uma discussão pertinente, mas não dá para esperar que a Raul Brasil encare seu trauma por aí, pelo menos não por ora. Na entrevista do secretário, mais do que falar a respeito de pedagogia, boa parte das perguntas dos jornalistas, em tom de cobrança, era sobre medidas de segurança. E no sentido de erguer muros, não de derrubá-los.
É achismo dizer se uma escola aberta ou blindada inibiria um ataque como o de Suzano, assim como não se pode garantir que quadras e debates sobre bullying dariam conta de evitar um crime dessa complexidade. Mas o acolhimento escolar, e disso é difícil duvidar, pode significar melhores oportunidades para crianças e jovens.
A forma como a reforma foi realizada é talvez a maior lição da tragédia. Dos R$ 3,1 milhões gastos, 90% vieram de empresas. Doações para escolas até existem, mas são raras. E a obra na Raul Brasil, pela dimensão e pelo financiamento, é pioneira.
Um chamamento público foi feito pelo governo, com base em um novo regulamento de doações da Procuradoria Geral do Estado, segundo afirmou à coluna Romero Raposo, diretor de projetos especiais da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, braço da secretaria.
Para ele, é um modelo que pode ganhar corpo nos próximos anos. Que as empresas, então, não precisem de tragédias para se mobilizar pela educação.
Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lauramattos/2020/03/um-ano-depois-o-massacre-em-suzano-deixou-alguma-de-licao.shtml>.
Acesso em 13 mar. 2020
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Assunto central da questão: Interpretação de texto, com foco na identificação de ponto de vista da autora em trechos destacados, uma habilidade essencial para o cargo de Advogado, dada a necessidade de discernir opiniões de fatos em textos argumentativos.
Comentário geral: A competência avaliada é a capacidade de reconhecer opiniões (pontos de vista, julgamentos, avaliações subjetivas) em oposição a exposições factuais ou desejos/aspirações. É fundamental analisar se, no trecho, há manifestação clara do posicionamento individual da autora sobre um tema – a chamada modalização, segundo a gramática de Evanildo Bechara. Trata-se de uma exigência frequente em provas, sobretudo para cargos jurídicos, nos quais a leitura crítica e analítica é obrigatória.
Análise alternativa por alternativa:
A) “Essa é uma polêmica sem fim.”
Expressa claramente a opinião da autora sobre o tema em debate, ao afirmar que se trata de uma questão interminável. Modalização típica de artigos de opinião.
B) “É achismo dizer se uma escola aberta ou blindada inibiria um ataque como o de Suzano (...)”
A escolha da palavra achismo revela julgamento pessoal, tornando inequívoca a presença de um ponto de vista. A subjetividade é reforçada pela estrutura da frase.
C) “[...] o acolhimento escolar, e disso é difícil duvidar, pode significar melhores oportunidades para crianças e jovens.”
Ao afirmar “é difícil duvidar”, a autora explicita sua crença pessoal na premissa apresentada, o que caracteriza opinião.
D) “Que as empresas, então, não precisem de tragédias para se mobilizar pela educação.” (Gabarito correto)
Diferente das anteriores, esse trecho expressa um desejo ou aspiração: a autora manifesta uma expectativa de futuro (“que as empresas não precisem…”), sem caracterizar julgamento sobre fatos presentes ou passados. Portanto, não há ponto de vista expresso sobre o contexto factual, mas um apelo ao comportamento.
Resumo da regra:
De acordo com Cunha & Cintra, opinião é a manifestação de julgamento ou apreciação pessoal do enunciador; aspiração/desejo é um apelo ou expectativa, sem juízo sobre o presente ou passado. Essa distinção é fundamental para a interpretação textual.
Dica de prova: Fique atento a verbos no subjuntivo, marcas de desejo (“que”, “espero que”, “tomara que”) e formas apelativas: geralmente expressam aspirações, e não necessariamente opiniões sobre fatos!
Gabarito: D
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Gabarito: D
Fragmento do texto: "segundo afirmou à coluna Romero Raposo, diretor de projetos especiais da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, braço da secretaria. Para ele, é um modelo que pode ganhar corpo nos próximos anos. Que as empresas, então, não precisem de tragédias para se mobilizar pela educação.
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