O texto discute o avanço da inteligência artificial na admi...

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Q3910396 Administração Pública

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

Impactos do uso da inteligência artificial em decisões administrativas e judiciais

 

O uso de inovações tecnológicas pela administração pública, especialmente a inteligência artificial (IA), é um tema central nas políticas públicas brasileiras, como demonstrado pela Estratégia Brasileira para Inteligência Artificial (EBIA). Essa iniciativa visa a promover a pesquisa, a inovação e a capacitação profissional, destacando a cooperação entre setores público e privado.

A IA pode aumentar significativamente a capacidade de processamento de dados, ajudando na identificação de problemas e tendências e, assim, aprimorar a tomada de decisões dos administradores. No entanto, essa automatização apresenta riscos, especialmente no que diz respeito à discricionariedade, na medida em que a substituição do julgamento humano por decisões baseadas em algoritmos pode resultar em julgamentos injustos, especialmente em casos que exigem uma análise mais sutil e específica.

O ministro Gilmar Mendes, em seu voto no julgamento da ADI 6389/DF, enfatiza essa preocupação, alertando para a crescente automação das decisões críticas que afetam o Estado de Direito. "Vivemos na era das escolhas de Sofia automatizadas", destacou, reforçando a necessidade de transparência e controle, essenciais para a proteção dos valores democráticos e para o exercício da cidadania.

Nesse contexto, no âmbito do Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) emitiu a Resolução 332/2020 que dispõe sobre a ética, transparência na produção e uso da IA no Judiciário, a fim de preservar a base principiológica processual. Garantindo assim que os algoritmos das IAs não se tornem deterministas e enviesados, evitando-se também eventuais manipulações ao serem gerados.

Por mais que a referida resolução se restrinja ao Poder Judiciário, posto que ainda não há lei que trate do assunto, tais diretrizes devem ser estendidas para toda a administração pública, ante a evidente urgência em instruir, organizar e implementar a utilização de IAs. Mas afinal, para as hipóteses de tomada de decisão, uma recomendação apresentada por inteligência artificial possui caráter vinculante ou discricionário?

O questionamento é necessário, tendo em vista que, para chegar em tal recomendação, a IA se utilizou de base de dados, padrões e tendências fornecidas.

Ou seja, o julgador teria um ônus argumentativo ainda maior para a hipótese de decidir de forma contrária ao sugerido pela IA, ocasionando uma evidente redução na discricionariedade, em vista da natural conformidade ao produzido pelo sistema. Assim como pela insegurança de se alterar ou contrariar sugestão algorítmica, que por sua vez pode acarretar eventual responsabilização pelo ato proferido.

Portanto, embora a adoção da IA seja inevitável e possa trazer benefícios significativos, é crucial equilibrar seu uso com a supervisão humana, a fim de garantir decisões justas e respeitando a complexidade das situações que exigem um julgamento mais profundo e contextualizado. A responsabilidade do Estado é não apenas implementar essas tecnologias, mas também assegurar que elas sejam usadas de forma ética e justa.

 

Fonte: Correio Braziliense (adaptado).

O texto discute o avanço da inteligência artificial na administração pública e no Poder Judiciário, destacando benefícios, riscos e a necessidade de supervisão humana. Com base nessa perspectiva, analise as assertivas a seguir.
I. O texto reconhece que a IA pode contribuir para o aprimoramento das decisões administrativas ao ampliar a capacidade de processamento de dados.
II. O autor alerta que o uso da IA, sem a devida supervisão, pode restringir a discricionariedade e influenciar injustamente decisões complexas.
III. O texto sustenta que as recomendações emitidas por sistemas inteligentes possuem caráter sempre vinculante, reduzindo por completo a autonomia do julgador.
Com base nessas assertivas, pode-se afirmar que: 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era verificar se cada assertiva correspondia ao texto-base, sem extrapolar o que ele afirma sobre a IA.

Tema central: IA e discricionariedade
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque depende de a assertiva III estar correta. O texto não afirma vinculação automática e absoluta das recomendações de IA, nem supressão completa da autonomia do julgador; fala em redução da discricionariedade e em necessidade de supervisão humana.
B
Errada
Incorreta porque não é apenas a assertiva I que está de acordo com o texto. A assertiva II também reproduz conteúdo expresso: há alerta para riscos da IA sem supervisão, influência injusta em decisões complexas e redução da discricionariedade.
C
Certa
A alternativa C está certa porque combina exatamente as assertivas que têm suporte expresso no texto. A assertiva I corresponde ao trecho segundo o qual a IA pode aumentar significativamente a capacidade de processamento de dados e aprimorar a tomada de decisões. A assertiva II também corresponde ao texto, que alerta para riscos da automatização, inclusive julgamentos injustos em casos complexos, redução da discricionariedade e necessidade de supervisão humana. Já a III não encontra apoio, porque o texto não estabelece que a recomendação da IA tenha caráter sempre vinculante nem que elimine por completo a autonomia do julgador; ao contrário, trata isso como questão a ser debatida e encerra defendendo equilíbrio com supervisão humana.
D
Errada
Incorreta porque inclui a assertiva III, que extrapola o texto. O enunciado-base não sustenta caráter sempre vinculante da recomendação algorítmica nem redução completa da autonomia decisória.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi trocar 'redução da discricionariedade' por eliminação total da autonomia e ler o questionamento sobre caráter vinculante ou discricionário como se fosse uma conclusão afirmativa do texto.
Dica para questões semelhantes
  • Diferencie afirmação expressa no texto de extrapolação.
  • Não converta redução de discricionariedade em eliminação total da autonomia.
  • Se a questão pede interpretação, confira se a alternativa mantém o alcance exato do texto-base.

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