Leia o caso a seguir. Mulher de 28 anos de idade procura at...
Mulher de 28 anos de idade procura atendimento com queixa de dores hipogástricas e sangramento transvaginal em borra de café há cerca de uma semana, com intensificação nos últimos três dias. Tem antecedentes de duas gestações e dois partos normais, sendo o último há três anos. Relata ciclos menstruais irregulares e uso de preservativo como método contraceptivo. Ao exame físico, apresenta sangramento uterino discreto ao exame especular e dor em útero e anexos ao toque combinado. A dosagem de B-hCG foi de 4.500 mIU/ml e a ultrassonografia endovaginal não mostrou sinais de gestação intra e/ou extrauterina, com endométrio ecogênico, com 10 mm de espessura.
Neste caso, a provável hipótese diagnóstica é de
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Tema central: diagnóstico de gestação de localização desconhecida usando a zona discriminatória do β-hCG e ultrassonografia transvaginal (USG-TV), com foco em gravidez ectópica.
Alternativa correta: A - gravidez ectópica
Dor pélvica + sangramento + β-hCG = 4.500 mIU/mL e USG-TV sem saco gestacional intrauterino configuram forte suspeita de ectópica. A zona discriminatória para USG-TV situa-se entre 1.500–3.500 mIU/mL; acima desse valor, espera-se visualizar saco intrauterino em gestação viável. Se não aparece, a hipótese prioritária é ectópica (ou gestação intrauterina inviável), especialmente com dor anexial ao exame. Endométrio ecogênico de 10 mm é inespecífico e não exclui ectópica. Importante lembrar: a ausência de massa anexial não afasta ectópica (muitas não mostram massa ao US). Diretrizes ACOG e RCOG reforçam esse raciocínio.
Pegadinha de prova: não marcar “gestação incipiente” quando o β-hCG está acima da zona discriminatória sem saco intrauterino. Em PUL (pregnancy of unknown location) com β-hCG alto, trate como ectópica até prova em contrário.
Por que as demais estão incorretas?
B - gestação incipiente: plausível apenas quando β-hCG abaixo da zona discriminatória. Com 4.500 mIU/mL, o saco intrauterino deveria ser visto se a gestação fosse viável. Dor anexial e sangramento reforçam que não é apenas “muito cedo”.
C - abortamento completo: espera-se alívio da dor e redução do sangramento após eliminação dos produtos, endométrio geralmente fino (frequentemente < 15 mm) e β-hCG em queda. Aqui há dor persistente em anexos e β-hCG elevado, incongruente com completo.
D - neoplasia trofoblástica gestacional: tipicamente cursa com β-hCG muito alto (frequente > 100.000), útero aumentado, sangramento intenso, náuseas/hiperêmese e US com padrão “tempestade de neve”. Nada disso está presente.
Conduta (resumo para provas): em PUL com β-hCG acima da zona e sem saco intrauterino, repetir β-hCG em 48h e USG-TV; se estável e critérios atendidos, considerar metotrexato; instável ou suspeita de rotura, abordagem cirúrgica. Verificar tipagem Rh e administrar anti-D se Rh negativo (ACOG; RCOG; UpToDate).
Referências essenciais: ACOG Practice Bulletin – Ectopic Pregnancy; RCOG Green-top Guideline No. 21; UpToDate: Evaluation of pregnancy of unknown location.
Gabarito: A - gravidez ectópica.
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