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Q2383650 Medicina
Leia o caso a seguir.


Mulher de 38 anos de idade apresenta sangramento uterino anormal, caracterizado por aumento da quantidade e duração da menstruação, associado à dismenorreia secundária há cerca de cinco anos, após parto cesariana e laqueadura tubária. Nega dispareunia e dor pélvica crônica e tem antecedentes de três partos cesarianas. Ao exame físico, apresenta-se hipocorada (+/4+), colo com aspecto normal e útero em AVF com volume = 130 cm³, miométrio heterogêneo sem delimitar nódulos, endométrio = 4 mm, pólipo endocervical com 4 mm e ovários normais.


Diante deste caso, a causa do sangramento menstrual anormal mais provável é
Alternativas

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Tema central: sangramento uterino anormal (SUA) em mulher de 38 anos, com menorragia e dismenorreia secundária, útero discretamente aumentado e miométrio heterogêneo sem nódulos. Isso aponta para causa estrutural do grupo PALM-COEIN (FIGO), especificamente A de Adenomiose.

Alternativa correta: C – Adenomiose

Por quê? Adenomiose é a presença de glândulas e estroma endometriais no miométrio, gerando aumento uterino difuso, HMB (menorragia) e dismenorreia secundária. Fatores associados: idade 35–50 anos, multiparidade e cirurgias uterinas prévias (p.ex., cesarianas) — todos presentes no caso. Na ultrassonografia transvaginal, são típicos: útero globoso, miométrio heterogêneo, ausência de nódulos bem delimitados e por vezes cistos intramiometriais; o endométrio pode estar fino (4 mm), o que não afasta adenomiose. A anemia clínica (“hipocorada”) reforça menorragia crônica. Referências: FIGO PALM-COEIN; UpToDate (Adenomyosis: clinical features and diagnosis); ACOG Practice Bulletin sobre SUA.

Como raciocinar na prova

  • Dor cíclica + útero aumentado difusamente + US sem nódulos → pense em adenomiose.
  • Pólipos pequenos costumam causar spotting/metrorragia, não menorragia importante.
  • Endometriose sugere dispareunia e dor pélvica crônica; útero geralmente normal.
  • Miomas pedem nódulos bem definidos na US.

Análise das alternativas incorretas

A) Miomatose incipiente: miomas são nódulos bem circunscritos (hipoecoicos) no miométrio. O achado aqui é miométrio heterogêneo sem delimitar nódulos, o que afasta leiomiomatose como causa principal do sangramento.

B) Endometriose: cursa com dismenorreia, dispareunia profunda e dor pélvica crônica; o útero costuma ser de tamanho normal. No caso, não há dispareunia/CPP e há aumento uterino difuso, mais compatível com adenomiose. Endometriose pélvica isolada não explica menorragia acentuada.

D) Pólipo endocervical: lesão de 4 mm tende a provocar metrorragia/spotting pós-coito ou intermenstrual, raramente menorragia significativa. Não justifica útero aumentado e miométrio heterogêneo.

Diagnóstico e exames

  • US transvaginal: primeiro exame; achados acima suportam adenomiose.
  • RM pélvica: útil se dúvida diagnóstica; espessamento da zona juncional (>12 mm) reforça.

Conduta (resumo prático) – individualizar conforme desejo reprodutivo e intensidade dos sintomas (ACOG/UpToDate):

  • 1ª linha: DIU-LNG 52 mg, ACOs combinados contínuos, progestagênios contínuos, AINEs, ácido tranexâmico.
  • Adjuvantes: análogos/antagonistas de GnRH por tempo limitado.
  • Definitivo: histerectomia se refratária e sem desejo reprodutivo (paciente laqueada favorece opção).

Pegadinha: não supervalorize o pólipo minúsculo. Em menorragia importante com útero aumentado difusamente e sem nódulos, priorize adenomiose.

Gabarito: C – Adenomiose.

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Comentários

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A alternativa C (adenomiose) é a resposta correta para a questão apresentada, baseando-se no quadro clínico e nas características apresentadas. A adenomiose é uma condição onde há presença de tecido endometrial dentro da musculatura uterina (miométrio), o que pode causar aumento do volume uterino e sintomas como sangramento uterino anormal e dismenorreia secundária. A paciente descrita tem um útero aumentado de volume (130 cm³), associado a um miométrio heterogêneo, mas sem nódulos delimitados, o que é típico da adenomiose e não da miomatose, sendo esta última caracterizada pela presença de nódulos miomatosos bem definidos, correspondendo à alternativa A. A endometriose (alternativa B) normalmente apresenta dor pélvica crônica e dispareunia, sintomas que a paciente nega. Por fim, um pólipo endocervical (alternativa D) poderia causar sangramento anormal, mas não explicaria o aumento do volume uterino nem o período prolongado de dismenorreia secundária que a paciente relata. Portanto, a adenomiose (alternativa C) é a causa mais provável do sangramento uterino anormal neste caso clínico.

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