Com relação à aplicação do Ecocardiograma na Doença Arteria...
Gabarito comentado
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Tema central: uso do ecocardiograma (eco) na doença arterial coronariana (DAC). O eco não “vê” diretamente as coronárias; ele identifica as consequências da isquemia no miocárdio, sobretudo alterações segmentares da motilidade (hipocinesia, acinesia, discinesia), seja em repouso (infarto, isquemia persistente/miocárdio atordoado ou hibernante) ou sob estresse (isquemia induzida).
Alternativa correta: D
No adulto, a detecção de DAC pelo eco é feita pela observação de alterações contráteis regionais em repouso (quando há necrose/isquemia sustentada) ou provocadas por estresse físico ou farmacológico (ex.: dobutamina). Esse é o princípio do eco de estresse: aparecimento ou piora de hipocinesia em territórios coronarianos específicos indica isquemia. Diretrizes ASE/ESC e AHA/ACC confirmam essa abordagem como padrão (ASE Stress Echo Consensus; ESC 2020/2023 ACS; AHA/ACC Chest Pain 2021; UpToDate; Harrison’s).
Análise das incorretas:
A) “A função sistólica VE sempre é prejudicada...” — Falso. Em repouso, muitos pacientes com estenose coronariana significativa têm função global e segmentar normais na ausência de isquemia no momento do exame ou de infarto prévio, sobretudo pela reserva de fluxo e/ou circulação colateral. A disfunção aparece durante estresse (isquemia induzida). A palavra “sempre” é uma pegadinha clássica.
B) “Angina instável nunca apresenta função ventricular normal...” — Falso. Na angina instável, a isquemia é transitória. Entre os episódios, a fração de ejeção e a motilidade segmentar podem estar normais. Alterações contráteis surgem durante a dor e podem desaparecer após alívio (miocárdio atordoado). Diretrizes ESC/AHA não exigem disfunção sistólica basal para o diagnóstico de angina instável.
C) “Eco é de baixa sensibilidade na dor por DAC para identificar comprometimento contrátil...” — Falso. Em dor torácica aguda, o eco é rápido e sensível para detectar anormalidades segmentares precoces, que surgem antes de alterações do ECG e da dor. Estudos e diretrizes reportam boa acurácia para infarto/isquemia persistente (sensibilidade frequentemente >80% para anormalidades segmentares em IAM), embora seja operador-dependente. É recomendado como ferramenta de apoio na sala de emergência (ESC 2023 ACS; AHA/ACC 2021 Chest Pain; UpToDate).
Dicas de prova:
- Desconfie de termos absolutos como “sempre” e “nunca”.
- Lembre: o eco não visualiza coronárias; ele identifica efeitos da isquemia na contração regional.
- No eco de estresse, o critério-chave é nova ou pior alteração segmentar no estresse vs repouso.
Referências essenciais: ASE Stress Echocardiography Statements; ESC Guidelines on ACS (2020/2023); AHA/ACC Guideline for Chest Pain (2021); Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate.
Gabarito: D
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