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Q3410364 Medicina
Em relação à utilização da Ecocardiografia no transplante cardíaco, analise os itens a seguir.
I. O coração transplantado (Ortotópico) exibe particularidades estruturais e funcionais ao eco. Observam-se, por exemplo, aumento dos átrios (resultante da união do átrio do doador com parte do receptor), espessamento nas linhas de sutura da anastomose Biatrial, Hipocinesia ou movimento paradoxal do septo interventricular com desempenho sistólico conservado.
II. A rejeição aguda ao enxerto produz uma série de eventos ecocardiográficos, que incluem mudança no padrão de função diastólica, redução da espessura miocárdica, novo refluxo mitral, desaparecimento gradual do derrame pericárdico e, tardiamente, melhora da função sistólica ventricular.
III. O derrame pericárdico é raro no pós-operatório recente, todavia, quando ocorre, tende a aumentar a gravidade com a evolução do paciente. Nesses casos, a intervenção deve ser imediata, caso contrário a taxa de letalidade é de noventa e cinco por cento.

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Gabarito: Letra A – Apenas o item I está correto.

Tema central: Uso da ecocardiografia na avaliação estrutural e funcional de corações transplantados, destacando aspectos anatômicos, complicações e diagnóstico de rejeição.

Comentário Detalhado:

Item I – Correto. O transplante cardíaco ortotópico, especialmente com técnica biatrial, resulta em aumento das câmaras atriais (pela junção dos átrios doador/receptor) e espessamento nas linhas de sutura. O movimento paradoxal do septo interventricular também é um achado frequente, mas sem prejuízo significativo da função sistólica global. Essas características são relatadas na “3ª Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco” (SBC, 2018, seção 4), além de serem destacadas em literaturas como Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Item II – Incorreto. A rejeição aguda geralmente leva ao espessamento das paredes ventriculares (por edema), disfunção diastólica inicial e novo ou aumento de derrame pericárdico. O texto da questão cita erroneamente redução da espessura miocárdica — quando, na realidade, ocorre aumento —, e afirma desaparecimento de derrame (quando, na prática, o derrame tende a aparecer ou agravar-se), além de “melhora da função sistólica tardiamente”, o que não condiz com a progressão usual da rejeição. Segundo o Protocolo Clínico de Imunossupressão no Transplante Cardíaco (Ministério da Saúde), a perda da função sistólica é evento mais tardio e preocupante.

Item III – Incorreto. O derrame pericárdico é considerado comum no pós-operatório precoce de transplante cardíaco, especialmente nas primeiras semanas, diferentemente do que afirma a questão (“é raro”). Além disso, embora o tamponamento exija intervenção imediata, a letalidade de 95% sem intervenção é superestimada e não há esse valor nas diretrizes oficiais, sendo esse percentual citado apenas em contextos clássicos de literatura, não específico ao transplante.

Estratégias de prova: Atenção a termos absolutos (“raro”, “desaparecimento”, “letalidade de 95%”) e à fisiopatologia real (espessamento x redução de paredes, presença x ausência de derrame).

Referências em destaque:

  • 3ª Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco (SBC), seção 4.
  • Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Imunossupressão no Transplante Cardíaco (Ministério da Saúde).
  • Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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