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Q2464619 Medicina
Os glóbulos brancos se desenvolvem a partir de células-tronco da medula óssea. Por vezes, ocorrem erros na sua maturação, e alguns fragmentos dos cromossomos reorganizam-se. Os cromossomos anormais resultantes interferem no controle normal da divisão celular e fazem com que as células afetadas se multipliquem sem controle ou fiquem resistentes à morte celular natural, o que resulta em leucemia. Sobre este tema, analise as alternativas e assinale a incorreta: 
Alternativas

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Tema central: Leucemias resultam de alterações genéticas (p.ex., translocações) em células-tronco hematopoéticas, levando a proliferação descontrolada e resistência à apoptose. A classificação principal é por linhagem (mieloide x linfocítica) e evolução (aguda x crônica). Referências: Harrison’s, UpToDate, OMS/WHO 2022, ELN/NCCN.

Alternativa incorreta: B

Por quê? A afirmação de que imunoterapia e terapia-alvo “têm mais probabilidade de matar células normais do que a quimioterapia” é falsa. Essas abordagens foram desenvolvidas para maior especificidade a alvos tumorais, resultando em melhor tolerabilidade em comparação à quimioterapia citotóxica clássica, embora tenham toxicidades próprias (p.ex., eventos imuno-mediados, síndrome de liberação de citocinas). Exemplos: TKIs anti-BCR-ABL (imatinibe, dasatinibe) na LMC e LLA Ph+, anti-CD20 (rituximabe) e inibidores de BTK (ibrutinibe) na LLC. Diretrizes NCCN/ELN e Harrison’s reforçam essa superioridade de especificidade e perfil de efeitos adversos. A segunda parte da alternativa (escolha do tratamento conforme a classificação) está correta, mas a proposição central torna a opção incorreta.

Estratégia de prova: desconfie de generalizações como “matam mais células normais”. Terapias-alvo visam marcadores moleculares e tendem a poupar tecidos saudáveis em relação à quimioterapia convencional.

Alternativa A – Correta: Leucemias mieloides derivam de precursores mieloides (neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos). Podem ser agudas (p.ex., LMA) ou crônicas (p.ex., LMC). Compatível com Harrison’s e WHO.

Alternativa C – Correta: Leucemias linfocíticas surgem de linfócitos ou seus precursores, em formas agudas (LLA) e crônicas (LLC). A linhagem B é a mais frequente; a classificação influencia prognóstico e terapia (NCCN/UpToDate).

Alternativa D – Correta: Infiltração extramedular é comum: hepatosplenomegalia, linfonodomegalias; envolvimento de SNC (sobretudo na LLA) e testículos como “sítio santuário”. Isso embasa profilaxia/terapia do SNC (Harrison’s).

Alternativa E – Correta: O HTLV-1 é agente etiológico reconhecido da leucemia/linfoma de células T do adulto (ATLL). Embora o enunciado diga “forte suspeita”, a relação é bem estabelecida (OMS/CDC/UpToDate). É um retrovírus distinto do HIV-1, apesar da mesma família.

Dica final de interpretação: Observe palavras de intensidade (“mais probabilidade”, “menos toleradas”) e compare com a lógica da especificidade farmacológica. Terapias-alvo/imuno costumam ter perfil de segurança superior ao da quimioterapia clássica, ainda que com toxicidades particulares.

Referências essenciais: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Leukemia overview; Targeted therapy); WHO Classification of Haematolymphoid Tumours 2022; Diretrizes NCCN e ELN.

Gabarito: B

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Comentários

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A alternativa B está incorreta porque na realidade, tanto a imunoterapia quanto a terapia direcionada são projetadas para serem mais seletivas em seus alvos do que a quimioterapia convencional, o que geralmente significa que elas têm como alvo células cancerígenas com mais precisão, poupando mais células normais e causando menos efeitos colaterais adversos. Portanto, são frequentemente melhor toleradas do que a quimioterapia tradicional. Os médicos selecionam medicamentos ou combinações de medicamentos para tratar a leucemia com base em vários fatores, incluindo a classificação e o estágio da doença, mas a premissa de que imunoterapia e terapia direcionada são menos toleradas e mais prováveis de matar células normais é equivocada. A terapia direcionada procura bloquear o crescimento e a disseminação das células cancerígenas ao interferir em moléculas específicas envolvidas no crescimento, progressão e disseminação do câncer. Enquanto isso, a imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico do corpo a combater o câncer. Ambas as abordagens são parte de uma tendência crescente em direção a tratamentos mais personalizados e menos tóxicos para o câncer.

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