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Q3222036 Medicina
Lactente de 2 meses, foi trazida ao pronto-socorro devido a febre persistente (38,5OC) nas últimas 12 horas, sem outros sintomas associados aparentes. Não há relatos de outros sinais ou sintomas. O cartão vacinal está atualizado e o parto foi normal, sem complicações. Ao exame, a lactente está alerta, hidratada, com boa perfusão periférica e sem sinais clínicos de foco infeccioso evidente. A ausculta pulmonar, o exame abdominal e o exame otorrinolaringológico não apresentaram alterações. Foi solicitado um hemograma completo, proteína C-reativa (PCR), exame de urina com urocultura e hemocultura para avaliação inicial.
A conduta mais apropriada nesse caso é
Alternativas

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Tema central: febre sem sinais localizatórios em lactente jovem (até 60 dias). Nessa faixa etária, o risco de infecção bacteriana invasiva (IBI) é maior (bacteremia/meningite), e a conduta costuma ser mais conservadora.

Alternativa correta: A – Iniciar antibioticoterapia empírica com ampicilina + aminoglicosídeo (ex.: gentamicina) após a coleta de exames.

Justificativa clínica: Lactentes até 60 dias, mesmo bem aparentes e sem foco, podem ter IBI por E. coli e estreptococo do grupo B; Listeria é rara após 1 mês, mas alguns protocolos ainda mantêm cobertura com ampicilina. Ao coletar hemocultura, urocultura e marcadores inflamatórios, a conduta empírica parenteral reduz o risco de atraso terapêutico caso a infecção seja invasiva. Diretrizes clássicas de manejo de febre sem foco em 0–60 dias (Rochester/Philadelphia/Boston) e abordagens adotadas em muitos serviços públicos no Brasil recomendam internação e antibiótico IV até esclarecer risco, especialmente quando a estratificação de “baixo risco” não está completamente estabelecida ou os resultados ainda não estão disponíveis (SBP; UpToDate). A AAP 2021 permite manejo ambulatorial em 29–60 dias somente quando critérios de baixo risco (incluindo PCT/CRP e EAS) são cumpridos; fora disso, mantém-se conduta hospitalar com antibiótico parenteral.

Análise das alternativas incorretas

B – “Reavaliar em 24h sem exames.” Inadequado. Em lactentes ≤60 dias, a febre ≥38°C exige investigação laboratorial por risco não desprezível de IBI; postergar exames pode atrasar diagnóstico de bacteremia/meningite. Diverge de SBP e AAP (2021).

C – “Amoxicilina e observar internado.” Amoxicilina oral não é antibiótico de escolha para IBI nesta idade (cobertura insuficiente para Gram-negativos como E. coli, e não é via parenteral). Em cenário de possível sepse, recomenda-se terapia IV de amplo espectro inicial (ampicilina + gentamicina ou cefalosporina de 3ª geração conforme protocolo).

D – “Acompanhar ambulatorialmente se exames normais.” Poderia ser aceitável apenas se estratificação de baixo risco 29–60 dias estiver completa (EAS/urocultura, hemocultura, PCT/CRP baixos, hemograma sem alterações e garantia de seguimento). No caso, os resultados ainda não foram discutidos e a criança tem exatamente 2 meses (limite superior de maior risco). Em provas, a conduta mais segura até a confirmação de baixo risco é iniciar antibiótico parenteral após culturas.

Estratégia para a prova: identifique a idade (≤60 dias), “sem foco” e exames pendentes. Sem confirmação de baixo risco, opte por internação e antibiótico IV após coleta de culturas.

Referências essenciais: AAP Clinical Practice Guideline 2021 – Evaluation and Management of Well-Appearing Febrile Infants 8–60 days; Sociedade Brasileira de Pediatria – Febre sem sinais localizatórios; UpToDate – Fever without a source in infants ≤60 days.

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