Menina de três anos, previamente hígida, apresentou sintomas...

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Q3222031 Medicina
Menina de três anos, previamente hígida, apresentou sintomas gripais leves há cerca de duas semanas. Foi trazida ao pronto-socorro devido a cansaço excessivo, febre baixa (37,8OC) e dor abdominal persistente nos últimos três dias associados à irritabilidade, redução na ingesta alimentar e palpitações.
Ao exame físico, há palidez, frequência cardíaca de 140 bpm, pressão arterial de 90/60 mmHg, ausculta cardíaca com ritmo regular sem sopros e estertores bibasais na ausculta pulmonar. Você solicita um ecocardiograma. Ele revelou dilatação ventricular esquerda com fração de ejeção reduzida (35%), as provas laboratoriais alteradas são troponina e BNP elevados.
Com base no caso descrito, o diagnóstico provável e o aspecto clínico ou epidemiológico mais relevante são, respectivamente,
Alternativas

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Tema central: O caso envolve uma criança com sintomas sistêmicos após quadro viral recente, manifestações de insuficiência cardíaca aguda (taquicardia, palidez, letargia) e alterações em exames complementares focados no comprometimento cardíaco. O diagnóstico pivô, portanto, recai sobre condições adquiridas cardíacas na infância.

Justificativa e raciocínio clínico para a alternativa correta (D): Miocardite viral é uma causa relativamente frequente de insuficiência cardíaca aguda em crianças previamente hígidas. A associação entre histórico de infecção viral recente, quadro arrastado com febre baixa, irritabilidade, dor abdominal, taquicardia, e sinais clínicos/sorológicos de acometimento do músculo cardíaco (troponina e BNP elevados, fração de ejeção reduzida) é característica desse diagnóstico.
O coxsackievírus B é, de fato, um dos agentes mais tradicionais, corroborando o embasamento etiológico.

Diretrizes e evidências: Segundo o UpToDate (seção “Myocarditis in children: Clinical features and diagnosis”), a apresentação clinica típica de miocardite inclui história de infecção viral prévia, sintomas sistêmicos inespecíficos, sinais de congestão, disfunção miocárdica e elevação de marcadores cardíacos. O consenso da Sociedade Brasileira de Pediatria reforça esses achados.

Análise das alternativas incorretas:

A) Anemia ferropriva: Apesar de palidez e taquicardia serem sugeridas, inexistem elementos laboratoriais ou achados cardiológicos compatíveis, além da evolução rápida e presença de febre e palpitações, desviando do diagnóstico.

B) Doença cardíaca congênita: Tipicamente manifesta-se no lactente e não está associada à história recente viral ou abrupta piora clínica em criança maior previamente saudável.

C) Doença de Kawasaki: Os critérios diagnósticos (febre alta persistente, alterações mucocutâneas e linfonodomegalia) não foram preenchidos. Ausência de exantema e conjuntivite também descartam essa hipótese segundo o Manual de Diagnóstico e Tratamento das Vasculites da SBP, p. 34.

Estratégias de resolução: Fique atento ao vínculo entre achados de insuficiência cardíaca (taquicardia, fração de ejeção reduzida, BNP elevado) em criança com quadro viral prévio – trata-se de pegadinha clássica que visa diferenciar condições hematológicas, congênitas e infecciosas.

Resumo: Miocardite viral é a alternativa correta pelo conjunto clínico, histórico, exame físico e laudos laboratoriais envolvendo infecção viral prévia em criança hígida, evoluindo subagudamente com disfunção cardiovascular.

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