A Medicina Baseada em Evidências (MBE) constitui-se historic...
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Tema central: A Medicina Baseada em Evidências (MBE) integra de forma explícita três pilares: melhores evidências externas, experiência clínica e valores/preferências do paciente. Definição clássica de Sackett (BMJ, 1996), reforçada por diretrizes como GRADE, Cochrane e UpToDate.
Alternativa correta: B — Justificativa: A MBE não é “só ciência de artigos”; ela exige que o médico combine evidência empírica com sua perícia clínica para julgar aplicabilidade em contextos reais (comorbidades, risco basal, adesão, preferências). Esse é o cerne da tomada de decisão compartilhada, previsto por GRADE (incorpora valores e recursos) e defendido por Guyatt/JAMA e pela Cochrane. Assim, decisões são informadas pela ciência e calibradas pela experiência e pelo paciente.
Análise das incorretas
A) “Conhecer o paciente como objeto de pesquisa” contraria a bioética (autonomia, dignidade) e a própria MBE, que personaliza decisões. Assistência não é pesquisa; quando há pesquisa, seguem-se normas éticas (ex.: Declaração de Helsinque, CEP/CONEP) com consentimento. Clinicamente, o paciente é sujeito de cuidado, não objeto.
C) “Somente inferências estatísticas e parâmetros populacionais são sempre eficazes” é falso. Palavras absolutas como sempre sinalizam erro. Resultados populacionais exigem avaliação de validade externa, risco basal e heterogeneidade; o NNT muda conforme o contexto, e comorbidades podem inverter a relação benefício–risco. Diretrizes (p.ex., GRADE/NICE, UpToDate) recomendam individualização e decisão compartilhada.
D) Estudos caso-controle não são o melhor desenho para efetividade de tratamento. Para intervenções, o padrão-ouro é o ensaio clínico randomizado e, acima dele, revisões sistemáticas/metanálises (OCEBM Levels of Evidence). Caso-controle é observacional, útil para etiologia e eventos raros, mas mais suscetível a vieses (seleção, memória), devendo não guiar, isoladamente, decisões terapêuticas.
Estratégia para a prova: Procure os três pilares da MBE (evidência + expertise + valores). Desconfie de termos absolutos (“sempre”, “o melhor método”). Para eficácia de tratamentos, lembre da hierarquia de evidências (ECRs e revisões sistemáticas acima de estudos observacionais).
Referências úteis: Sackett DL et al., BMJ 1996; OCEBM Levels of Evidence 2011/2020; Cochrane Handbook; UpToDate; metodologia GRADE.
Gabarito: B
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