Considerando o caso clínico 4A1-I bem como a psicopatologia ...

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Q1875819 Psicologia
Caso clínico 4A1-I

    Joana, de 7 anos de idade, apresenta choro recorrente na presença de aves de qualquer espécie. A mãe relata, no momento da entrevista, que a criança agarra suas pernas e grita sempre que uma ave está por perto. O que inquieta a mãe é que a criança começou a ficar ansiosa só de saber que passaria o final de semana no sítio da família. Diz a mãe: “Joana nunca teve medo de nada, mas, desde que uma coruja avançou nela em nosso sítio, ela nunca mais foi a mesma. Isso já deve ter, aproximadamente, 8 meses. Já expliquei e já mostrei como os animais podem ser dóceis, mas nada adianta. O que me preocupa é que parece estar cada vez pior. Já tem mais de dois meses que Joana fica irritadiça e chora sempre que se aproxima a sexta-feira, pois sabe que passamos os finais de semana descansando no sítio. Ela chora sem parar antes mesmo de adentrarmos a casa. Acaba passando o final de semana inteiro no quarto. Até pra brincar é difícil. Acho até que o rendimento na escola piorou. Tem dado mais trabalho até mesmo para realizar as tarefas de casa. Parece menos motivada com a escola e com os amigos que fez lá. Com toda essa história, estamos pensando em vender o sítio. Mas não sabemos se isso é uma fase, se é birra ou se ficou mesmo algum trauma”(sic).
Considerando o caso clínico 4A1-I bem como a psicopatologia e as contribuições da terapia cognitivo-comportamental, assinale a opção correta. 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer a resposta ansiosa antes da exposição efetiva e o afastamento do contexto temido. Os trechos “começou a ficar ansiosa só de saber que passaria o final de semana no sítio”, “chora sem parar antes mesmo de adentrarmos a casa” e “Acaba passando o final de semana inteiro no quarto” indicam ansiedade antecipatória e evitação/esquiva, o que confirma a alternativa B.

Tema central: Ansiedade antecipatória e evitação/esquiva
Análise das alternativas
A
Errada
Está incorreta porque o caso não descreve medo persistente e racional. O medo se estende a “aves de qualquer espécie” e aparece até na mera expectativa de ir ao sítio, o que caracteriza resposta ansiosa/fóbica persistente e desproporcional. O evento aversivo anterior com uma coruja não torna o medo atual racional.
B
Certa
A alternativa B está correta porque nomeia com precisão os fenômenos clínicos descritos. Há ansiedade antecipatória, já que a reação ansiosa surge pela expectativa de ir ao sítio, antes do contato efetivo com aves. Há também comportamento de evitação/esquiva, porque a criança evita o contexto associado ao estímulo temido e permanece isolada no quarto durante todo o fim de semana. A correspondência entre a descrição clínica e esses conceitos é direta.
C
Errada
Está incorreta porque reduz indevidamente a formulação cognitivo-comportamental ao evento passado. Pela base, a TCC enfatiza a formulação atual das relações entre estímulos, cognições, emoções e comportamentos que mantêm o problema. A situação vivenciada pode ter sido antecedente ou precipitante, mas não é, por si só, o critério principal de compreensão técnica do caso.
D
Errada
Está incorreta porque parte de uma caracterização errada do quadro ao afirmar que os sintomas decorrem da relação entre emoção em uma situação nova e comportamento. A situação não é nova; trata-se de medo persistente após evento aversivo, mantido por antecipação ansiosa e evitação. A base afirma expressamente que a formulação da alternativa é conceitualmente inadequada, ainda que use termo técnico plausível.
E
Errada
Está incorreta porque atribui à TCC a necessidade de considerar a origem do medo persistente como condição para compreender o caso. Pela base, a TCC privilegia a formulação cognitivo-comportamental atual e os fatores mantenedores, não a mera busca da origem histórica como requisito indispensável. O erro técnico está no caráter de necessidade expresso na alternativa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre fator desencadeante inicial e formulação cognitivo-comportamental do caso: o ataque da coruja pode ter precipitado o medo, mas o núcleo decisivo do enunciado está na ansiedade antecipatória e na evitação/esquiva, não na origem histórica nem na suposta racionalidade do medo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado mostra ansiedade antes do contato efetivo com o estímulo temido, identifique ansiedade antecipatória.
  • Se a pessoa evita lugares, contextos ou permanece afastada para não lidar com o estímulo, reconheça evitação/esquiva mesmo sem fuga direta do objeto.
  • Em TCC, diferencie fator precipitante de fator mantenedor: o evento passado pode iniciar o quadro, mas não esgota sua compreensão técnica.
  • Desconfie de alternativas que usem termos técnicos corretos apoiados em premissa clínica errada.

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Comentários

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GAB. B

São sintomas da fobia.

“A fobia é definida como um medo persistente, desproporcional e irracional de um estímulo que não oferece perigo real ao indivíduo (Organização Mundial da Saúde, 1993). Ela envolve ansiedade antecipatória, medo dos sintomas físicos e esquiva e fuga. Quando o medo excessivo apresenta estímulo definido, denomina-se fobia específica (Lotufo Neto, 2011). Teóricos da abordagem cognitivo-comportamental consideram esse medo aprendido e o explicam com base na teoria do condicionamento clássico de Pavlov, do operante de Skinner e da modelação de Bandura (Piccoloto, Pergher, & Wainer, 2004).”

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