Os pais de um menino de 9 anos trazem-no à consulta por que...
Gabarito comentado
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Tema central: avaliação inicial de criança com possível transtorno do comportamento (especialmente TDAH e/ou transtornos disruptivos). A palavra-chave é “durante a anamnese e o exame físico”, ou seja, o foco é a ferramenta clínica de triagem, não exames complementares.
Gabarito: A – Aplicação de escalas de rastreio e avaliação de sintomas.
Por que A é a correta? O diagnóstico de TDAH e de transtornos comportamentais em crianças é clínico e exige evidências de sintomas em múltiplos ambientes (casa e escola), com prejuízo funcional e duração mínima (DSM‑5). As escalas padronizadas (ex.: Vanderbilt, Conners, SNAP‑IV) coletam dados sistemáticos de pais e professores, confrontando os critérios do DSM‑5 e rastreando comorbidades (oposição/desafio, ansiedade, aprendizagem). Diretrizes da AAP 2019, da SBP e o UpToDate recomendam seu uso como ferramenta principal na consulta inicial antes de exames complementares.
Estratégia de prova: quando o enunciado delimita “durante a anamnese e o exame físico”, escolha o método clínico padronizado (escalas/entrevista). Exames laboratoriais ou de imagem só entram diante de sinais de alarme ou hipóteses específicas.
Análise das incorretas
B) Exames de imagem do SNC: não são rotina no TDAH/transtornos disruptivos. Indicados apenas se houver déficits neurológicos focais, regressão, cefaleia progressiva, trauma ou suspeita de lesão estrutural. A imagem raramente muda conduta nesses quadros (AAP; Harrison’s).
C) Encaminhamento para avaliação psicológica/neuropsicológica: pode ser útil para comorbidades (transtornos de aprendizagem, perfil cognitivo) e planejamento terapêutico, mas não é a ferramenta principal na consulta inicial. Primeiro aplica-se escalas e critérios clínicos; o encaminhamento é complementar (SBP, AAP).
D) Eletroencefalograma (EEG): não indicado na avaliação de TDAH sem suspeita de crises ou episódios paroxísticos (ausências, perda de consciência, mioclonias). Sociedades neurológicas desaconselham uso de rotina (AAN/AAP; UpToDate).
E) Testes psicométricos padronizados: referem-se a medidas de QI e desempenho (ex.: WISC), úteis para transtornos de aprendizagem/deficiência intelectual, não para triagem de sintomas comportamentais. Não substituem as escalas de TDAH.
Resumo diagnóstico útil: TDAH exige ≥6 sintomas de desatenção e/ou hiperatividade‑impulsividade por ≥6 meses, início antes dos 12 anos, em ≥2 contextos, com prejuízo e sem melhor explicação por outro transtorno. Investigar visão/audição, sono, ansiedade/depressão e uso de substâncias; exame físico e neurológico para excluir outras causas (AAP 2019; UpToDate).
Pegadinha: “pedir exame” parece resolutivo, mas em TDAH a prova valoriza o raciocínio clínico e o uso de escalas validadas como passo inicial.
Conclusão prática: na primeira consulta, aplique escalas (pais e escola), correlacione com DSM‑5 e só depois considere exames/encaminhamentos conforme achados.
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