Homem de 64 anos de idade vem, por insistência da esposa, no...

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Q3884415 Medicina
Homem de 64 anos de idade vem, por insistência da esposa, no acolhimento da unidade básica de saúde logo cedo pela manhã, com quadro de fraqueza, fadiga e letargia. Encontra-se consciente e orientado. Esposa refere que paciente tem cirrose hepática por vírus C em tratamento em serviço de referência, mas faltou nas últimas consultas, pois passou 8 meses no interior. Esposa obrigou paciente a vir, pois presenciou paciente vomitando conteúdo vermelho vivo nesta madrugada. Paciente minimiza atribuindo vômitos ao açaí duvidoso que tinha comido no almoço. Tem endoscopia digestiva alta do ano passado em que se notavam varizes de médio calibre em esôfago, sem sinais de hemorragia. Apresenta palidez cutâneo-mucosa acentuada e ascite leve/moderada no exame físico, com esplenomegalia palpável e circulação colateral visível. Sinais apontavam FC 112bpm, FR 21ipm PA 90x60 mmHg.
Em relação ao quadro do paciente em questão, é correto afirmar:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério que resolve a questão é o reconhecimento de provável hemorragia digestiva alta varicosa aguda com instabilidade hemodinâmica: cirrose com hipertensão portal, varizes esofágicas prévias, hematêmese vermelho-vivo, palidez importante, taquicardia e hipotensão exigem encaminhamento hospitalar imediato, com início precoce de droga vasoativa esplâncnica, como terlipressina ou octreotídeo, no manejo inicial.

Tema central: Sangramento varicoso agudo
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está no núcleo terapêutico. Betabloqueadores não tratam o episódio hemorrágico agudo por varizes; seu papel é profilático após estabilização, não como hemostasia inicial. Além disso, a taquicardia aqui é resposta compensatória à hipovolemia, e iniciar betabloqueador em paciente hipotenso pode agravar a instabilidade. Metoprolol endovenoso também não é a droga de escolha nesse contexto.
B
Certa
A alternativa B acerta o diagnóstico sindrômico e a conduta inicial. Neste cenário, a combinação de cirrose, varizes esofágicas conhecidas, hematêmese e sinais de hipovolemia/choque torna o sangramento varicoso a principal hipótese. Nessa situação, o paciente não é de manejo ambulatorial: precisa de atendimento hospitalar urgente para estabilização e endoscopia, e pode se beneficiar de tratamento de primeira linha com terlipressina ou octreotídeo, que reduzem o fluxo portal e fazem parte da abordagem inicial da hemorragia varicosa aguda.
C
Errada
A alternativa propõe retenção na UBS com hidratação e possível seguimento ambulatorial, o que é inadequado diante de hematêmese associada a hipotensão, taquicardia e anemia clínica. Reposição volêmica pode fazer parte do suporte inicial, mas não autoriza observação ambulatorial nem postergação da avaliação hospitalar. Mesmo melhora transitória após fluidos não exclui sangramento ativo nem risco de ressangramento.
D
Errada
IBP em dose plena não é a terapêutica mais importante quando o quadro aponta fortemente para hemorragia varicosa. O problema fisiopatológico central aqui é hipertensão portal com provável ruptura de varizes, e a medida farmacológica específica é droga vasoativa esplâncnica, além do manejo hospitalar urgente. IBP pode ter lugar em outros cenários de hemorragia digestiva alta, especialmente não varicosa, mas não é a intervenção decisiva neste caso.
E
Errada
Diurético é inadequado em paciente com provável choque hemorrágico, porque há hipotensão e suspeita de hipovolemia; isso pode piorar a perfusão. Além disso, o enunciado não traz elementos suficientes para afirmar peritonite bacteriana espontânea como causa do quadro. A ascite faz parte do contexto de cirrose, mas não é o problema agudo prioritário nem justifica essa conduta na UBS.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre profilaxia de sangramento por varizes e tratamento do episódio agudo: a presença de varizes e taquicardia pode induzir ao uso de betabloqueador, mas no sangramento ativo com hipotensão a conduta correta é manejo hospitalar urgente com vasoativo específico.
Dica para questões semelhantes
  • Em cirrótico com varizes conhecidas, hematêmese e sinais de hipoperfusão, trate o quadro como provável sangramento varicoso agudo até prova em contrário.
  • Diferencie profilaxia de tratamento agudo: betabloqueador é para prevenção, enquanto terlipressina ou octreotídeo entram no episódio hemorrágico ativo.
  • Hipotensão, taquicardia e palidez afastam conduta ambulatorial, mesmo que haja melhora inicial após hidratação.
  • Não desvie o foco para achados crônicos da cirrose quando o enunciado mostra emergência hemorrágica como problema dominante.

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