Sobre o Código Florestal, o Supremo Tribunal Federal, no ju...
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Comentário de Gabarito – Código Florestal e STF
Tema Jurídico: A questão trata do julgamento da constitucionalidade do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) pelo Supremo Tribunal Federal, exigindo conhecimento sobre os pontos validados pelo STF, em especial o conceito de “leito regular”.
Legislação Aplicável: Código Florestal, Art. 3º, III: “leito regular: a calha por onde correm regularmente as águas do curso d’água durante o ano.”
Jurisprudência: O STF, nas ADIs 4901, 4902, 4903, 4937 e na ADC 42, declarou constitucional o conceito de leito regular definido no Código Florestal.
Explicação do Tema Central: O legislador federal alterou o conceito de áreas ripárias, e o STF entendeu que cabe ao Congresso definir critérios técnicos como o do “leito regular”, desde que respeitados os princípios constitucionais ambientais. Saber diferenciar esses conceitos e a posição do STF é matéria recorrente em provas jurídicas.
Exemplo Prático: Imagine um curso d’água cujo nível se eleva apenas em períodos chuvosos. Para fins legais, considera-se a calha regularmente ocupada todo o ano (não eventuais transbordos) ao fixar limites de Áreas de Preservação Permanente.
Justificativa da Alternativa Correta (A): Correta. O STF considerou constitucional a alteração legal do conceito de “leito regular” (ADIs 4901 e 4902), reconhecendo a legitimidade do legislador em promover tal definição, conforme art. 3º, III do Código Florestal.
Análise das Demais Alternativas:
B) Errado. O STF não considerou inconstitucional o uso agrícola de várzeas em pequenas propriedades nos termos da lei, admitindo situações excepcionais previstas.
C) Errado. A aquicultura pode ser exercida em APP, com condições específicas; o STF não declarou inconstitucional essa permissão.
D) Errado. O STF também não julgou inconstitucional a dispensa de reserva legal para pequenas centrais hidráulicas em certas condições.
E) Errado. A possibilidade do plantio intercalado para recomposição de reserva legal foi considerada compatível com a Constituição, desde que observado o percentual mínimo de espécies nativas.
Pegadinha: Atenção a expressões absolutas (“inconstitucional”, “sempre”) que buscam induzir ao erro – fundamental buscar o posicionamento exato dos tribunais.
Referências Doutrinárias: Carlos Eduardo Delgado e Consuelo Yoshida analisam a constitucionalidade do conceito de leito regular dado pelo Código Florestal, afirmando sua aderência ao texto constitucional.
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ARGUMENTOS INVOCADOS PELO STF PARA A DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DOS DEMAIS DISPOSITIVOS
Meio ambiente como direito e dever O art. 225 da Constituição Federal estabelece que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
Sob essa perspectiva, o meio ambiente assume função dúplice no microssistema jurídico, na medida em que representa simultaneamente um direito e um dever dos cidadãos, os quais se posicionam, paralelamente, também de forma simultânea, como credores e como devedores da obrigação de proteção respectiva.
Homem é parte indissociável do meio ambiente: Por intermédio das interações genéticas biologicamente evolutivas que se sucederam nos últimos milhares de anos, o meio ambiente produziu a espécie humana, cuja vida depende dos recursos nele contidos. Nesse ponto, nem os mais significativos avanços tecnológicos permitirão ao homem, em algum momento futuro, dissociar-se do meio ambiente, na medida em que a atividade humana inventiva e transformadora depende da matéria nele contida, sob todas as suas formas.
Homem é produto (e não proprietário) do meio ambiente: A capacidade de os indivíduos desestabilizarem o equilíbrio do conjunto de recursos naturais que lhes fornece a própria existência tem gerado legítimas preocupações, as quais se intensificaram no último século. Afinal, recursos naturais são escassos; determinados danos são irreversíveis ou extremamente agressivos à natureza; alterações climáticas tornaram-se problema real; e a poluição se alastra pelos grandes centros, entre outras evidências empíricas da crise ambiental. Portanto, o foco no crescimento econômico sem a devida preocupação ecológica consiste em ameaça presente e futura para o progresso das nações e até mesmo para a sobrevivência da espécie humana. O homem apenas progride como ser biológico e como coletividade quando se percebe como produto — e não proprietário — do meio ambiente.
CONTINUA
O STF analisou a constitucionalidade do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e decidiu:
1) declarar a inconstitucionalidade das expressões “gestão de resíduos” e “instalações necessárias à realização de competições esportivas estaduais, nacionais ou internacionais”, contidas no art. 3º, VIII, b, da Lei nº 12.651/2012;
2) dar interpretação conforme a Constituição ao art. 3º, VIII e IX, da Lei, de modo a se condicionar a intervenção excepcional em APP, por interesse social ou utilidade pública, à inexistência de alternativa técnica e/ou locacional à atividade proposta;
3) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art. 3º, XVII e ao art. 4º, IV, para fixar a interpretação de que os entornos das nascentes e dos olhos d´água intermitentes configuram área de preservação permanente;
4) declarar a inconstitucionalidade das expressões “demarcadas” e “tituladas”, contidas no art. 3º, parágrafo único;
5) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art. 48, § 2º, para permitir compensação apenas entre áreas com identidade ecológica;
6) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art. 59, §§ 4º e 5º, de modo a afastar, no decurso da execução dos termos de compromissos subscritos nos programas de regularização ambiental, o risco de decadência ou prescrição, seja dos ilícitos ambientais praticados antes de 22.7.2008, seja das sanções deles decorrentes, aplicando-se extensivamente o disposto no § 1º do art. 60 da Lei 12.651/2012, segundo o qual “a prescrição ficará interrompida durante o período de suspensão da pretensão punitiva”.
Todos os demais dispositivos da Lei foram considerados constitucionais.
STF. Plenário. ADC 42/DF, ADI 4901/DF, ADI 4902/DF, ADI 4903/DF e ADI 4937/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 28/2/2018 (Info 892).
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