A distinção clínica entre choque quente (hiperdinâmico) e c...

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Q3913342 Medicina
A distinção clínica entre choque quente (hiperdinâmico) e choque frio (hipodinâmico) no paciente pediátrico com sepse é crucial para o manejo. Sobre as características e o tratamento do choque séptico, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas.

(__)O choque frio, mais comum em lactentes, caracteriza-se por extremidades frias, tempo de enchimento capilar (TEC) lento (> 2s) e pulsos periféricos fracos, refletindo alta Resistência Vascular Sistêmica (RVS).

(__)O choque quente, mais comum em crianças maiores, apresenta extremidades quentes, TEC rápido (< 2s) e pulsos periféricos amplos, refletindo uma RVS baixa.

(__)A droga vasoativa de primeira escolha no choque frio (hipodinâmico, RVS alta) é a nitroprussiato de sódio, devido ao seu efeito vasodilatador e redutor da contratilidade cardíaca.

(__)A droga vasoativa de primeira escolha no choque quente (hiperdinâmico, RVS baixa) é a dobutamina, para melhorar a contratilidade miocárdica.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é compatibilizar o fenótipo hemodinâmico com o vasoativo inicial: em choque frio, com baixa débito e RVS alta, não se indica vasodilatador como nitroprussiato; em choque quente, com vasoplegia e baixa RVS, dobutamina isolada não é a primeira escolha. Isso sustenta a sequência V, V, F, F.

Tema central: Choque séptico pediátrico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque torna falsa a primeira assertiva, que descreve corretamente o choque frio pediátrico com extremidades frias, TEC lento, pulsos fracos e RVS alta. Também torna verdadeira a quarta assertiva, mas no choque quente o defeito hemodinâmico dominante é vasoplegia com baixa RVS, o que exige raciocínio inicial de vasopressor; dobutamina, por ser inotrópico, não corrige esse mecanismo como primeira escolha.
B
Certa
A alternativa B está correta porque acompanha a fisiopatologia clássica dos dois perfis. No choque frio, a vasoconstrição periférica compensatória gera extremidades frias, TEC prolongado e pulsos periféricos fracos, compatíveis com RVS elevada. No choque quente, a vasodilatação periférica gera extremidades quentes, TEC rápido e pulsos amplos, compatíveis com RVS baixa. A terceira assertiva é falsa porque nitroprussiato é vasodilatador arterial e venoso e não trata como primeira escolha o problema predominante do choque frio, que é baixo débito com hipoperfusão; além disso, pode agravar a hipotensão. A quarta também é falsa porque, no choque quente com vasoplegia e baixa RVS, o alvo inicial é restaurar tônus vascular com vasopressor, não usar dobutamina como primeira escolha isolada.
C
Errada
Está errada porque aceita como verdadeira a assertiva do nitroprussiato. Esse fármaco é vasodilatador e sua ação reduz o tônus vascular; no choque frio séptico, o problema descrito é baixo débito com hipoperfusão e RVS alta compensatória, de modo que vasodilatação primária não é a conduta inicial adequada e pode ser deletéria.
D
Errada
Está errada porque considera falsa a segunda assertiva, embora ela descreva corretamente o choque quente com extremidades quentes, TEC rápido, pulsos amplos e RVS baixa. Além disso, considera verdadeiras a terceira e a quarta assertivas, mas ambas contrariam o princípio farmacológico básico do manejo inicial: nitroprussiato não é primeira escolha no choque frio e dobutamina não é primeira escolha isolada no choque quente vasoplégico.
Pegadinha da questão
A banca explora a troca entre perfil hemodinâmico e droga vasoativa: confundir RVS alta do choque frio com indicação automática de vasodilatador e confundir o termo hiperdinâmico do choque quente com indicação automática de dobutamina, ignorando que o problema dominante aí é a vasoplegia.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro reconheça o fenótipo clínico: frio com extremidades frias, TEC prolongado e pulsos fracos; quente com extremidades quentes, TEC rápido e pulsos amplos.
  • Depois escolha o alvo terapêutico dominante: baixo débito pede suporte inotrópico/vasoativo compatível; baixa RVS pede vasopressor.
  • Não transforme achado isolado de RVS alta em indicação automática de vasodilatador dentro de um contexto de choque.
  • Associações por faixa etária ajudam na prova, mas o que define a resposta é a semiologia hemodinâmica e o mecanismo fisiopatológico.

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