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Q3511223 Medicina
Escolar, 5 anos, masculino, apresentando disúria, foi medicado com sulfametoxazol + trimetoprim em serviço de emergência. Após 48 horas, surgiu icterícia, retornando o paciente à emergência. Exames laboratoriais: Hg: 8%, reticulocitose; exame de urina: hemoglobinúria.
O mecanismo fisiopatológico da principal hipótese diagnóstica é:
Alternativas

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Tema central: hemólise aguda desencadeada por fármaco em criança, quadro clássico de deficiência de G6PD (doença ligada ao X), precipitada por sulfametoxazol-trimetoprim (agente oxidante).

Alternativa correta: C – “dano à membrana celular”

Justificativa: Na deficiência de G6PD, a hemácia não consegue regenerar NADPH/glutationa reduzida. Sob estresse oxidativo (ex.: sulfas), ocorre oxidação da hemoglobina com formação de Heinz bodies e lesão das proteínas/lipídios da membrana, aumentando a fragilidade e levando a hemólise, muitas vezes intravascular (explica hemoglobinúria) e icterícia por bilirrubina indireta. Reticulocitose confirma resposta medular. O perfil (menino, 5 anos, 48h após TMP-SMX, icterícia + hemoglobinúria) é típico. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate; OMS.

Como interpretar rapidamente o enunciado: procure por: (1) gatilho oxidativo (sulfa), (2) instalação rápida (48h), (3) icterícia + hemoglobinúria (hemólise intravascular), (4) reticulocitose (marrow “compensa”), (5) sexo masculino (herança ligada ao X).

Por que as demais estão incorretas?

A) Reação antígeno–anticorpo: sugere anemia hemolítica autoimune (teste de Coombs direto positivo). Embora drogas possam induzi-la, o padrão clássico aqui é oxidativo com hemoglobinúria precoce pós-sulfa, favorecendo G6PD. Coombs tenderia a ser negativo.

B) Lesão do imune endotelial: remete a vasculites ou dano mediado por imunocomplexos na parede vascular, não é o mecanismo da hemólise por G6PD.

D) Alteração do formato celular: “poiquilocitoses” primárias (esferocitose hereditária, anemia falciforme) decorrem de defeitos estruturais/genéticos e não de gatilho oxidativo agudo por droga.

E) Microangiopatia trombótica: HUS/TTP cursa com esquizócitos, plaquetopenia e IRA. No caso, o marcador é hemoglobinúria pós-oxidante sem menção a plaquetopenia ou esquizócitos.

Diagnóstico e exames úteis: bilirrubina indireta ↑, LDH ↑, haptoglobina ↓, esfregaço com “bite cells”; pesquisa de G6PD (pode ser falsamente normal na crise; repetir após 2–3 semanas). Supravital pode mostrar Heinz bodies.

Conduta prática: suspender o fármaco, hidratação vigorosa, controle da dor, suporte transfusional se necessário. Educação para evitar gatilhos (sulfas, dapsona, nitrofurantoína, primaquina, favas). Diretrizes: UpToDate; SBP/OMS para rastreio e manejo.

Pegadinha de prova: droga → “hemólise imunológica” (A). Aqui, o tipo de droga (sulfa) e o tempo curto apontam para estresse oxidativo e dano de membrana (C).

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