Um paciente adulto, amputado transtibial unilateral há 8 me...

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Q3917013 Fisioterapia
Um paciente adulto, amputado transtibial unilateral há 8 meses por etiologia vascular, encontra-se em fase de reabilitação funcional avançada. Apresenta bom controle de tronco, força muscular preservada em quadril e joelho, porém queixa-se de desconforto no coto, instabilidade em terrenos irregulares e aumento do gasto energético durante a marcha com a prótese atual. Na análise biomecânica observam-se assimetria do tempo de apoio, aumento do momento flexor de joelho no membro protetizado e compensações no membro contralateral.

Considerando os princípios da prescrição, adaptação e treinamento de próteses, bem como os aspectos biomecânicos e funcionais da marcha protética, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na marcha protética transtibial com alto gasto energético, assimetria de apoio, aumento do momento flexor de joelho, instabilidade e compensações, a conduta tecnicamente mais adequada é otimizar o componente protético para maior retorno de energia quando compatível com o nível funcional e associar treino de marcha voltado ao controle do joelho e à simetria do apoio.

Tema central: Marcha protética transtibial
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque afirma que um pé de baixa resposta dinâmica reduziria o gasto energético independentemente do nível funcional. Isso contraria o critério biomecânico usado na questão: a eficiência da marcha depende das propriedades mecânicas do componente e da sua adequação ao perfil funcional. Em paciente com reabilitação avançada e queixa de alto custo energético, a lógica é otimizar resposta e retorno de energia quando compatível com a capacidade funcional, não reduzi-los indiscriminadamente.
B
Errada
Está errada porque transforma a dor no coto em sinal obrigatório de falha do encaixe e exclui avaliação de alinhamento dinâmico e marcha. Pela base, dor no coto é multifatorial: pode envolver encaixe, alinhamento, distribuição de cargas, volume do coto, suspensão, componentes e padrão de marcha. Diante de assimetria de apoio, aumento do momento flexor de joelho e compensações, dispensar análise dinâmica é tecnicamente inadequado.
C
Certa
A alternativa C está correta porque enfrenta os dois determinantes centrais do quadro: o componente protético e o padrão de marcha. Pés com maior armazenamento e retorno de energia podem melhorar a progressão da marcha e reduzir o custo energético em amputados transtibiais selecionados. Além disso, o enunciado mostra déficits biomecânicos específicos — assimetria do tempo de apoio, aumento do momento flexor de joelho e compensações contralaterais — que exigem treino de marcha dirigido ao controle do joelho protetizado, à transferência de peso e à simetria do apoio. Portanto, a conduta correta não é isolada, mas combinada.
D
Errada
Está errada porque propõe fortalecimento exclusivo, quando o próprio caso mostra que a limitação não se explica por fraqueza isolada: há força preservada em quadril e joelho. Na reabilitação funcional com prótese, desempenho depende também de propriocepção, equilíbrio, transferência de peso, simetria do apoio e treino em superfícies variadas. Fortalecimento isolado não corrige sozinho instabilidade, assimetria e compensações.
E
Errada
Está errada porque reduz a instabilidade em terrenos irregulares à falta de força muscular. A base afirma que essa instabilidade é multifatorial e depende também de propriocepção, controle postural, treino funcional, tipo de pé protético, capacidade de acomodação do componente e alinhamento dinâmico. Além disso, o enunciado informa força preservada, o que enfraquece diretamente a explicação baseada apenas em fraqueza.
Pegadinha da questão
A banca explora explicações monocausais e termos absolutos: dor no coto não significa obrigatoriamente problema de encaixe, instabilidade em terreno irregular não depende apenas de força, e o manejo correto não é exclusivamente muscular nem independente do componente protético e do alinhamento.
Dica para questões semelhantes
  • Em marcha protética, relacione sempre os achados biomecânicos com dois eixos de intervenção: componente/alinhamento e treino funcional específico.
  • Desconfie de alternativas com termos absolutos como 'obrigatoriamente', 'exclusivamente', 'apenas' e 'independentemente' quando o problema é multifatorial.
  • Se o enunciado trouxer gasto energético alto, assimetria de apoio e compensações, pense em melhorar eficiência mecânica da prótese e treinar controle do joelho e transferência de peso.
  • Dor no coto e instabilidade exigem avaliação integrada de encaixe, alinhamento, componentes e padrão de marcha; não aceite causa única sem apoio no caso.

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