Em relação ao tratamento clínico da febre de Oropouche, é co...
Gabarito comentado
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Tema central: A febre de Oropouche é uma arbovirose causada pelo Oropouche vírus (Orthobunyavirus), transmitida principalmente pelo maruim (Culicoides). Como a maioria das viroses agudas, o manejo é sintomático, sem antimicrobianos.
Alternativa correta: C — Não há tratamento específico. A conduta é de suporte: analgesia e antitérmicos (paracetamol ou dipirona), hidratação, repouso. Em áreas com dengue, evitar AAS/anti-inflamatórios até excluir dengue pela possibilidade de sangramento. Casos com sinais neurológicos (meningite/encefalite) exigem avaliação hospitalar e suporte. Não há antiviral ou vacina específicos. Diretrizes: Ministério da Saúde (Guia de Vigilância em Saúde), PAHO/OMS e UpToDate.
Por que as demais estão incorretas?
A) Penicilinas tratam bactérias, não vírus. Seu uso empírico na Oropouche não traz benefício e aumenta risco de efeitos adversos e resistência bacteriana. Só considerar antibiótico se houver evidência de infecção bacteriana associada (ex.: pneumonia, ITU).
B) Fluoroquinolonas também são antibióticos, sem ação contra vírus. Além de ineficazes, têm perfil de eventos adversos relevantes (tendinopatia, QT longo, neuropatia). Portanto, não são indicadas.
D) Uso de repelentes e educação em saúde são medidas de prevenção e controle vetorial, fundamentais em saúde pública, mas não constituem tratamento clínico do paciente já doente. É uma “pegadinha” comum: diferencie tratamento de prevenção.
Dicas diagnósticas para a prova: Quadro febril agudo com cefaleia intensa, mialgia, artralgia, náuseas e, às vezes, exantema; pode haver febre bifásica. Diferenciais: dengue, chikungunya, zika, malária. Confirmação laboratorial: RT-PCR na fase aguda (até ~5 dias) e sorologia IgM após esse período. A presença de surto local e exposição a vetores reforça a suspeita.
Estratégia de prova: Ao ler “prescrição precoce de antibióticos” em doenças virais, desconfie. Termos como “proteção individual/repelente” costumam indicar prevenção, não tratamento. Em arboviroses, escolha geralmente recai em suporte clínico conforme diretrizes do MS/OMS/UpToDate.
Referências: Ministério da Saúde – Guia de Vigilância em Saúde (Febre de Oropouche); PAHO/OMS – Alertas Epidemiológicos sobre Oropouche; UpToDate – Oropouche virus infection.
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