Texto II       Em uma...

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Q630222 Português

                                     Texto I


      A natureza das vidas que as pessoas podem levar tem sido objeto de atenção dos analistas sociais ao longo da história. Mesmo que os principais índices econômicos do progresso tendam a se concentrar no melhoramento de objetos inanimados de conveniência (por exemplo, no produto interno bruto, PIB), essa concentração poderia ser justificada, em última instância, apenas através do que esses objetos produzem nas vidas humanas que podem direta ou indiretamente influenciar. Temos excelentes razões para não confundir os meios com os fins, e para não considerarmos os rendimentos e a opulência como importantes em si, em vez de valorizá-los pelo que ajudam as pessoas a realizar, incluindo uma vida boa e que valha a pena.

      A opulência econômica e a liberdade substantiva, embora não sejam desconectadas, frequentemente podem divergir. Mesmo com relação à liberdade de viver vidas longas (livres de doenças evitáveis), é notável que o grau de privação de grupos socialmente desfavorecidos em países muito ricos pode ser comparável ao das regiões mais pobres. A liberdade de evitar a morte prematura é incrementada por uma renda elevada (isso não se discute), mas ela também depende de outros fatores, em particular da organização social, incluindo a saúde pública e a garantia de assistência médica. Faz diferença se olharmos apenas para os recursos financeiros, em vez de considerarmos as vidas que as pessoas conseguem levar. 

      Ao avaliarmos nossas vidas, há razões para estarmos interessados na liberdade que realmente temos para escolher entre diferentes estilos de vida. O reconhecimento de que a liberdade é importante também pode ampliar nossa responsabilidade. Poderíamos usar nossa liberdade para investir em muitos objetivos que não são parte de nossas próprias vidas em um sentido restrito (por exemplo, a preservação de espécies ameaçadas). Trata-se de um tema importante na abordagem de questões como o desenvolvimento sustentável.


(Adaptado de Amartya Sen. A ideia de Justiça. São Paulo, Cia. das Letras, 2011. p.259-61)

                                      Texto II


      Em uma entrevista, o professor de economia José Eli da Veiga afirmou: “O PIB usado como indicador de qualidade de vida, de bem-estar, de prosperidade, de progresso é um equívoco. Um país do Oriente Médio, com PIB muito alto porque tem petróleo, pode apresentar maus indicadores em educação, pelo fato de discriminar as mulheres. Quando se substitui uma energia fóssil por uma renovável, o tamanho da economia pode não estar aumentando, necessariamente, mas a sociedade está melhorando.”


(http://www.institutoagropolos.org.br/blog/editorias/categoria/ noticias/pib-para-medir-qualidade-de-vida-e-um-equivoco-total, com adaptações. Acessado em 12/10/11) 


I. Se comparadas, as opiniões expostas no Texto I e as de José Eli da Veiga apresentam grande semelhança a respeito da ocasional divergência entre os indicadores abstratos de riqueza e a real qualidade de vida das pessoas.

II. Ao contrapor a discriminação das mulheres à prosperidade advinda da exploração do petróleo no Oriente Médio, para exemplificar o seu ponto de vista, José Eli da Veiga adota um posicionamento semelhante ao daquele expresso no Texto I quanto aos efeitos nem sempre positivos da riqueza de um país sobre a qualidade de vida de seu povo.

III. Para José Eli da Veiga, ações que se traduzam em um desenvolvimento sustentável constituem o meio mais eficaz para aumentar o poderio econômico e, portanto, a qualidade de vida da população de uma determinada nação.


Está correto o que se afirma SOMENTE em 

Alternativas

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Análise da Questão:

A questão em análise trata de interpretação de texto, mais precisamente da comparação de opiniões expressas em dois textos sobre a relação entre indicadores econômicos e qualidade de vida.

Enunciado: O enunciado pede para verificar quais assertivas estão corretas com base na comparação entre os textos de Amartya Sen (Texto I) e José Eli da Veiga (Texto II).

Alternativa Correta: D - I e II.

Justificativa:

I. A primeira assertiva afirma que há uma semelhança entre as opiniões dos dois textos sobre a possível divergência entre indicadores abstratos de riqueza, como o PIB, e a real qualidade de vida das pessoas. Essa similaridade é de fato observada, pois ambos os autores criticam o uso exclusivo de indicadores econômicos para medir qualidade de vida, indicando que a riqueza de um país não necessariamente reflete o bem-estar de sua população.

II. A segunda assertiva menciona que José Eli da Veiga, ao discutir a discriminação das mulheres em países com alto PIB devido ao petróleo, revela uma posição semelhante à do Texto I, que destaca que a riqueza não garante automaticamente uma boa qualidade de vida. Esta análise é correta, pois ambos os textos sugerem que a simples opulência econômica pode não traduzir-se em melhorias efetivas para a população.

III. A terceira assertiva é incorreta. José Eli da Veiga não afirma que ações sustentáveis são o meio mais eficaz para aumentar o poderio econômico. Pelo contrário, ele enfatiza que a substituição de energias fósseis por renováveis pode não aumentar o tamanho da economia, mas melhora a sociedade. Assim, não há uma relação direta e garantida entre desenvolvimento sustentável e aumento do poder econômico no texto mencionado.

Conclusão: Apenas as afirmações I e II são corretas, de acordo com a análise dos textos e respectivas posições dos autores.

Estratégia para interpretação: Ao resolver questões de interpretação, é crucial identificar e extrair as ideias principais dos textos, além de comparar e contrastar posições, quando necessário. Preste atenção a detalhes que indicam conexões ou divergências entre os argumentos apresentados.

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Comentários

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III. Para José Eli da Veiga, ações que se traduzam em um desenvolvimento sustentável constituem o meio mais eficaz para aumentar o poderio econômico e, portanto, a qualidade de vida da população de uma determinada nação.

Ao colocar "e,portanto," introduz uma ideia de "consequentemente". Ocorre que qualidade de vida não deriva de poderio econômico. Logo, errada.

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