Segundo Antonio Candido, Joaquim Nabuco considerava que
[Joaquim] Nabuco sentiu que, sendo produtor de riqueza, e portanto esteio da sociedade, o escravo era um trabalhador submetido à espoliação máxima; e que os interesses da oligarquia levavam não apenas a querer manter o regime escravista, mas a transformá-lo numa espécie de modelo permanente do trabalho. Esta verdadeira descoberta levou-o a sentir que os projetos de imigração, sobretudo chinesa, ou os de recrutamento do homem livre para trabalho rural a prazo fixo, eram manifestações de uma mentalidade que procurava extrapolar o sistema escravista e estender as suas características a todo trabalhador, considerado como máquina humana à disposição integral do senhor, ou do patrão.
Ele viu que, sendo a massa produtora, o trabalhador escravo era o grosso do povo, e portanto tinha direito de atuar na vida política. Ora, este direito lhe era negado não só porque ele estava excluído da cidadania, mas porque mesmo o trabalhador livre, portanto um cidadão, ficava excluído do voto pelos requisitos censitários, que restringiam ao máximo o alistamento eleitoral. Segundo Nabuco, o trabalhador não era nada, mas deveria ser tudo no futuro.
Essa visão lúcida e avançada correspondia a uma concepção realista da sociedade brasileira, que era então composta na maioria de negros e mestiços, isto é, escravos, antigos escravos, descendentes totais ou parciais de escravos.
(Fragmento extraído de Antonio Candido. Radicalismos. Vários escritos. 3.ed. S.Paulo: Duas Cidades, 1995. p.271-2)
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Vamos analisar a questão com base no texto apresentado, que requer interpretação de texto. O foco é entender a visão de Joaquim Nabuco sobre o sistema escravista e suas implicações sociais e políticas.
Alternativa B - Correta:
A resposta correta destaca que, segundo Joaquim Nabuco, a oligarquia desejava estender a exploração desumana, destinada aos escravos, também aos trabalhadores livres, recrutados ou imigrantes. Essa visão é corroborada pelo texto quando menciona que a mentalidade oligárquica buscava extrapolar o sistema escravista, tratando todo trabalhador como uma "máquina humana".
Alternativas Incorretas:
Alternativa A: Esta alternativa está errada porque sugere que o trabalho do imigrante e do homem livre, ao ser mais produtivo, conduziria ao fim do sistema escravista. O texto não menciona essa relação de produtividade como um fator de abolição. Pelo contrário, a elite pretendia manter as características do trabalho escravo.
Alternativa C: Nabuco não justifica as restrições políticas aos escravos e trabalhadores livres. O texto critica essas restrições, destacando que apesar de serem a maioria, esses grupos eram excluídos da cidadania plena.
Alternativa D: O texto não afirma que a própria oligarquia defendia o fim da escravidão. Ao contrário, ela buscava perpetuar o sistema escravista e estender a exploração a outros trabalhadores, não garantindo a eles direitos políticos.
Alternativa E: Esta opção sugere que a imigração seria a única forma de superar as condições desumanas do trabalho escravo, o que não está no texto. Nabuco critica o uso da imigração como uma forma de perpetuar a exploração, não como solução para a abolição.
Para resolver a questão, é crucial identificar no texto a crítica de Nabuco à mentalidade oligárquica e sua intenção de manter a exploração do trabalhador, seja ele escravo ou livre. Observe palavras-chave e frases que indiquem a crítica social e política do autor.
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Trecho da resposta correta (letra B): "Nabuco sentiu que, sendo produtor de riqueza, e portanto esteio da sociedade, o escravo era um trabalhador submetido à espoliação máxima; e que os interesses da oligarquia levavam não apenas a querer manter o regime escravista, mas a transformá-lo numa espécie de modelo permanente do trabalho. Esta verdadeira descoberta levou-o a sentir que os projetos de imigração, sobretudo chinesa, ou os de recrutamento do homem livre para trabalho rural a prazo fixo, eram manifestações de uma mentalidade que procurava extrapolar o sistema escravista e estender as suas características a todo trabalhador, considerado como máquina humana à disposição integral do senhor, ou do patrão."
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